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Candidatos a doadores de medula óssea em Manaus não conseguem fazer cadastro na FHemoam

O registro na Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas não pode ser realizado por falta de kits de coleta de sangue 28/01/2016 às 08:50
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Os namorados Ruan e Ana Caroline Silveira querem ser doadores de medula óssea, mas não conseguem se cadastrar
Silane Souza Manaus (AM)

Enquanto muitos pacientes esperam por um transplante de medula óssea, doadores voluntários têm dificuldades para se inscrever no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) em Manaus. A informação que eles têm é de que a Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHemoam)  está sem os kits de coleta de sangue e, desta forma, não pode concluir o procedimento.

A estudante Ana Caroline Silveira da Silva, 21, foi à FHemoam  fazer o cadastro para se tornar doadora de medula óssea em setembro do ano passado. Conforme ela, os funcionários  pegaram os dados pessoais dela e disseram que iriam entrar em contato para fazer a coleta de sangue. Até o momento ninguém ligou. “Dei três números de telefone diferentes, não é possível que não me encontrasse para dar essa informação”, afirmou a estudante.

Ana Caroline  revelou que foi, no último dia 26, ao hemocentro para saber o motivo de tanta demora e quando chegou lá recebeu a notícia que não havia kits de coleta de sangue, por isso ainda não havia sido chamada para fazer o procedimento. O fato a deixou revoltada. “É um simples cadastro! Quanto mais doadores tivermos,  aumenta a probabilidade de as pessoas que estão na fila de espera por um transplante de medula encontrar um doador compatível. Enquanto isso, ninguém consegue se cadastrar para ser doador”, desabafou.

O universitário Ruan Carolino, 20, passa pela mesma situação. Conforme ele, quase cinco meses após ir ao hemocentro não recebeu nenhuma ligação informando sobre o dia da coleta de sangue. “A princípio fui bem atendido pelos servidores da FHemoam, fizeram meu cadastro e pediram para aguardar que em pouco tempo entrariam em contato a fim de que voltasse novamente para tirar uma amostra de sangue, que é feito alguns testes de compatibilidade. Só que isso já faz bastante tempo e até agora não me ligaram”, disse.

Ruan, que é namorado de Caroline, também ficou revoltado com a situação. Para ele, a demora em ter seu cadastro como doador de medula óssea efetivado é uma negligência do poder público para com o paciente que aguarda ansioso no leito de um hospital por um transplante. “Vemos várias campanhas na TV nos chamando para sermos doadores, mas quando tomamos a iniciativa de ir, vemos que é totalmente diferente do que é pregado”, frisou.

Reagentes

Ruan foi informado que a FHemoam está com reagentes insuficientes, só tem reagente para fazer cadastro dos familiares da pessoa com leucemia. Ou seja, só quem pode se cadastrar são familiares de pessoas doentes.

Procedimentos

Conforme o Ministério da Saúde, o sangue retirado do doador voluntário de medula óssea é tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. O HLA é incluído no cadastro e os resultados são confidenciais e servem apenas para fins do Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome).

Mais exames

Os dados são cruzados constantemente com os dos pacientes que precisam de transplante de medula óssea. Se o doador for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários.

Orçamento remanejado pela Susam

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que está readequando o orçamento da pasta, para disponibilizar recursos da ordem de R$ 2,5 milhões, necessários para aquisição dos kits importados, para a realização dos exames de compatibilidade neste ano.

O órgão ressaltou, a título de esclarecimento, que o Amazonas não possui serviço de transplante de medula. Os pacientes do Estado que necessitam deste tipo de procedimento estão inscritos em cadastro nacional do Ministério da Saúde. Da mesma forma, os candidatos a doadores do estado são inscritos no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), que tem hoje aproximadamente 3 milhões de pessoas registradas, para atender a demanda do País.

A secretaria informou ainda que não há uma relação direta entre o número de pessoas que precisa do transplante no Estado e o número de doadores locais, uma vez que o que norteia essa relação é a compatibilidade genética da medula do doador com o possível receptor. A chance de compatibilidade entre doador e receptor é de 1 para 200 mil.

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