Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Brasil e EUA estão perto de encerrar disputa comercial sobre algodão que já dura uma década

Acordo pode sair ainda nesta terça (30); iniciativa seria o primeiro passo para uma reaproximação entre os dois países, após escândalos de espionagem que ganharam o mundo



1.jpg Governo brasileiro acredita na realização de um acordo ainda nesta terça (30)
30/09/2014 às 10:42

O Brasil e os Estados Unidos estão próximos de fechar um acordo sobre uma disputa relacionada a subsídios ao algodão que já dura uma década, disseram à Reuters três fontes brasileiras próximas às negociações, apontando para o que poderá ser o primeiro passo concreto de reaproximação entre os dois países, cujas relações foram abaladas após um escândalo de espionagem.

Washington está a horas de alcançar um acordo com produtores brasileiros de algodão que pedem compensação por subsídios recebidos por produtores norte-americanos, disse uma fonte de alto escalão do governo brasileiro. A fonte pediu para não ser identificada porque as negociações ainda não estão concluídas.

"Estou bastante confiante de que um acordo será alcançado nesta terça-feira (30)", disse a autoridade. Duas outras fontes próximas das negociações também disseram que um acordo está em fase final.

As relações entre Brasil e Estados Unidos foram estremecidas no ano passado por revelações de que a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês) espionou a presidente Dilma Rousseff com programas de vigilância digital, segundo documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden.

Negociações diplomáticas em diversos setores --desde dupla tributação até regras para emissão de vistos-- foram congeladas.

Dilma cancelou uma visita de Estado a Washington e exigiu um pedido de desculpas do presidente Barack Obama. Os Estados Unidos disseram publicamente que lamentavam o incidente, mas não emitiram um pedido formal de desculpas.

Se confirmada, a resolução para a questão do algodão ocorreria poucos dias antes da eleição presidencial em que os dois principais oponentes de Dilma, Aécio Neves e Marina Silva, prometeram reconstituir os laços com Washington para abrir mercados para exportadores brasileiros.

O Ministério de Relações Exteriores do Brasil não quis comentar o status das negociações. Um representante do Ministério da Agricultura não foi localizado imediatamente para comentar.

Em 2004, o Brasil venceu na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma disputa contra os subsídios recebidos por produtores de algodão dos EUA, ficando com o direito de impor sanções contra produtos norte-americanos no valor de 830 milhões de dólares. O Brasil concordou em suspender a punição caso os EUA depositassem dinheiro em um fundo de assistência para produtores brasileiros de algodão.

Os EUA pararam de pagar a compensação mensal em outubro do ano passado, devido a divergências no Congresso norte-americano sobre o orçamento federal, o que levou o governo brasileiro a ameaçar impor tarifas mais altas para produtos dos EUA.

A retaliação poderia aumentar as tensões diplomáticas entre os dois países, disseram na época autoridades e especialistas.

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, viajou ao Brasil e encontrou-se com Dilma em junho, na esperança de virar a página do episódio de espionagem. Ele assegurou à presidente brasileira que Washington mudou a maneira que realiza vigilância eletrônica.

Em outro sinal de que as relações estão começando a avançar, os dois países assinaram um pacto de troca de informações fiscais na semana passada que poderá levar a um acordo fiscal que evite dupla tributação de companhias norte-americanas que operam no Brasil, e vice-versa.

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