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Cotidiano
ENSINO

Carro-chefe da EAD, pós-graduação à distância tem poucas ofertas de mestrado

País registrava apenas 25 cursos de mestrado em 2016; nos EUA, o número passa de 300 30/01/2018 às 15:03
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Se a pós-graduação à distância é o carro-chefe desta modalidade de ensino no Brasil, com mais de mil cursos latu sensu oferecidos pelas instituições, ainda é muito difícil encontrar mestrados e doutorados EAD no país. Em 2016, segundo a Associação Brasileira de Ensino a Distância (ABED), eram 25 cursos strictu sensu disponíveis. No anterior existiam apenas sete.

Pioneiro no modelo de educação a distância, os Estados Unidos reúnem hoje cerca de 355 cursos de mestrado a distância, segundo dados do instituto Online Studies. Os cursos variam entre as áreas de saúde, economia, marketing, tecnologia e turismo, e são oferecidos desde universidades até instituições que passaram a se especializar nesse tipo de ensino pelo país.

Para o diretor de relações internacionais da Abed, Stavros Panagiotis, o problema dos mestrados a distância no Brasil envolve a falta de reconhecimento dos cursos pelo Ministério da Educação (MEC) e a qualidade duvidosa de algumas escolas. “Não houve um filtro das próprias instituições, que, ao invés de pensar em ampliar o acesso à educação no contexto da democratização do ensino no país, preferiram criar fábricas de diplomas”, opina.

A permissão para instituições oferecerem mestrado no país é de dezembro de 2005, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto escrito em consonância com o projeto de Fernando Haddad, à época na chefia do MEC. Até então, o Estado proibia que mestrados stricto sensu nesse formato fossem oferecidos.

A permissão, porém, fez crescer uma modalidade paralela desse tipo de curso: o mestrado profissional. Hoje, segundo a ABED, são 115 ofertas desse tipo oferecidas no Brasil, a maioria delas no Sudeste e voltadas para a área pedagógica. “Os cursos em história, sociologia, pedagogia e que servem também para a reciclagem dos professores são muito bons. Com as regulamentações do MEC e a abertura para novos modelos, eles estão crescendo e melhorando”, explica Stavros.

A pressa

Uma das explicações para a dissonância entre os cursos latu e strictu sensu é o perfil dos alunos de pós-graduação no Brasil: a maioria deles são recém-graduados que, diante de um mercado de trabalho mais exigente, vão em busca de formações complementares para competir de igual para igual.

“Os cursos de especialização têm uma variedade muito maior do que as licenciaturas ou os cursos para tecnólogos. Atraem um público mais específico e menor”, explica Benhur Etelberto Gaio, reitor da Uninter e relator do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Os dados do ABED ainda indicam que a maioria das pessoas que buscam pós-graduação estão na área de ciências humanas. Hoje, a maioria dos cursos lato sensu a distância estão nelas inseridos: 250. Em seguida, são cursos de ciências sociais aplicadas (218), ciências exatas e da Terra (117) e Turismo e Lazer (97). São 61 mil alunos cursando alguma pós em ciências humanas, outros 58 mil em ciências sociais aplicadas e 16 mil em ciências da Terra.

“A maior concentração de alunos está nos cursos que oferecem oportunidades de ingresso em novas profissões que exigem formação: os cursos tecnológicos, de licenciatura e iniciação profissional são aqueles com mais alunos em cursos a distância no Brasil”, finaliza Gaio.

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