Encontro internacional

Bolsonaro ignora risco de conflito e irá à Rússia

Alheio aos temores de uma invasão da Ucrânia, presidente confirma que vai a Moscou a convite de Putin, que classifica de conservador

DW Brasil
28/01/2022 às 15:28.
Atualizado em 08/03/2022 às 15:53

(Foto: DW Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (27/01) que visitará a Rússia em fevereiro, em meio às tensões entre o Kremlin e o Ocidente em torno da Ucrânia.

"Estarei lá no próximo mês para estreitar os laços e melhorar as relações comerciais", disse o presidente a apoiadores reunidos em frente ao Palácio da Alvorada, sua residência oficial em Brasília.

Bolsonaro disse que o convite partiu do presidente russo, Vladimir Putin. "Sabemos dos problemas que alguns países têm com a Rússia. Mas a Rússia é parceiro nosso. Essa é uma viagem que interessa a nós, e a eles também", disse.

Questionado por um apoiador se Putin seria conservador e "gente da gente", Bolsonaro respondeu que o presidente russo "é conservador, sim". "Eu vou estar mês que vem lá, atrás de melhores entendimentos, relações comerciais. O mundo todo é simpático com a gente", declarou.

Crise entre Moscou e Kiev

Na segunda-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão havia dito que a viagem  à Rússia poderia ser cancelada devido à grave crise entre russos e ocidentais. A crise se agravou nas últimas semanas, após o Kremlin enviar dezenas de milhares de soldados e equipamentos militares à fronteira com o país vizinho, gerando temores de uma invasão.

A Rússia é acusada de estar por trás de uma insurgência de separatistas no leste da Ucrânia, que já matou mais de 13 mil pessoas desde 2014, mesmo ano em que Moscou anexou a Península da Crimeia, que era parte do território ucraniano.

A viagem à Rússia deverá ocorrer entre 14 e 17 de fevereiro e ser seguida de uma visita à Hungria, onde Bolsonaro deverá se encontrar com o primeiro-ministro Viktor Orbán em Budapeste.

Preferência por líderes de perfil antidemocrático

As duas viagens confirmam uma preferência do mandatário brasileiro de se reunir com líderes de regimes não democráticos ou onde a democracia corre riscos.

Putin comanda os destinos da Rússia há mais de duas décadas, seja no cargo de primeiro-ministro, seja no de presidente. Em 2020, concluiu mudanças na Constituição russa que podem mantê-lo no poder até 2036.

Em janeiro de 2021, o oposicionista russo Alexei Navalny foi preso ao desembarcar no aeroporto de Moscou, vindo da Alemanha, onde passara os últimos cinco meses se recuperando de um ataque com um agente neurotóxico que ele atribui ao governo russo.

As mais recentes eleições para a Duma, a câmara baixa da Assembleia Federal Russa, foram marcadas por denúncias de fraude e perseguição de opositores.

Orbán está no poder desde 2010 e enfrentará eleições em 2022. Para garantir seu poder, esse político de extrema direita já recorreu a muitos artifícios – desde o alinhamento da maior parte da mídia do país até uma nova lei eleitoral que favorece seu partido, o nacionalista Fidesz.

O governo de Orbán enfrenta acusações de antissemitismoe homofobia e é alvo de críticas frequentes da União Europeia, a mais recente delas por causa de uma polêmica lei contra a "promoção da homossexualidade".

Analistas políticos húngaros afirmam que, embora as eleições ainda sejam livres na Hungria, as condições de disputa estão se tornando cada vez mais injustas, com mudanças na lei eleitoral para favorecer o partido do premiê.

Em 2021, Bolsonaro foi aos Emirados Árabes Unidos, ao Bahrein e ao Catar, onde se reuniu com representantes das monarquias que comandam esses países com mão de ferro.

Pouco antes participou do encontro do G20 em Roma. Sua participação foi de pouco destaque, e os líderes das nações democráticas presentes evitaram falar com o presidente brasileiro ou mesmo serem vistos ao lado dele.

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