Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
Doação de órgãos

Campanha quer conscientizar sobre doação de órgãos

No Amazonas, o número de pessoas na fila de espera por um transplante já conta com mais de mil



1.jpg Transplante de coração já foi realizado com sucesso e Amazonas prepara equipes para novos procedimentos na área
23/09/2013 às 07:30

Na semana em que se comemora o “Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos” mais de mil pessoas do Amazonas esperam ansiosamente na fila por um transplante de rim, córnea, fígado e coração, segundo estimativas da Superintendência Estadual de Saúde (Susam). Espera pela qual passou o auxiliar administrativo Ebenezer Rodrigues Sales Junior, 41, que venceu um policisto renal e as dolorosas sessões de hemodiálise depois de receber um transplante de rim, em 2010.

Para diminuir essa difícil espera, o desafio do Estado é conscientizar a população sobre o ato voluntário de se declarar doador de órgãos e vencer a resistência das famílias que se recusam a autorizar o procedimento.



O trabalho consiste em promover campanhas educativas, a exemplo da programação especial que acontecerá durante toda a semana em Manaus com a finalidade de reforçar as informações sobre o processo de doação de órgãos em escolas da rede pública, shoppings centers e unidades de emergência médica da capital.

O investimento do Estado em exames médicos como o ecodopler intracraniano e encefalograma também ajudaram a identificar os casos de morte encefálica, onde é possível realizar a doação de órgãos. “Antes não tínhamos aparelhos nem gente treinado. Hoje os médicos que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são treinados para identificar isso”, informou a coordenadora Estadual de Transplante do Amazonas, médica Leny Passos.

Dados

Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada 10 pessoas abordadas, quatro se negam a doar os órgãos de seus familiares. Atualmente, cerca de 30 mil pessoas no Brasil aguardam na fila de espera por um transplante que pode salvar uma vida.

A maior lista de espera é por um rim – 20 mil pessoas. Em segundo lugar, estão os que precisam de transplante de córnea (6 mil). Em seguida, vem fígado, com 1.300 pessoas na lista de espera, e, por último, coração e pulmão, com 200 e 170 respectivamente. “Há uma preocupação em nível nacional quanto a isso. Afinal, doar é um ato espontâneo, voluntário e altruísta. Tem que ter conhecimento, avisar a família que a partir daí vai consentir. Esses órgãos vão ser muito úteis para salvar várias pessoas”, ressaltou Leny Passos.

Mas se engana quem pensa que apenas órgãos vitais como coração, rim, pulmão e pâncreas podem ser aproveitados em um transplante. Ligamentos, vasos, válvulas, ossos e pele também são utilizados para salvar a vida de um paciente crônico, informam os médicos da área. Para isso é necessário que o doador falecido não tenha sofrido de infecções, tumores malignos, vírus HIV ou nenhum tipo de distúrbio no metabolismo. “Pode ser doador que faleceu em casos de hemorragia, aneurisma, rompimento do vaso, hipertensão, trauma intracraniano, ou seja, quando os órgãos ainda estão preservados”, explicou a médica hematologista, com 32 anos de experiência.

Cirurgias passam dos 300 casos

O Amazonas que já realiza transplantes de rim e de córnea vai receber em breve mais dois tipos de procedimentos - coração e fígado. No Estado, a realização de transplantes de rins entre doadores vivos começou em 2002 e até agosto deste ano somava 230 procedimentos. Os transplantes a partir de doador falecido tiveram início em 2011 e 67 procedimentos desse tipo já foram realizados, graças ao gesto de 39 famílias, que autorizaram a doação. 

Em relação ao transplante de córneas, o procedimento começou a ser realizado no Estado a partir de 2003, com a realização de 992 cirurgias até o último mês de agosto. 

O Governo do Amazonas está investindo pelo menos R$ 2 milhões para estender à rede estadual de saúde a oferta de mais dois tipos de transplantes de órgãos, através de uma parceria com o Ministério da Saúde (MS).  O investimento inclui treinamento de equipes multidisciplinares, ampliação das unidades médicas e aquisição de materiais. A capacitação está sendo estendida a médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, assistentes sociais, radiologistas, técnicos de laboratório e a liga de estudantes de Medicina que integra o projeto.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.