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Cotidiano
DILMA ROUSSEFF

Braga foi o único parlamentar do AM a votar 'sim' e 'não' nos julgamentos no Senado

Senador votou pelo impeachment, mas contra a perda dos direitos políticos da agora ex-presidente 31/08/2016 às 16:17
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Vanessa e Eduardo Braga conversam durante sessão de julgamento do impeachment / Foto: Ag. Senado
Antônio Paulo Brasília (DF) - Sucursal

Os votos da bancada de senadores do Amazonas, no julgamento do impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff, foram confirmados. Dos 61votos “sim”, pelo afastamento definitivo, dois foram dos senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Entre os 20 votos “não”, estava o da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

A surpresa foi na segunda votação do destaque da bancada do PT que pediu votação separada dos crimes de responsabilidade da inabilitação da ex-presidente para exercer cargo público. O voto de Vanessa era esperado, mas Braga surpreendeu e também votou “não”.

Eram necessários dois terços ou 54 votos dos 81senadores para impedir Dilma se exercer função pública inclusive se candidatar a algum cargo eletivo. Nessa votação, os senadores que queriam a inabilitação da ex-presidente só conseguiram 42 votos contra 36 dos oposicionistas e três abstenções.

Omar Aziz se manteve fiel e repetiu o voto “sim”, tanto pela perda de mandato quanto pela inabilitação de Dilma Rousseff.  “Acho extremo tirar um cidadão do convívio do trabalho. Perder os direitos eleitorais é uma coisa, perder o direito de cidadão é outra completamente diferente, mas está tudo junto na Constituição; você perde o direito de poder trabalhar, de poder fazer algo com o aprendizado que serviria à sociedade. Mas, essa nova regra abre um precedente: se vale para a ex-presidente Dilma, valerá para o ex-senador Delcídio Amaral, o deputado Eduardo Cunha e outros parlamentares que perderam o mandato.  O Supremo Tribunal Federal deverá se manifestar sobre essa questão”, disse Omar Aziz

O presidente Ricardo Lewandowisk disse não poder responder à questão de ordem do senador amazonense porque não estava ali na condição de magistrado e também porque a polêmica poderá chegar ao Supremo. “Infelizmente, tenho me abster de dar uma resposta neste caso porque me atenho as questões que estão sendo levantadas neste julgamento”, declarou Lewandowisk.

Perspectivas para o País

Para Omar Aziz, a decisão do Senado não resolvem todos os problemas do Brasil. “Não é tão simples assim. Essa viagem que o presidente Michel Temer fará a China é importante para reaver o intercâmbio internacional e o país voltar a ter credibilidade, voltar a crescer e trazer novos investimentos”.

O senador Eduardo Braga não quis comentar sobre o voto “não” dado contra a inabilitação de Dilma para exercer cargo público depois do impeachment. Por meio da assessoria, o senador disse que o importante agora é unir esforços para tentar tirar o país da crise, voltar a crescer, gerar empregos e retomar o desenvolvimento social e econômico.

Com Michel Temer efetivado na Presidência da República, o PMDB se consolida no poder e, como Braga é da Executiva Nacional e presidente estadual do partido, tende a se fortalecer.

Resistência

Para a senadora Vanessa Grazziotin o resultado da votação que levou ao impeachment de Dilma foi uma derrota para o Brasil e para o povo brasileiro.  “Fizeram o que nós imaginávamos que iram fazer e que tentamos muito barrar: que foi condenar uma presidente que não cometeu nenhum crime e se condena uma presidente desta maneira não é impeachment é golpe”.

Sobre o futuro político, a senadora disse que agora é tempo de resistir, ter uma ação contundente ligada às organizações populares “porque a agenda que nos espera é extremamente danosa. Temos que fazer ligação porque somos oposição e uma minoria significativa; eles têm um número muito grande de parlamentares; vamos precisar  nos unir às ruas para poder fazer com que nossas vozes ecoem aqui no Parlamento”, avaliou Vanessa.

Esse retorno às ações políticas, a senadora comunista garante que também o fará no Estado do Amazonas. “É a volta da velha Vanessa”, declarou.

 
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