Segunda-feira, 30 de Março de 2020
SEM OSCILAR

Caixa abre linha de crédito com juros fixos para compra de imóveis

Condições são válidas para imóveis residenciais novos e usados, com quota de financiamento de até 80% do valor do imóvel. Medida foi aprovada por Bolsonaro



49562211237_e08331ee2d_k-1024x683_6D5DC07F-C9F1-4913-B37A-81001C31AEB9.jpg Foto: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil
21/02/2020 às 07:16

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem o lançamento de uma nova linha de crédito habitacional com taxa fixa. As contratações podem ser feitas a partir de hoje com juros de 8% a 9,75% ao ano, dependendo do tempo de financiamento e do relacionamento do cliente com o banco.

"Vamos permitir que as pessoas tomem empréstimos por 20 anos, 30 anos, sabendo desde o primeiro dia quanto elas vão pagar”, disse o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, durante cerimônia de lançamento da nova linha de crédito, no Palácio do Planalto.



As condições são válidas para imóveis residenciais novos e usados, com quota de financiamento de até 80% do valor do imóvel. O cliente poderá escolher entre os sistemas de amortização SAC (com parcelas decrescentes), para contratos de até 360 meses, ou Price (parcelas fixas), para financiamento de até 240 meses.

No ano passado, o presidente da Caixa havia adiantado a intenção do banco em adotar o crédito habitacional pré-fixado. Nessa quinta-feira, ele explicou que agora, os clientes têm três opções de contratação: com correção pela Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central; pela inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); ou sem correção.

“O que nós queremos oferecer para a sociedade? Opções. Nós não queremos dizer para o cliente o que ele tem que fazer. Então, nós oferecemos o crédito por TR, oferecemos pela inflação, que neste governo está no nível mais baixo, e agora oferecemos sem inflação e sem TR”, disse.

O crédito habitacional com contratos corrigidos pela inflação foi adotada em agosto do ano passado pela Caixa. Nessa modalidade, os juros variam de 2,95% a 4,95%. Já pela TR, as taxas vão de 6,5% a 8,5%.

Facilidades

Durante seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro comentou as facilidades atuais do financiamento habitacional. “Quem podia pensar um dia alguém falar em credito imobiliário com taxa fixa? Meu pai morou em 20 imóveis de aluguel. Não precisa falar que ficou inadimplente para mudar tanto assim. Hoje em dia não teria esse problema”, brincou.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, medidas como as anunciadas hoje pela Caixa mostram que o governo está democratizando o acesso ao crédito, ao incluir “os brasileiros das camadas mais humildes” no financiamento imobiliário. E isso só é possível, segundo ele, porque as reformas estruturantes que estão sendo implementadas estão permitindo que os juros desçam e a economia comece a girar. Hoje, a taxa básica de juros, a Selic, está em 4,25% ao ano, o menor nível da história.

Pedido de desculpa

“Quando fazemos política econômica estamos pensando em todos os brasileiros e particularmente nos mais humildes. O modelo antigo, com juros lá em cima, transformava os empresários, os empreendedores brasileiros, em rentistas, em vez de fazerem investimentos e criarem empregos. E justamente as famílias mais humildes, empregadas domésticas inclusive, a quem eu peço desculpa se puder ter ofendido, dizendo que a mãe do meu pai foi empregada doméstica. Qual o problema de fazer uma referência como essa, mostrando que os preços estão empurrando a população em direções equivocadas? Um Brasil cheio de belezas naturais e as pessoas pensando em não viajar para o Nordeste, por exemplo, porque estava 50% mais caro ir para o Nordeste brasileiro do que ir para o exterior”, disse Guedes.

Modalidade aumentará a confiança

O diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM), Henrique Medina, avalia que a nova modalidade de financiamento, em que o cliente saberá quanto irá pagar do início até a quitação do imóvel, irá aumentar a confiança do consumidor, a segurança e será uma motivação a mais na hora de fechar a compra do novo imóvel.

“O mercado imobiliário em nossa cidade está em franca expansão, novas modalidades de crédito são muito bem-vindas e certamente irão contribuir com o crescimento do setor. As novas medidas anunciadas pela Caixa Econômica Federal, banco público que detém quase 70% do crédito imobiliário do país, farão com que os bancos privados também desenvolvam novas formas de financiamento aumentando a concorrência por juros mais competitivos, certamente essa medida aumentará a confiança e o estímulo ao mercado consumidor”, avalia.

Medina  declarou que a medida atenderá o anseio de clientes mais conservadores que preferem poupar dinheiro e comprar o imóvel a vista para não depender da variação dos juros.

O empresário e presidente do Grupo Capital, Pauderley Avelino, afirmou que o modelo de financiamento é um marco  para o mercado imobiliário. 

“Diante de todos os acontecimentos não me recordo de ter visto isso no nosso setor. E a população é a principal beneficiada. Em 2019, a confiança do empresário era de 70%, hoje, segundo pesquisas, essa porcentagem aumentou e o mercado imobiliário está com 94%,  com essa sensação de segurança. Esse cenário estimula o setor a investir e a fazer novos lançamentos”, declarou o empresário.

Blog - Marcus Evangelista - Economista

“É uma  excelente opção para quem está pretendendo financiar um apartamento ou a casa própria uma vez que vai ter a simulação real de quanto vai pagar. Essa nova linha de crédito, com a redução dos juros e as parcelas fixas, vai acabar facilitando às vendas, alavancando o mercado imobiliário e, em consequência, estimulando outros segmentos e aquecendo, de maneira geral, a nossa economia. Se a construção está indo bem há uma sequência muito positiva para que outros setores também estejam alavancando. Acreditamos que isso vai ser muito bom para economia do nosso país nesse momento em que estamos saindo da crise e o consumidor está cada vez mais confiante, apesar de todos os revés da política. É importante lembrar que esse financiamento é de médio a longo prazo, ou seja, o consumidor tem que escolher um imóvel que esteja dentro daquilo que sonha e  potencialidade de valorização.  Se escolher em uma área que tem a tendência de se desvalorizar o seu imóvel também vai perder valor. O ideal é ter todos esses cuidados porque essa compra não é de uma roupa, o consumidor estará comprando um produto, imóvel, em que estará compromissado de 20 a 30 anos. Tem que colocar no papel, avaliar o custo de manutenção do imóvel e a depreciação. Logo, ter uma noção geral antes de partir para formalização da compra“.
 

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.