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Câmara Municipal de Coari tem novo presidente

Iram Medeiros do DEM foi escolhido na sessão da noite desta quarta-feira (18). A eleição foi determinação judicial 18/03/2015 às 21:28
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Vista aérea do município de Coari, distante 363 quilômetros de Manaus
acritica.com ---

O vereador Iram Medeiros (DEM) é o novo presidente da Câmara Municipal de Coari. Ele foi eleito na noite desta quarta-feira (18). Salustino Júnior (PMDB) foi escolhido o vice-presidente da Casa.

A expectativa da eleição se deu ao fato da vacância na prefeitura do município com a prisão do titular, Adail Pinheiro (PRP) e a renúncia do vice, Igson Monteiro (PMDB). O presidente foi escolhido com a expectativa de ser o prefeito até a publicação do acórdão das candidaturas de Adail e Igson.

Apenas oito dos 15 vereadores do município participaram da sessão. Além de Iram e Salustino, estiveram presentes na sessão Keitton Pinheiro (PHS), Raimundo Coelho (PMN), Robério Queiroz (PRP), eleitos respectivamente 2º presidente, 1º secretário e 2º secretário. Também participaram da votação Jerbson Alves (PMDB), Márcio Almeida (PTC) e Raimundo Coelho.

A eleição na Câmara de Coari foi determinada pelo desembargador Rafael Romano nesta terça-feira (17).  O magistrado acatou um mandado de segurança apresentado por oito dos 15 vereadores da cidade.  Os mesmos oito vereadores que participaram da eleição, capitaneados por Iram Medeiros.

O município estava sendo administrado interinamente pelo vereador Carlos Alves Batista (PTC), o mais velho da cidade.

Eles reclamavam que tanto o vereador Carlos Alves (PTC), que assumiu a prefeitura por ser o presidente da Câmara, posto que assumiu por ser o mais velho, quanto o vereador Mário Jorge (PTN), que assumiu a presidência da Câmara com a saída de Alves para a prefeitura por ser o segundo mais velho, estavam postergando a eleição no Parlamento municipal.

Os vereadores assumiram os postos de presidente da Câmara Municipal e vice, respectivamente, após a desembargadora Encarnação Sampaio anular, no dia 26 de fevereiro, a eleição realizada na Casa novembro de 2014, e tirar a presidência da Casa do vereador Iliseu Monteiro (PMDB).

Iliseu, conhecido como "Bat", é irmão de Igson Monteiro (PMDB), vice-prefeito que assumiu a gestão do município após a prisão de Adail Pinheiro (PRP) no dia 8 de fevereiro de 2014. Igson renunciou no dia 9 de fevereiro deste ano.

Ao perder a presidência da Câmara, Iliseu deixou também a prefeitura, que desde então passou a ser a administrada por Carlos Alves, o vereador mais velho da cidade. Com a licença de Alves, a presidência Câmara ficou com o segundo vereador mais velho, Mário Jorge.

"Os dois vereadores estavam obstaculizando a eleição. Eles a anularam a convocação, marcada por eles mesmos, da nova eleição. Desde a decisão da desembargadora Encarnação, se passaram quase 20 dias e eles não deram uma sinalização de convocação do novo pleito. A eleição é necessária para legitimar a presidência da Casa. Até hoje, todos os cargos da Mesa Diretora estão vagos. O desembargador Romano teve sensibilidade e entendeu a situação delicada em que se encontra o município", disse o advogado do grupo de oito vereadores que ingressaram com o mandado, Elton Barreto.

Instabilidade

O município vive uma instabilidade política desde a prisão do prefeito afastado, Adail Pinheiro, por supostos crimes sexuais contra menores, em fevereiro de 2014. Igson Monteiro, o vice, depois de assumir a gestão, se afastou de Adail e chegou a dizer que se ele voltasse para o cargo renunciaria.

Igson renunciou, no dia 9 de fevereiro, após pressão popular. No dia 14 de janeiro, ocorreu uma verdadeira revolta popular no município, quando populares incendiaram casas de Igson, e depredaram o carro dele e o prédio da Câmara Municipal. O motivo da revolta eram atrasos no pagamento dos servidores.

Uma comissão do Ministério Público do Estado (MP-AM) foi até o município para investigar o levante popular e possíveis irregularidades na administração municipal. Depois disso, A CRÍTICA, no dia 8 de fevereiro, mostrou que Igson empregava familiares na prefeitura.

O irmão de Igson, Iliseu Monteiro, então presidente da Câmara, assumiu a prefeitura após a renúncia dele. Depois da anulção da eleição da Câmara Municipal, Iliseu deixou a prefeitura e o vereador Carlos Alves assumiu a Casa, e posteriormente a prefeitura, com a vacância do cargo de prefeito.

Intervenção

Dado o caos político no município, deputados estaduais propuseram, no início deste ano, uma intervenção do Governo do Estado. O então lider do governador, Sidney Leite (Pros), fez uma provocação formal a José Melo (Pros) para que ele enviasse um decreto à Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) pela intervenção, o que não aconteceu. O deputado Luiz Castro (PPS) buscou o MP-AM pela via judicial.

Em 2014, em meio à repercussão nacional dos escândalos envolvendo Adail Pinheiro, deputados da oposição, por meio do MP-AM, já haviam tentado a intervenção via judicial, mas ela foi negada três vezes pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).


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