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Cotidiano
SAÚDE

Cada vez mais comum nos consultórios, hérnia abdominal é agravada por obesidade

Aproximadamente 8% dos pacientes candidatos a cirurgia bariátrica apresentam hérnias da parede abdominal 08/11/2017 às 22:36
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Médico Márcio Cortez, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica. Foto: Divulgação
acritica.com* Manaus (AM)

Dor e desconforto na região abdominal, principalmente após um esforço físico, pode significar um sinal de alerta de que algo não vai bem com a saúde. O médico Márcio Cortez, especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica, explica que a hérnia da parede abdominal em obesos está cada vez mais comum nos consultórios médicos. Aproximadamente 8% dos pacientes candidatos a cirurgia bariátrica apresentam hérnias da parede abdominal. A doença ocorre quando parte de um tecido ou órgão se desloca, através de um orifício, chamado de anel herniário, e invade um espaço indevido do organismo.

“Isso acontece devido ao enfraquecimento do tecido protetor dos órgãos internos do abdômen, resultado de um problema congênito, ou pode estar também associado à obesidade, que deixa a parede abdominal fragilizada”, explica o especialista amazonense, que falou sobre o melhor momento para tratar a hérnia da parede abdominal em um dos maiores encontros mundiais de profissionais de cirurgia bariátrica e metabólica, o Obesity Week, que aconteceu na última semana em Washington (EUA).

O maior perigo da hérnia surge quando há a união de dois fatores: grande volume do órgão deslocado – aumentando o conteúdo no saco herniário – e anel herniário estreito, o que dificulta o vai-e-vem do órgão. Esta situação faz com que o conteúdo fique preso e sujeito a provocar o estrangulamento herniário, que implica na torção das alças intestinais. A torção pode provocar obstrução intestinal, que tem como sintomas as cólicas abdominais e a dificuldade para eliminar gases e fezes.

O médico alerta que o quadro é muito grave e exige cirurgia em caráter de urgência, pois a compressão dos vasos sanguíneos promove a gangrena da alça intestinal torcida e a sua ruptura. Consequentemente, ocorre uma infecção grave que se estende para a cavidade peritoneal, fazendo um quadro de peritonite aguda. Diante disso, a cirurgia é emergencial, pois há risco de morte.

Prevenção

A prevenção da hérnia da parede abdominal passa pelo hábito de ter uma postura ereta, principalmente sempre que for levantar pesos, pela manutenção de um peso saudável, alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos, ajudando a reforçar os músculos abdominais e, principalmente, controlando o peso.

O especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Cirurgia Bariátrica ressalta que a obesidade é, sem dúvida, um problema de saúde pública e que vem acompanhado de complicações graves que pioram a condição de vida e podem até matar, como diabetes, hipertensão e a esteatose, mais conhecida como gordura no fígado.

A obesidade atinge um em cada cinco brasileiros, segundo dados do Ministério de Saúde. Para se ter uma ideia, em dez anos, a população obesa no país passou de 11,8%, em 2006, para 18,9% em 2016.

Tratamento

Cortez aponta que, atualmente, não existe, na literatura e nem nos eventos especializados, um consenso sobre o melhor momento para tratar a doença em pacientes obesos, se é antes, durante ou após a cirurgia bariátrica. E, isso é algo que deve ser avaliado pelo médico, pois o paciente já sofre muitas limitações por causa da obesidade e da hérnia.

Durante a avaliação, o especialista deverá levar em conta diversos fatores, entre eles, as características da hérnia e o grau de obesidade. “O paciente pode apresentar uma hérnia pequena que no momento da cirurgia bariátrica posso operar e isso não afetará o tratamento para a obesidade. Entretanto, um procedimento num paciente com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 50 não é aconselhável, principalmente, se o diâmetro do orifício herniário é maior de oito centímetros, tornando a cirurgia desfavorável e impactando no tratamento dele”, afirmou o cirurgião.

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