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Cotidiano
DEMOCRACIA

Brasil dá início à votação mais polarizada da história, com Bolsonaro favorito

No duelo cada vez mais destacado entre direita e esquerda, candidato do PSL lidera todas as pesquisas, mas analistas indicam um provável segundo turno 07/10/2018 às 07:57
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(Foto: Evaristo Sá / AFP)
AFP

As eleições presidenciais mais polarizadas da história recente do Brasil começaram neste domingo (7) às 08H00, com o representante da extrema direita Jair Bolsonaro favorito no primeiro turno, após uma intensa campanha que expôs as divisões profundas de uma democracia sacudida por múltiplas crises.

Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL), teve um forte crescimento nas pesquisas depois de ter sido esfaqueado durante um comício em 6 de setembro em Juiz de Fora (MG), e chegou nas pesquisas deste sábado pela primeira vez aos 40% dos votos válidos (que excluem os votos brancos e nulos).

Tirou, ainda, entre 15 e 16 pontos de vantagem ao seu seguidor mais imediato, Fernando Haddad, substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência.

Se nenhum candidato obter mais da metade dos votos, um segundo turno será realizado em 28 de outubro.

"De hoje para amanhã, se cada um de vocês conseguir lutar por mais um voto apenas, nós liquidamos a fatura no primeiro turno. Dá para fazermos isso. Tem muita gente indecisa ainda. Tem muita gente que está partindo para o voto útil", afirmou o candidato do PSL em vídeo difundido em sua página no Facebook.

Os analistas consideram possível, embora pouco provável, que isto ocorra. A principal incógnita está no número de eleitores "ocultos" de Bolsonaro que dizem nas pesquisas que vão votar em branco ou se declaram indecisos.

As pesquisas indicam que em um segundo turno os dois políticos, que são ao mesmo tempo os favoritos e os que têm o maior índice de rejeição, estariam em empate técnico, com tendência favorável a Bolsonaro (45%-43% segundo o Ibope e 45%-41% segundo o Datafolha). 

Clara Gentil, uma eleitora do Rio de Janeiro, se apresentou para votar em Copacabana vestindo uma camisa com o "#EleNão", lema da campanha lançada contra Bolsonaro, que ostenta um longo histórico de declarações misóginas, racistas e homofóbicas, e que justificou os métodos de tortura da ditadura militar (1964-1985).

"Acho que parte dos brasileiros foram manipulados para votar pelo ódio. Então esta eleição é mais importante que outras. Agora há uma recessão, fome, gente morando nas ruas, sem emprego", explicou.

Um total de 147,3 milhões de eleitores estão habilitados a votar em um pleito que também escolherá deputados, senadores e governadores.

Os resultados vão começar a ser divulgados após o encerramento da votação no estado do Acre, às 19h00 no horário de Brasília.

O vencedor para o cargo à presidência substituirá em 1º de janeiro o presidente Michel Temer (MDB), o mais impopular desde o fim da ditadura militar (1964-1985).

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