Domingo, 17 de Novembro de 2019
SAÚDE

Campanha Julho verde conscientiza sobre câncer de bexiga

Especialista explica principais causas da doença, sintomas e formas de prevenção para combater câncer que tem crescido número de casos



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22/07/2019 às 19:08

Nas últimas décadas o número de incidências de tumores na bexiga tem aumentado consideravelmente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa em 2018 foi de 9.480 novos casos, sendo 6.690 em homens e 2.790 em mulheres.  O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e o nono tipo mais incidente, em nível mundial.

De acordo com o oncologista do Hapvida, Fábio Medeiros, esse câncer é um tipo que começa nas células que revestem a bexiga e é classificado de acordo com a célula que sofreu alteração. “Quando o câncer se limita ao tecido de revestimento da bexiga, é chamado de superficial. O câncer que começa nas células de transição pode se disseminar através do revestimento da bexiga, invadir a parede muscular e disseminar-se até os órgãos próximos ou gânglios linfáticos, transformando-se num câncer invasivo”, explica o médico.



Internamente, a bexiga se assemelha ao interior da cavidade bucal, sendo revestida por uma fina película, ou mucosa, denominada urotélio.  Este mesmo urotélio reveste também o interior dos ureteres, da pélvis e dos cálices renais, que transportam a urina produzida nos rins até a bexiga.

Causas

O médico destaca que algumas causas são principais para desenvolver o câncer de bexiga, entre elas está a idade e raça, onde homens brancos e de idade avançada fazem parte do grupo com maior probabilidade de desenvolver esse tipo de câncer; bem como o tabagismo está associado à doença em 50 a 70% dos casos.

“Outros fatores também podem contribuir, como exposição a diversos compostos químicos, como corantes para tinturas de cabelos, poeira de metais e agrotóxico. Mais de 90% dos tumores malignos da bexiga se originam no urotélio, sendo que a maior parte deles fica confinado à mucosa e submucosa (tumores superficiais), não havendo o comprometimento da musculatura (tumores infiltrativos)”, destaca Fábio Medeiros.

Sintomas

O especialista explica que dentre os principais sintomas, os mais frequentes são sangue na urina, dor durante o ato de urinar e necessidade frequente de urinar, mas sem conseguir fazê-lo, podem ser sinais de alerta de diferentes doenças do aparelho urinário, inclusive do câncer de bexiga.

Outros sintomas associados ao câncer de bexiga são as micções muito frequentes e as dores ao urinar (disúria). Novamente, estes sintomas também são inespecíficos e apenas sugerem a possibilidade de tumor vesical.

“O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser feito por exames de urina e de imagem, como tomografia computadorizada e citoscopia (investigação interna da bexiga por um instrumento dotado de câmera). Durante a cistoscopia podem ser retiradas células para biópsia”, esclarece o oncologista.

Prevenção

O médico recomenda algumas medidas para se prevenir dessa enfermidade que tem sido responsável por 3.905 casos de óbitos, sendo 2.663 homens e 1.240 mulheres, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer de 2015.

Ele ressalta a importância de não se expor aos derivados do petróleo, como por exemplo tintas, não fumar e evitar o tabagismo passivo. “O tabagismo passivo consiste na inalação da fumaça de produtos derivados do tabaco por não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados. A Lei 12.546/2011 proíbe fumar em locais fechados e de uso coletivo em todo o País”, detalha Fábio Medeiros.

Tratamento

O oncologista explica que as opções de tratamento dependem do grau de evolução da doença. A cirurgia pode ser de três tipos:

Ressecção transuretral: quando o médico remove o tumor por via uretral;

Cistotectomia parcial: retirada de uma parte da bexiga;

Cistotectomia radical: remoção completa da bexiga, com a posterior construção de um novo órgão para armazenar a urina.

“Após a remoção total do tumor, o médico pode administrar a vacina BCG dentro da bexiga para tentar evitar a recorrência da doença. Outra alternativa é a radioterapia, que pode ser adotada nos tumores mais agressivos como técnica para tentar preservar a bexiga”, afirma Fábio Medeiros.

O médico garante ainda que a quimioterapia também pode ser sistêmica, que consiste em ser ingerida na forma de medicamentos ou injetada na veia; ou intravesical, na qual é aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido pela uretra.

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