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Cotidiano
No rebolado!

Brincantes enfrentam a crise dançando: é dia de Festival das Cirandas em Manacapuru

Mesmo com corte das verbas governamentais, e sem disputa oficial, cirandas vão para a Arena do Parque do Ingá mostrar seu valor 26/08/2016 às 22:24 - Atualizado em 27/08/2016 às 08:11
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Evolução da ciranda Flor Matizada, atual campeã de Manacapuru / Fotos: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima. É nesse ritmo, mesmo em tempos de crise, que os cirandeiros vão entrar na arena do Parque do Ingá, em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) neste sábado, a partir de 20h, para disputar o 20º Festival de Cirandas. O evento terá transmissão ao vivo da Rede TV e você poderá assistir as apresentações pelo aplicativo ACritica Play para celular ou tablets.

Aproximadamente 80 mil torcedores e simpatizantes das agremiações Flor Matizada, Guerreiros Mura e Tradicional vão conferir as performances dos brincantes de uma forma diferente este ano: em maio, as três associações folclóricas foram comunicadas da decisão do Governo do Estado em suspender o repasse financeiro para o patrocínio ou despesas com festivais culturais na capital e interior. Além do 20º Festival de Cirandas, também foram prejudicados, entre outros eventos, os festivais Folclórico de Parintins, do Amazonas e o da Canção de Itacoatiara (Fecani). Com isso, o evento em Manacapuru passou de três para apenas um dia de apresentação e sem disputa por título ou troféu.

O pontapé da festa será da Flor Matizada, atual campeã, que abre o Festival às 20h. A Ciranda Guerreiros Mura começa a se apresentar às 22h, com a Tradicional adentrando a arena por volta de meia-noite. Cada associação folclórica terá 1h30 para evoluir em um cenário único.

Tradicional

A Ciranda Tradicional, do presidente Magal Pinheiro, tem como tema para este ano “Amazônia Colossal, um Povo de Fé, um Braço de Fé e Tradicional”, cantando as particularidades da cultura local. Na história, a agremiação tem 3 títulos.

O orçamento da associação folclórica está entre R$ 90 mil a R$ 100 mil, de acordo com o dirigente, frisando que a ciranda está endividida. “Estamos endividados e aguardando por recursos para os próximos dias”, destaca ele.

Mesmo assim, garante o dirigente, a Tradicional se preparou e está só aguardando pela apresentação hoje no Parque do Ingá. “Estamos prontos para essa apresentação em um único cenário para as três cirandas. Assim como as outras, a minha ciranda está passando por dificuldades, assim como os setores da saúde, educação, etc. Mas, apesar da crise, vamos fazer o máximo para mostrar um grande festival e um espetáculo para que festival não venha decair”, disse Magal Pinheiro.

Para colocar a ciranda em condições de se apresentar, a diretoria comprou  produtos pagando parcelado e com a esperança de ainda receber repasses governamentais. “Temos votos de confiança do pessoal de comércio de Manacapuru. Nessa hora de dificuldade o comércio ajuda. Eles compreendem. Sofremos um ‘baque’ muito forte nos últimos anos. Em 2014, a verba para cada uma das cirandas era de R$ 1.200.000; ano passado diminuiu para R$ 600 mil e, nesta temporada, para zero”, destacou

Flor Matizada

Assim como as co-irmãs, a atual campeã do Festival, a Flor Matizada, reduziu a quantidade da sua apresentação, mas não espera dever nada em qualidade para brincar com toda sua desenvoltura característica dentro do tema “Raiz, Arte e Paixão”.

“Apesar de reduzirmos nossas apresentações e não levarmos aquele espetáculo de todos os anos, acredito que vamos empolgar muito a nossa torcida. Escolhemos músicas dos nossos melhores anos de apresentação para emocionar não apenas nosso público, mas a todos os presentes no Parque do Ingá. Será um trabalho 100% à altura da Flor Matizada. A nossa torcida exige, e ela própria vai causar impacto, pois mesmo em face dessa crise ela não se intimidou e vai ajudar na nossa apresentação”, explicou Vanessa Mendonça, presidente da agremiação.

“Não há um levantamento real do orçamento para este ano, até porque ainda temos promessas de liberação de recursos, até amanhã, da prefeitura  de Manacapuru e por parte do senador Omar Aziz.

Para driblar as dificuldades, Vanessa Mendonça contou que os dirigentes das cirandas deixaram a rivalidade para pensar pelo bem comum do tradicional Festival. “Nós três presidentes nos reunimos e pensamos em outras formas para levar as cirandas para a arena e não deixar de fazer o festival. Reduzimos o formato do festibal, diminuindo a quantidade de músicas, com alegorias praticamente no zero e, com esse formato que criamos, na verdade faremos só uma pequena apresentação, uma restrospectiva dos nossos anos. Já estávamos com o tema pronto e de acordo com o que fazíamos nos anos anteriores, mas, quando vimos que não teríamos condições financeiras, revimos e decidimos fazer uma noite apenas. Cada ciranda fez eventos nos galpões. A Flor Matizada, por exemplo, tem calendário como eventos nas, festas juninas, ou seja, nós dispomos de alguns recursos oriundos dos eventos no nosso galpão”, comentou ela.

Guerreiros Mura

Maior detentora de títulos entre as cirandas (possui 11 festivais), a Guerreiros Mura traz para a arena este ano o tema “Somos Luta, Somos Glória, Guerreiros Mura uma História de Vitórias”, enfatizando as conquistas que fizeram a associação folclórica ser uma supercampeã de Manacapuru.

Segundo o diretor de Artes, Thyago Cavalcante, com os cortes financeiros deste ano, a Mura vai apostar na ciranda de raiz. “Devido os cortes não vamos ter apresentações de alegorias, apenas de itens individuais como era na ciranda de raiz. Nos sentimos muito prejudicados, pois o corte nas verbas e a apresentação em noite única abalou a estrutura das cirandas, mudando radicalmente a forma da apresentação. De 2h30 de tempo de apresentação passamos a ter 1h30”, destaca ele.

Sem recursos governamentais, a Mura abusou da criativodade na confecção das alegorias para se apresentar este. “Utilizamos materiais alternativos e tentar da melhor forma possível não prejudicar nossas confecções.  Trabalhávamos com muita pedraria e material pesado de cristais, mas neste ano, na roupa de itens, estamos com tecidos mais baratos, mais brilhosos. Usamos mais maquiagem e tecidos como cetim, brocado, organza, pele na pele, e em número reduzido. Tentamos mexer o mínimo possível nas roupas de itens como a cirandeira bela, princesa , porta-cores, cantor e apresentador. A nossa expectativa é a melhor possível porque vamos contar a história dos 11 títulos da ciranda e não tem como não ser bom”, destaca Thyago Cavalcante.

“Nosso orçamento até agora gira em torno de R$ 80 mil só para os quesitos de cordão de cirandeiros e itens individuais. E nesse valor não estão incluídas as despesas de mão-de-obra, banda, costureiros e soldador”, informa Rildo Conde Teles, presidente da Mura.

Troca de materiais

em recursos, a Mura abusou da criatividade nas confecções para se apresentar este. “Trabalhávamos com muita pedraria e material pesado de cristais, mas neste ano, na roupa de itens, estamos com tecidos mais baratos, mais brilhosos”, diz  diretor de artes Thyago Cavalcante.

Em números

1h30

É o tempo que cada associação folclórica terá para evoluir, em um cenário único, logo mais na Arena do Parque do Ingá. E tudo isso sem apoio governamental, como foi registrado nos últimos anos. Ano passado, a verba do Estado foi de R$ 600 para cada associação.

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