Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
EM COARI

Carga de avião que caiu em mata no AM provoca onda de ‘terror’ em comunidades ribeirinhas

Moradores estão sendo ameaçados por traficantes desde que resgataram o piloto; polícia diz não ter dúvidas que carregamento era ilícito e quer saber se era de ouro ou drogas



WhatsApp_Image_2019-06-05_at_14.45.34__3__0F5AA2EC-9529-4CA8-BB97-27F801330171.jpeg Avião de pequeno porte caiu a cerca de 20 metros de altura de uma área de igapó do Lago do Davi, na Zona Rural do município. Foto: divulgação
06/06/2019 às 09:24

Ribeirinhos das comunidades rurais que ficam nas proximidades de onde caiu um avião, no Lago do Davi, em Coari (a 363 quilômetros de Manaus), estão vivendo momentos de terror desde o dia do acidente, ocorrido em 19 de abril. Muitos já foram ameaçados e até feitos de refém por supostos narcotraficantes que buscavam "drogas" que estariam sendo transportadas na aeronave. 

A Polícia Civil instaurou inquérito para descobrir se a carga da aeronave, que caiu em cima da copa de uma árvore a 20 metros de altura nas matas de igapó do lago, era ouro ou drogas, segundo o delegado titular do município, José Afonso Barradas.

Após os relatos dos ribeirinhos, a polícia diz não ter dúvidas de que a carga da aeronave modelo SEAMAX M22, de prefixo PU–FDN e de cor azul e branca, tratava-se de algo ilícito.

Conforme o delegado, agora a polícia quer saber de onde o avião partiu, o seu destino, assim como a carga que transportava, porque o piloto, que foi resgatado com vida, não procurou a polícia para relatar os fatos.  “Os trabalhos já foram iniciados, mas as investigações estão sob sigilo de justiça”, disse Barradas.

No decorrer das investigações, já foi identificado o dono do avião. A aeronave está registrada em nome de Sérgio Correa Lima, natural do Maranhão. Os investigadores agora estão checando as informações sobre o piloto, cujo nome não foi divulgado.  

Quanto à carga, de acordo com o delegado, se saiu da área do rio Japurá, é provável que seja de ouro extraído de garimpos clandestinos, que existem em grande quantidade naquela região. Mas, a polícia não descarta a possibilidade de o carregamento ser mesmo de drogas.

Segundo denúncias feitas por ribeirinhos da comunidade onde ocorreu a queda, eles foram procurados por traficantes e chegaram a ser ameaçados por eles. 

A queda do avião aconteceu no mês de abril, mas a polícia só ficou sabendo neste mês. Conforme registro feito pela Policia Militar, na segunda-feira (3), policiais militares do 5° Batalhão da Polícia Militar em Coari localizaram a aeronave.

Os policiais que estiveram no local disseram que trata-se de uma aeronave anfíbia de pequeno porte, com capacidade para transportar dois passageiros, 600 kg de peso no total e autonomia de vôo em torno de cinco horas ou distâncias 950 quilômetros a uma velocidade de cruzeiro de 190 km/hora. 

Resgate do piloto e ameaças

De acordo com comandante da Polícia Militar no município, tenente-coronel Pedro Moreira, os policiais militares foram até o local averiguar denúnciad de moradores das comunidades do rio Codajás Mirim de que uma aeronave havia caído por lá na manhã do dia 19 de abril e que o piloto, após passar dois dias feridos, foi resgatado por moradores que o conduziram até o terminal da Petrobras e de lá para o Hospital de Coari.

Ocorre, porém, segundo o oficial, que os dois moradores que resgataram o piloto teriam se apossado de 68 kg de drogas que estavam em pequenas bolsas dentro da aeronave e, a partir daí, a paz dos moradores teria desaparecido, uma vez que supostos donos da droga e piratas de rio comandados por um traficante identificado como "Romarinho" estariam em busca do ilícito

No dia do ocorrido, moradores do local teriam ouvido o piloto dizer que, antes deste saltar de cima do avião, teria retirado a carga e amarrado com cipós. Os ribeirinhos contaram ainda que o piloto que ficou ferido e com fraturas na clavícula e nas pernas após se chocar nas árvores  e cair em parte rasa de água na mata de igapó. Durante dois dias, ele rastejou e nadou em mata fechada até chegar às margens do Lago do Davi, onde pediu ajuda a moradores locais.

Após piloto vir para Manaus, amigos do piloto, conforme ribeirinhos, retornaram ao Lago do Davi, onde fizeram "amizade" com comunitários e pegaram dados deles e de suas famílias, o que mais tarde acabou virando uma dor de cabeça aos moradores e seus familiares devido às ameaças.

Conforme informações a polícia, por volta das 21h do dia 29 de maio, moradores de uma das comunidades do rio Codajás Mirim foram feitos reféns por um grupo de homens encapuzados comandados pelo "pirata de rio" Romarinho. Na comunidade agrediram familiares dos dois ribeirinhos que tinham resgatado o piloto e supostamente furtado a carga de drogas, e os levaram como reféns para que eles contassem onde haviam escondido a droga.

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