Sábado, 24 de Agosto de 2019
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Canoeiros e passageiros se expõem ao risco ao não usar coletes em embarcações

A CRÍTICA flagrou, quarta-feira pela manhã, várias embarcações fazendo a travessia do rio Negro com passageiros sem o equipamento de segurança



1.gif Segundo a SNPH, em média 2 mil pessoas atravessam diariamente o rio
10/10/2014 às 09:55

Passageiros que usam as embarcações de pequeno porte para uma travessia mais rápida do rio Negro no Porto da Ceasa, Zona Leste, abrem mão da segurança e arriscam a vida diariamente por resistência e falta de hábito para usar o colete salva vidas.

De acordo com estimava da Sociedade, Portos e Hidrovias da Amazônia (SNPH), uma média de 2.100 pessoas faz a travessia todos os dias, sendo que 1.500 por meio das pequenas embarcações da associação de canoeiros e 600 pelas balsas operadas pelo órgão. Essa é a média de movimentação até quinta-feira. A partir de sexta-feira e no final de semana a tendência é aumentar o número de passageiros. E em finais de semana prolongados por feriados o número de passageiros chega até 15 mil.

Tal qual os motoristas do asfalto, que só colocam o cinto de segurança quando veem um agente de trânsito nas vias da cidade, na travessia fluvial, o colete só vira equipamento obrigatório quando uma lancha da Marinha passa por perto das catraias (barco de pequeno porte).

A CRÍTICA flagrou, quarta-feira pela manhã, várias embarcações fazendo a travessia com passageiros sem o equipamento de segurança. Um delas levava turistas para conhecer o Encontro das Águas. Todos estavam sem o colete salva-vidas, incluindo o piloto da lancha.

A desobediência às regras de trafegabilidade não é exclusiva de turistas, as catraias que atravessavam passageiros da região também levavam, crianças, idosos, mulheres e homens sem o uso do colete salva-vidas.

Na tarde da quarta-feira, A CRÍTICA esteve novamente no local. No mesmo horário, uma lancha da Marinha estava presente no porto da Ceasa. As embarcações que saíam do local na hora estavam com todos os passageiros dentro das regras de tráfego marítimo: devidamente vestidos com colete salva-vidas.

Um piloto de embarcação, que pediu para não ser identificado, afirmou que quando a Marinha está ausente é mais difícil de convencer os usuários a colocar coletes salva-vidas. Eles resistem e não cedem aos apelos dos comandantes e auxiliares, segundo o piloto. Ele afirmou que já foi multado pela Marinha por causa de passageiros que estavam sem colete.

O auxiliar de convés Patrício Pena, 31, afirmou que a embarcação que ele trabalha só sai da margem após todos os passageiros colocarem os coletes salva-vidas. “Temos quantidade suficiente para todos, extintor de incêndio e somos regularizados para esse trabalho. A Marinha fiscaliza e temos que estar com tudo certo, senão podemos ser multados”.

Ele, no entanto, admite que muitos usuários resistem a usar o colete. “Alegam que é calor, que não gostam, que não precisam porque o tempo está bom. Mas insistimos que apesar disso é uma obrigação e podemos ser multados”, explicou.

Simples desobediência

“Eu só uso colete quando a Marinha está por perto”. A declaração é da comerciante Ivana Rocha Souza, 54, que mora no Careiro Castanho e faz a travessia de canoa no rio Negro quatro vezes por semana.

Ela afirmou que foi esclarecida que mesmo as pessoas que sabem nadar devem usar o colete. Ivana afirma que o colete esquenta muito e incomoda “Não gosto, não tenho costume. Sei que o certo é colocar. Mas só uso quando a Marinha está aqui”, afirmou.

O pedagogo Raimundo Martins, 35, disse que usa com frequência a travessia do rio Negro com lanchas, mas nem toda vez está de colete “Uso toda vez que está chovendo, que vejo que o rio está mais complicado. Mas muita gente não tem o costume”, declarou.

O servente Alex Costa Nascimento, 23, se preparava na quarta-feira para entrar numa das lanchas. Mas disse que também só usava o colete quando a Marinha estava por perto e exigia. Ele disse que não via risco nenhum na travessia e, por isso, não considerava que o colete era necessário. “Acho que não é arriscado. A travessia é tranquila”, disse o servente.

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