Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
NA MIRA DO PARLAMENTO

Câmara dos EUA abre processo de impeachment contra Donald Trump

Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirma que Trump violou a constituição dos EUA ao promover investigação contra líder da oposição



000-1kl7ob_B3E49387-EAD4-42BF-A427-226B8D1CE49B.jpg Foto: Mandel Ngan/AFP
News thumb afp d084093c bf21 4ede 853c 0cfb6068260d AFP
25/09/2019 às 09:05

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) a abertura de um processo formal de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que ele violou a Constituição ao buscar ajuda da Ucrânia para investigar o adversário democrata Joe Biden.

"As ações da Presidência de Trump revelaram fatos desonrosos de traição do presidente ao seu juramento de posse, traição à nossa segurança nacional e traição à integridade das nossas eleições", declarou Pelosi.



"Portanto, hoje eu anuncio que a Câmara de Representantes está avançando com um processo oficial de impeachment", concluiu.

O anúncio foi feito pela presidente da Câmara dos Representantes após consulta a membros de seu partido Democrata, que pedem o impeachment de Trump com base em alegações de que ele teria pressionado o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar Biden, líder nas primárias democratas para enfrentá-lo nas eleições de 2020.

"É absolutamente essencial que o presidente seja responsabilizado. Ninguém está acima da lei", disse Pelosi antes do anúncio durante um fórum em Washington. "Eu já havia dito que quando tivéssemos os fatos, estaríamos prontos. Agora nós temos os fatos. Estamos prontos", afirmou.

A escalada de pedidos de impeachment havia sido alimentada por um escândalo relativo à suposta tentativa de Trump de pressionar o presidente ucraniano a abrir uma investigação sobre corrupção contra seu principal adversário à Casa Branca, Joe Biden, e Hunter, filho dele.

No meio da polêmica estaria um até então sigiloso telefonema de Trump em 25 de julho para Volodymyr Zelensky. Trump reagiu ao anúncio denunciando "uma caça às bruxas lixo".

"Um dia importante nas Nações Unidas, muito trabalho, muito sucesso, e os democratas decidem atropelar tudo com uma nova (...) caça às bruxas lixo", tuitou o presidente da Torre Trump, na Quinta Avenida.

Mais cedo, o presidente avaliou que a medida só irá aumentar suas chances de ser eleito em 2020. "Se ela fizer isso, todos vão dizer que é positivo para mim nas eleições", disse Trump à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York.

Trump contra-ataca

Reagindo à ameaça, Trump anunciou mais cedo que divulgaria a transcrição do telefonema para o líder ucraniano.

"No momento, estou nas Nações Unidas representando nosso país, mas autorizei a divulgação amanhã da transcrição completa, totalmente liberada e não editada da minha conversa telefônica com o presidente Zelensky, da Ucrânia", tuitou Trump.

"Vocês verão que se tratou de um telefonema muito amistoso e totalmente apropriado. Sem pressões e, ao contrário de Joe Biden e seu filho, SEM toma lá, dá cá!", alfinetou. 

"Isto não é nada mais do que a continuação da maior e mais destrutiva caça às bruxas de todos os tempos!", concluiu.

Democratas

O próprio Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama e até o momento tinha evitado pedir a abertura de um processo de impeachment - anunciou nesta terça-feira que agora apoia a medida, a menos que Trump coopere completamente com a investigação no Congresso sobre o escândalo na Ucrânia e outras controvérsias de seu governo.

"Temos um presidente que acredita não haver limites para o seu poder", disse Biden a jornalistas durante uma entrevista coletiva. "Temos um presidente que acredita estar acima da lei".

A Casa Branca se recusou a transmitir ao Congresso a queixa secreta de um informante da comunidade de Inteligência, que teria mostrado Trump buscando ajuda da Ucrânia para combater Biden.

Trump admitiu ter conversado com Zelensky sobre Biden no telefonema e ter congelado a ajuda ao país temporariamente, antes de ser liberada na semana passada. Mas refutou as acusações de que os dois casos estariam ligados. Segundo o presidente, a suspensão da ajuda visava a provocar países europeus a aumentarem seu apoio ao governo ucraniano.

Passo arriscado 

Lançar um processo de impeachment é um passo politicamente arriscado a 14 meses das eleições de 2020. Pelosi, que reconquistou o controle da Câmara de Representantes em 2016, havia até agora resistido firmemente a fazê-lo, esperando manter o foco em conquistar o Senado e a Casa Branca em 2020.

Mas até democratas moderados se declararam favoráveis a um processo de impeachment completo na segunda-feira. Analistas contaram o apoio de pelo menos 170 dos 235 membros do partido na Câmara.

"O presidente dos Estados Unidos pode ter usado sua posição e poder para pressionar um país estrangeiro a investigar um adversário político, e ele tentou usar os dólares dos contribuintes americanos como uma alavanca para fazê-lo", escreveram no Washington Post sete democratas recém-ingressos no Congresso, incluindo o veterano das guerras do Afeganistão e Iraque Jason Crow e a ex-agente da CIA Abigail Spanberger.

"Este desrespeito flagrante da lei não pode continuar", ressaltaram.


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