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Campanha contra a presidente eleita agita redes sociais

O movimento Caras Pintadas criou uma página no Facebook exclusivamente para fazer a convocação dos manifestantes de Manaus contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff 30/10/2014 às 19:11
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Presidente Dilma Rousseff, reeleita neste domingo (26)
Denir Simplício e Lucas Jardim Manaus (AM)

O protesto intitulado “Impeachment Dilma Manaus” está marcado para acontecer no dia 15 de novembro. No entanto, o manifesto em âmbito nacional ocorrerá neste sábado (1º).

O movimento Caras Pintadas criou uma página no Facebook exclusivamente para fazer a convocação dos manifestantes de Manaus contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Até o início da tarde desta quinta-feira (30), quase 8 mil pessoas haviam sido convidadas para participar dos protestos na capital amazonense. Sendo que mais de 600 internautas já tinham confirmado a presença no evento que pretende reunir milhares de pessoas em frente ao Teatro Amazonas, no Centro da cidade.

As manifestações têm previsão de ocorrer simultaneamente em outras 14 cidades do País, marcadas para começar às 14h (horário de Brasília), quando os manifestantes irão protestar contra o atual governo. O evento em Manaus acontecerá somente duas semanas depois por conta da solicitação feita pelo movimento. A Prefeitura e o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detram/AM) só liberaram a data para o dia 15 de novembro.

Entre outras reivindicações, os organizadores irão pedir a saída do Partido dos Trabalhadores (PT) do comando do governo. Com o lema “Fora Dilma e leve o PT junto!”, os manifestantes também irão protestar contra os escândalos que abalaram a administração da atual presidente, como o que ocorreu na Petrobras. Além de pedir a impugnação das eleições por fraudes nas urnas eletrônicas.

No sábado (1º), capitais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Minas Gerais (MG), Goiânia (GO), Vitória (ES), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Campo Grande(MS) receberão os manifestantes nos principais pontos de encontro populares destas cidades. Outras localidades do estado paulista como Limeira, Valinhos e Jundiaí, também participarão dos protestos.

Respeito

Para o antropólogo Ademir Ramos, é importante, num momento como esse, respeitar a vontade das urnas, que representam a vontade da maioria. "Existem regras, normas, instâncias e recursos jurídicos e acho que qualquer manifestação de indignação deve ocorrer por esses meios, caso contrário, estaríamos questionando a legitimidade do poder", disse.

Para o professor, que coordena o núcleo de cultura política da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), essas manifestações carregam em si um clamor antidemocrático. "Essas atitudes em prol de 'melar' as eleições, de querer ganhar no tapetão, têm um caráter muito infanto-juvenil. Elas devem ser canalizadas para outros fins, por exemplo, por que não se aproveita esse momento para discutir a reforma política?", questionou.

Ademir enumera questões que podem e devem ser suscitadas pela população. "O Brasil precisa melhorar muito em vários aspectos. A indicação presidencial para a composição da Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União, por exemplo, é algo que deveria ser repensado", ponderou.

Por fim, ele crê que essa revolta vem de um senso de alienação social e política típica dos tempos modernos. "Isso é consequência desse ativismo de sofá, que é o desse sujeito que fica na internet e acha que lá ele vai mudar o mundo", conclui.

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