Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
SEM VERBAS

Área de Ciência e Tecnologia no Amazonas sofre com grave redução nos recursos

Ifam recebeu 60% do valor previsto para este ano e Ufam tem verba cortada pela metade em comparação a 2016



CID_Ci_ncia_e_Tecnologia_Estudantes_da_Ufam_em_laborat_rio_Foto_divulga__o.JPG Universitária em laboratório é uma cena que tende a ficar rara por falta de verbas (Fotos: Divulgação)
06/08/2017 às 21:33

Os cortes nos recursos para  ciência e tecnologia no Brasil são preocupantes e o contingenciamento – bloqueio – do orçamento das instituições de pesquisa agrava ainda mais situação de penúria do setor.  No Amazonas, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifam) recebeu 60% do valor previsto para este ano. A Universidade Federal (Ufam) não teve verba contingenciada, mas o seu recurso é 50% menor, se comparado ao montante destinado no ano anterior. 

O pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Ifam, José Pinheiro de Queiroz Neto, disse que, em 2016, o orçamento do órgão para Pesquisa e Inovação foi de R$ 1,02 milhão, e em 2017, este valor caiu para R$ 827,9 mil. Entretanto, o Governo Federal só liberou, até o momento, R$ 496,7 mil. Com isso, a instituição teve que fazer cortes nas ações de pesquisa e inovação. 



“Podemos destacar a redução em 33% do número de projetos de inovação financiados com recursos próprios e a suspensão de dois editais, um de apoio à participação em eventos e outro de apoio à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que beneficiariam as 15 unidades do Ifam, incluindo-se o interior do Estado”, disse  Neto. 

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufam, Selma Baçal, por sua vez, disse que a instituição vai gerir mais de R$ 20 milhões este ano, entre recursos próprios e oriundos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). As verbas são destinadas ao pagamento de bolsas e servem de auxílio à pesquisa. 

Contudo, ela ressaltou que a Fapeam, desde 2015, tem se restringido a repassar recursos somente para o pagamento de bolsas e não para auxílio à pesquisa. Diante de tal situação, para garantir o fomentar a pesquisa na universidade, foi anunciado no último dia 1º, o pagamento de 500 bolsas (além de 61 já previstas) para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). “Todas serão pagas com recurso próprio da instituição”, destacou Selma Baçal.

Selma salienta que o mundo da ciência e tecnologia está vivendo dias difíceis de cortes, inclusive com interrupção de pesquisas, e lamenta a situação.

CNPq fica sem dinheiro

Esta semana, a notícia de que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) havia atingido o teto orçamentário e não teria dinheiro para pagar bolsas e projetos a partir deste próximo mês, caso seu orçamento não fosse descontigenciado pelo Governo Federal, inflamou ainda mais a situação no campo da ciência e tecnologia. 

José Pinheiro de Queiroz Neto, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), disse que a instituição entende como prioridade as bolsas de iniciação científica, entretanto, também tem sofrido contingenciamento no seu orçamento e terá dificuldades para dar cobertura a esta situação.

“Temos ainda outras 190 bolsas que financiamos com recursos próprios, para as quais também teremos problemas se os recursos contingenciados não forem liberados. O cenário mais provável é que ocorra um atraso no pagamento das bolsas, caso o governo não descontingencie nosso orçamento”, explicou.

O Ifam tem 50 alunos bolsistas pelo CNPq e aproximadamente 10 pesquisadores. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por sua vez, possui 244 alunos bolsistas de iniciação científica e 1.230 pesquisas para o período 2017-2018.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), informou que os recursos para o pagamento das bolsas para o mês de agosto estão assegurados, e o órgão trabalha junto à equipe econômica pela recomposição orçamentária e normalidade nos repasses do órgão nos próximos meses. O CNPq financia estudos e pesquisas de cerca de 100 mil bolsistas brasileiros. 

Diretor-presidente da Fapeam manifesta preocupação

O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), René Levy Aguiar, informou que está acompanhando os noticiários e tem manifestado preocupação com todos os assuntos que envolvem a pesquisa e a ciência, fundamentais para o desenvolvimento do nosso Estado e do País.

De acordo com ele, o Governo do Amazonas está executando a programação normal dos pagamentos de bolsas, sem indicativos de cortes, honrando com todos os compromissos já assumidos dentro do planejamento orçamentário para o corrente ano, conforme disponibilizado no Portal da Transparência Fiscal do Estado do Amazonas ou no site da Fapeam.

Redução das bolsas preocupa

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), órgão ligado ao Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), informou que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre cortes de bolsas do CNPq. Mas as notícias são preocupantes, tendo em vista que o Inpa possui cerca de 900 bolsistas, dos quais aproximadamente 500 são de bolsas oriundas do CNPq distribuídas desde o programa de Iniciação Científica até o pós-doutorado.

 “Dessa forma, a perda dessas bolsas afetará a continuidade das pesquisas desenvolvidas tanto pelos bolsistas quanto pelo próprio Instituto”, disse em nota, destacando ainda que há 145 projetos institucionais de pesquisas em execução com financiamento de agencias de fomento, entre CNPq, Capes e Fapeam.


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