Domingo, 29 de Novembro de 2020
Saúde

Candidatos à Prefeitura de Manaus falam quais suas propostas para a saúde no município

Todos os candidatos reconhecem que o setor precisa de uma atenção especial nos próximos anos



show_Capturarfsdfsdf_4119CAE6-B15E-4BC5-A43E-F07E9CBA7886.jpg Foto: Arquivo A CRÍTICA
11/10/2020 às 09:09

A gestão da fila para consulta com especialista e exames, a qualidade do serviço prestado na rede pública e preparar o sistema para vacinar a população contra a Covid-19 são alguns dos desafios do próximo prefeito de Manaus na área da saúde. A pandemia do novo coronavírus expôs as deficiências do sistema, impactou os atendimentos eletivos, forçou o município, mesmo que temporariamente, a ampliar o número de leitos clínicos.

Segundo nota técnica do Ministério da Saúde (MS), 77% da população de Manaus, de 2,2 milhões de habitantes, depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para acesso à saúde. A prefeitura de Manaus assegura Atenção Básica em Saúde para 63,6% da população, o equivalente a 1,3 milhões de pessoas, ficando atrás de todos os municípios da região metropolitana e abaixo da média de cobertura na região Norte de 73,4%, segundo dados de junho do MS.



A cobertura da Estratégia da Saúde da Família (ESF) é de 42,9%, corresponde a 938,4 mil manauaras atendidos. O Programa Saúde da Família ajuda a desafogar as salas de emergência, direcionando o atendimento de urgência a quem realmente precisa. Apesar da capital possuir teto para contratação de mil equipes de ESF, somente 22 estão efetivadas e atendem 36,9% da população. Em relação aos agentes comunitários de saúde, a rede local dispõe de apenas 21,7% do teto, de 5,2 mil, o que representa  1,1 mil profissionais, que são remunerados pelo MS.

“A rede de saúde do município é frágil. Se a estratégia de saúde da família e unidades básicas de saúde funcionassem efetivamente, estaríamos segurando esse grande número de mortes pela Covid-19 com equipe de saúde com médicos, enfermeiros e agentes trabalhando nas casas e não dentro de prédios”, declarou o médico e professor aposentado Menabarreto Segadilha.

O município dispõe de 215 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família, seis policlínicas, dois laboratórios, três Centros de Atenção Psicossocial, uma maternidade (Moura Tapajós) e um Centro de Controle de Zoonoses. Apenas 41 unidades de saúde contam com espaço de farmácia. Segundo a prefeitura, 3,5 mil usuários cadastrados recebem medicação em casa. Duas UBS Fluvial atendem os usuários que residem nas comunidades ribeirinhas situadas nas calhas dos rios Negro e Amazonas.

Menabarreto afirmou que em quatro anos, período do mandato, o governante tem condições de fortalecer as UBS e expandir a cobertura de atenção primária. Segundo o médico, o caminho inicia com a efetivação do plano municipal de saúde vigente. “Pegar o que está estabelecido e fazer funcionar. Cumprir o que está no plano e trabalhar junto com o conselho municipal de saúde. Não é preciso construir nada, apenas fazer a reposição do quadro. Criar hospital municipal é estupidez. Isso é competência do Estado. A responsabilidade do município é pronto-socorro”.

 

De acordo com o médico, 80% dos manauaras têm que ser atendidos na atenção primária. “Como não funciona vai tudo para o João Lúcio, 28 de Agosto e Platão. Se funcionasse, 80% da população seria retida e somente de 10% e 20% passariam para os níveis secundários e terciários. É preciso aumentar, por zona, o número de UBS e de estratégia da família, fazer concurso público para repor profissionais e trabalhar a saúde preventiva. Cumprir a Lei Orgânica do Município, as leis da saúde e também o que está estabelecido no plano de reestruturação saúde do Estado”, disse.

