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Cotidiano
Estudo

Capacete de hipotermia pode salvar recém-nascidos com asfixia cerebral após parto

O capacete flexível pode manter o cérebro com déficit de oxigenação resfriado, minimizando o desenvolvimento e gravidade de lesões neurológicas 26/09/2016 às 21:34 - Atualizado em 27/09/2016 às 09:12
Show capacete de hipotermia grande
A previsão é que o dispositivo de hipotermia focal cerebral neonatal esteja pronto em dois anos (Divulgação)
Flávia Villela (Agência Brasil) Rio de Janeiro (RJ)

Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Fundação Oswaldo Cruz (CDTS-Fiocruz) e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ) estão desenvolvendo um capacete para salvar vidas de recém-nascidos que sofreram asfixia cerebral após o parto.

De acordo com o neurocientista e neurofisiologista Renato Rozental, responsável pelo estudo, o capacete flexível pode manter o cérebro com déficit de oxigenação resfriado, minimizando o desenvolvimento e gravidade de lesões neurológicas. “O tratamento desta emergência médica, portanto, constitui uma corrida contra o tempo”, explicou o médico.

A previsão é que o dispositivo de hipotermia focal cerebral neonatal esteja pronto em dois anos. A asfixia perinatal é a primeira causa de mortalidade de recém-nascidos no mundo. Por ano, em torno de quatro milhões de recém-natos apresentam asfixia. Desse total, um milhão morre e dois milhões ficam com sequelas graves.

A asfixia perinatal pode ser causada por compressão do cordão umbilical, deslocamento de placenta, retardo do crescimento intrauterino, entre outros motivos. Com a oxigenação do cérebro comprometida, o recém-nascido pode morrer ou ter problemas neurológicos. A asfixia ocorre com mais frequência em regiões com rede de saúde precária, quando partos são realizados de forma inadequada.

O capacete provoca a hipotermia controlada apenas do cérebro para interromper o avanço de lesões do tecido nervoso que podem matar ou mesmo deixar sequelas para o resto da vida.

Uso fora do hospital

Além dos problemas de oxigenação, o capacete poderá ajudar bebês com lesões provocadas por traumatismo cranianoencefálico (TCE). “Quando a pessoa está na rua e sofre isquemia ou traumatismo craniano, por exemplo, a tendência é que aumente a temperatura em áreas do cérebro, causando danos sérios e até irreversíveis. A touca permite reverter esse quadro, ainda na rua, minimizando os problemas”, ressaltou Rozental. O capacete é capaz de manter o resfriamento do cérebro por até 4 horas.

De acordo com o pesquisador, o resfriamento do cérebro é um tratamento consagrado nos meios hospitalares no mundo inteiro. “O dispositivo é que está sendo reconhecido internacionalmente por ser um produto inovador, acessível em qualquer ambiente, tanto fora como dentro do hospital”.

A pesquisa recebeu recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e foi apresentada em um fórum da Organização das Nações Unidas, em junho, como uma das propostas da Fiocruz para reduzir a mortalidade neonatal mundial, principalmente em países em desenvolvimento.

Rozental, que também é professor do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, recebeu este ano o prêmio Saving Lives at Birth, consórcio que reúne seis entidades, entre elas a Fundação Bill & Melinda Gates, com o objetivo de dar apoio a recém-nascidos e às mães durante o trabalho de parto, principalmente em regiões sem assistência médico-hospitalar adequada. Selecionado entre 50 finalistas, entre 750 candidatos de 78 países, o médico brasileiro foi o vencedor na categoria People’s Choice Award, projeto mais votado pelo público.

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