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Cotidiano
Troca

Mãe que teve bebê trocada em maternidade de Manaus faz campanha para achar filha

Mulher teve a bebê trocada na maternidade após o parto e disse que vai estender buscas ao interior do Estado. Auxiliar de enfermagem quer reunir mães que passam pela mesma situação 18/01/2017 às 05:00
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À esquerda, a auxiliar de enfermagem Sandra, que criou Katyenne (à dir.) como filha, sem saber que ela havia sido trocada (Reprodução/Arquivo pessoal)
Silane Souza Manaus (AM)

A auxiliar de enfermagem Sandra Lúcia Vieira Naranjo, 56, que teve a filha trocada ao nascer na maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa, em 1983, pretende fazer, em breve, uma grande campanha para encontrá-la. Uma das ações será fixar cartazes da procura nas embarcações que viajam para o interior, para o caso de ela morar nessas regiões. Ela também quer reunir outras mães que passam pela mesma situação para fortalecer o movimento. 

Conforme Sandra, uma pessoa contou a ela sobre o caso de uma moça que foi a um programa de TV por volta de 1983/1984 pedir que destrocassem seu bebê. “Ela já tinha ido na Beneficente e eles não quiseram ajudá-la. A moça que conheci pensou que fosse eu que tivesse ido ao programa. Ela disse que o pessoal do programa tentou ajudá-la, mas ela desapareceu. Então estou deduzindo que ela pode morar no interior. Por isso vou colar panfletos nos barcos”, relatou. 

Sandra Lúcia começou procurar a filha biológica em 2013, quando descobriu, através de um exame de DNA que Katyenne Vieira Naranjo, 33, não era sua filha biológica. Ela contou que a desconfiança sempre existiu por causa da falta de semelhança da menina com o resto da família, mas a confirmação só veio há quase quatro anos. “Nosso desejo é de encontrarmos minha filha verdadeira e a mãe biológica da minha filha que criei. Nós nos amamos muito, mas precisamos esclarecer que fomos vítimas”, disse. 

A auxiliar de enfermagem teve a criança no dia 8 de junho de 1983, na maternidade do Hospital Beneficente Portuguesa, no Centro. Conforme ela, o nome que constava na pulseirinha do bebê que ficou com ela era o de ‘Sandra Lúcia Mara Pere’. Na ocasião, ela acreditou que tivessem colocado o nome dela errado. “Talvez esta outra mãe não saiba que nossos bebês foram trocados”, destacou. 

Sandra é administradora da página “Crianças Nascidas e Trocadas na Beneficente Portuguesa em Manaus”, onde há vários relatos de mães que passaram pela mesma situação que ela. Um dos casos é o da autônoma Maria Deusamira Venâncio Maia, 51, que deu à luz uma menina no dia 18 de abril de 1990, às 15h30. Em agosto de 2008, ela descobriu que Samantha Devellyn Maia da Silveira, 26, não era sua filha biológica. Ambas também estão procurando suas famílias verdadeiras.  

Mais uma vez a reportagem procurou o Hospital Beneficente Portuguesa, mas não conseguiu retorno.

Nenhum caso no DPE

Não há caso recente atendido pela A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) sobre esse assunto. De acordo com a defensora pública Caroline Braz, em casos como esse o assistido é encaminhado ao Núcleo Psicossocial. Ação cível só cabe se o assistido se sentir lesado e quiser entrar com pedido de indenização contra o hospital. A DPE pode ser procurada por essas mães.

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