Com cinco Centros de Especialidades Odontológicas, a cobertura de saúde bucal é de 35,9%, conforme nota técnica do MS. Se considerada somente a ESF, tem-se uma cobertura de 15,6%. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) conta com 54 unidades de suporte básico, sete de suporte avançado e duas fluviais.

Os desafios do próximo prefeito incluem ainda ampliar a cobertura vacinal e a assistência farmacêutica, implementar a telemedicina e o Serviço de Verificação de Óbitos na capital e também realizar o concurso da secretaria municipal de saúde, suspenso por conta da pandemia.

Propostas dos candidatos

Alfredo Nascimento (PL) prometeu alcançar 100% de cobertura de atenção básica da população da capital. Ele pretende retomar o projeto as “Casinhas de Saúde” com atendimento domiciliar, vacinação, nebulização, curativos, além de exames na própria unidade. As propostas incluem a massificação da prevenção intensificando as campanhas de vacinação, a assistência à mulher, à criança e ao idoso, além da criação de um serviço para atendimento ambulatorial e de urgência e emergência para cães e gatos.

Amazonino Mendes (Podemos) comprometeu-se em ampliar e reestruturar a rede de atenção primária com equipamentos e reforço de pessoal. Em seu plano de governo está prevista a oferta de novos laboratórios para exame, reativar serviços itinerantes como as Carretas da Saúde, ampliar o Programa Leite do Meu Filho e implantar o Programa Consultório de Rua.

“O trabalho na atenção básica tem foco especial na saúde preventiva. É a porta de entrada para a identificação e tratamento das doenças antes que se agravem, evitando o congestionamento nos hospitais do estado. Dentro desse contexto, vamos também criar mecanismos na rede pública para redução dos índices das doenças negligenciadas, como tuberculose, malária, dengue, zika, hepatite e outras”, disse.

Marcelo Amil (PCdoB) planeja triplicar o número de equipes da Estratégia de Saúde da Família. “Permitirá atender a toda a população e ainda economizará dinheiro, visto que não chegaremos a usar o teto do recurso do governo federal”, disse.

Ricardo Nicolau (PSD) propõe ampliar a cobertura do atendimento odontológico para 85% e a criação de um Pronto-Socorro Odontológico 24 horas em cada zona da cidade. As promessas do candidato incluem a construção de uma nova maternidade para partos de alto risco, com 150 leitos, e aumentar a capacidade da Moura Tapajós.

“Será criado, em cada zona da cidade, um Centro de Atenção Integral à Saúde. Também está no planejamento criar o Centro de Reabilitação Física e para Sequelas pós Covid-19. Iremos implementar o Projeto Saúde da Mulher, Check-up da Família, Saúde sem Fronteiras, Saúde Escolar. Rever e atualizar o Plano Municipal de Saúde. Vamos criar um aplicativo de busca rápida dos medicamentos disponíveis gratuitamente nas unidades e outro aplicativo de agendamento de consultas online”.

Coronel Menezes (Patriota) propõe reformas e equipamentos para UBS, além de um sistema informatizado para integrar todos os serviços e unidades de saúde do município. Ele defende a implantação dos programas Remédio em Casa, Saúde do Homem e também ampliação do Saúde da Mulher e do Médico da Família. “Vamos valorizar todos os profissionais da saúde. Estudos para criação da carreira de médicos e enfermeiros. Vamos melhorar a qualidade do atendimento e o planejamento de médio e longo prazo da municipalização da saúde”, frisou.

Chico Preto (DC) defende a disponibilização de vouchers para contratação na iniciativa privada de serviços que a prefeitura não oferta e a digitalização de resultados de exames. “Consideramos importante dialogar com o Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde para ampliar a atual rede municipal, na construção de mais casinhas e unidades básicas de saúde”, explicou.

O candidato Gilberto Vasconcelos (PSTU) comprometeu-se em construir mais UBSs e realizar concursos. “É preciso ter uma gestão democrática nas UBS com eleições de diretores e, ao mesmo tempo, participação da comunidade por meio de Conselhos Populares específicos da saúde. É preciso travar uma dura batalha contra o processo de privatização em curso e isso passa por tornar a prefeitura um ponto de apoio à luta por um SUS 100% estatal”, disse.

