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Cotidiano
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Briga jurídica pelo comando do Amazonas trará um cenário prejudicial a investimentos

Nesta segunda-feira (28), a presidente do TRE/AM, Socorro Guedes, deve decidir sobre o pedido de afastamento de Melo e ordenar a posse de Braga 28/03/2016 às 13:59 - Atualizado em 28/03/2016 às 14:10
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TRE analisará o processo em que Melo foi cassado, de autoria da coligação “Renovação e Experiência”, de Braga (Foto: Antonio Lima)
Janaína Andrade

A instabilidade política provocada pela possível troca-troca de governador do Amazonas ampliará os prejuízos econômicos e sociais causados pela crise econômica, que resultou só no ano passado queda de mais de R$1 bi nas receitas do Estado. Essa é a opinião de economistas e sociólogos ouvidos por A CRÍTICA.

Para esta segunda-feira (28) está previsto o desfecho de mais um capítulo do duelo jurídico entre o governador José Melo (Pros) e o Ministro de Minas e Energia,  Eduardo Braga (PMDB), pela chefia do Executivo estadual: a presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM), Socorro Guedes, deve decidir sobre o pedido de afastamento de Melo e ordenar a posse de Braga.

Segundo a conselheira federal de Economia (Cofecon), Denise Kassama, este governo, assim como o federal, depende de credibilidade em suas ações.

“Uma eventual troca no Governo do Estado inevitavelmente vai atrasar o processo político e econômico. Não há garantias que um novo governo dê continuidade as políticas econômicas atuais”, analisou.

A economista afirma que período de turbulência econômica sempre retraem novos investidores. “Nenhum empresário investe no setor produtivo em período de instabilidade política-econômica. Tão grave como a crise atual é a indefinição quanto ao futuro”, avaliou.

O maior temor, de acordo com Denise, é que com a retração de investimento, o governo estadual dê descontinuidade para alguns segmentos que recebem incentivos fiscais.

“Hoje existem uma série de produtos, cujo incentivo fiscal é uma redução de 55%, mas o Governo tinha aumentado para 100% por se tratar de segmentos com problemas de competitividade. O Governo atual está revendo todos estes segmentos”, explicou.

O economista Martinho Azevedo afirma que a crise econômica, independente do cenário político, está posta. “A crise independe de uma mudança de governador, pois ela está posta em todo o País. Agora, o ambiente no Estado é preocupante, porque tende a se agravar. E se agravando as autoridades tem que adotar outras decisões”, disse Azevedo.

O sociólogo e cientista político, Carlos Santiago, afirma que o cenário apresentado só prejudica a população. “A instabilidade política atinge a máquina administrativa, por consequência os servidores ficam em alerta, e o mais grave é que para o modelo econômico adotado aqui, que é o do Polo Industrial, as indústrias começam a não assinar mais contratos, porque acham que há grande chances de não receberem. Ninguém ganha com isso”, declarou.

Políticas públicas afetadas

Sociólogo e cientista político da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Tiago Jacaúna, diz que em um panorama de instabilidade política nacional e local, existe pouco espaço para pensar em cenários futuros antes que se resolva o problema político.

“O campo das políticas públicas (saúde, educação e economia) fica comprometido diante das incertezas, principalmente porque em uma eventual troca de governantes, todo o staff dos cargos de confiança deve ser alterado e um novo planejamento administrativo deverá ser realizado”, observou.

Para Jacaúna, o que está em jogo é a sobrevivência política de José Melo. “A queda de arrecadação enfrentada pela União e estados é um problema nacional em decorrência da desaceleração da economia. Cabe aos estados criarem uma estratégia de pagar suas dívidas sem penalizar sua população”, concluiu o cientista político.

O processo em que Melo foi cassado é de autoria da coligação “Renovação e Experiência”, que denunciou suposta compra de votos a favor do governador José Melo, apontando Nair Blair como responsável por uma “empresa-fantasma” que recebeu verba pública ilegalmente destinada à captação ilícita de sufrágio. A Polícia Federal apreendeu R$ 11,7 mil e documentos que incluíam notas fiscais, listas de eleitores e recibos.

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