José Ricardo (PT) propõe a construção do Centros de Referências de Atenção à Saúde da Mulher e do Homem Pré-Idoso (45 a 59 anos de idade), a vacinação em massa contra o HPV, principalmente, nas escolas, criação do Laboratório de Próteses Dentárias e a implementação de teleconsultas, via telefone e internet.

David Almeida, candidato a prefeito de Manaus pelo Avante, também explicou seus planos para a saúde do município, caso seja eleito prefeito de Manaus. “Para  se  obter  resultados  efetivos  na  saúde,  com  custos  aceitáveis,  é  essencial  investir  no fortalecimento  da saúde preventiva.  As  estratégias de  saúde da família (ESF),  atenção  básica  (AB) e  móvel  de  emergência, por exemplo,  são  excelentes  programas  de  prevenção  à  saúde. Previne Manaus  tem  como  objetivo  estruturar  e  fortalecer  todos  esses  programas,  ampliando o  número  de  pessoas  atendidas  e  melhorando  os  indicadores  de  morbimortalidade  de  Manaus”.

O candidato assegurou que pretende ampliar  a  cobertura  da  AB  para  no  mínimo  75%  e  a  cobertura  ESF  para  65%,  que  são  as  médias da  Região  Norte.  “Vamos  aumentar  para  mais de  mil  as  equipes  de  saúde da  família  e  de agentes  comunitários  de  saúde. Também  será  necessário  modernizar  o  atendimento.  Introduzir  novas  tecnologias  para diagnósticos  precoces  e  rápidos  à  população,  ainda  que  em  lugares  considerados  remotos,  com equipamentos  portáteis  de  baixo  custo. No  Samu, vamos  renovar  e  ampliar  a  frota  de  ambulâncias,  incluindo  UTIs  móveis, transporte de recém nascidos e equipamentos de monitoração  não-invasiva. Nosso desafio é  estruturar  a atenção  básica  e  qualificar  o  atendimento  sobretudo às famílias carentes nos seus três eixos principais: política de governança da atenção básica à saúde, capacitação e valorização dos  profissionais da saúde; e investir em infraestrutura e equipamentos para as  unidades de saúde”

Em seu plano de governo Romero Reis (Novo) promete ampliar a cobertura de atenção primária com atendimento humanizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Ele defende a implantação “Manaus Cidade Digital” nos primeiros dois anos de gestão que disponibilizará marcações pela internet de atendimentos médicos e do o prontuário Digital que consiste em unificar os dados de pacientes em todas as unidades do município.

“Com a implantação do programa o controle do sistema de vacinação deverá ser todo informatizado para facilitar a participação nos diversos programas sociais do município, ampliando a integração entre as escolas, creches, ações de assistência social e o atendimento de saúde. Iremos fortalecer as campanhas preventivas de doenças que mais assolam Manaus, Realizar a prevenção e acompanhamento de Diabéticos e Hipertensos, ampliando a identificação e o tratamento do pé diabético”.

Alberto Neto, deputado federal candidato a prefeito de Manaus pelo Republicanos, afirma que a pandemia “deixou evidente a deficiência da Saúde em Manaus”. “Será um setor prioritário na nossa gestão. Hoje, a cidade de Manaus é capital que menos recebe recursos para investir em saúde e se dá por diversos motivos, entre eles, a quantidade de agentes comunitários e um cadastro defasado da população junto ao Ministério da Saúde. Iremos solucionar com a contratação de três mil profissionais que serão treinados e equipados com tablete para ir de casa em casa a fim de realizar o cadastro”.

De acordo com o candidato, com a vinda de mais recursos para Manaus, os investimentos serão utilizados na modernização da gestão da saúde pública e da atenção básica através de um aplicativo será possível marcar consultas sem precisar madrugar na fila.

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