Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
direitos e deveres

Cartilha do Judiciário é lançada, de forma inédita, para alunos da Zona Leste

Iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com a Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon), levou publicação para estudantes da Escola Municipal Themístocles Gadelha, no Jorge Teixeira



cartilha1.JPG A magistrada Nartir Weber (ao centro), no lançamento da Cartilha do Judiciário na Escola Themístocles Gadelha (Fotos: Márcio Silva)
05/07/2016 às 20:48

Com olhos atentos e curiosos, os estudantes da Escola Municipal Temístocles Pinheiro Gadelha, no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, viveram ontem uma manhã diferente. Eles foram contemplados com o lançamento da “Cartilha Cidadania e Justiça na Escola”, publicação com 68 páginas e que é iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em parceria com a Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon).

Direcionada para crianças e adolescentes, com linguagem simples e ilustrações do cartunista Marcos Vaz, ela vem em formato de gibi, abordando vários temas que envolvem o Judiciário, como bullying, lei Maria da Penha, relações homoafetivas, alienação parental e guarda compartilhada. 

Visando desmistificar o “juridiquês”, em sua 7ª edição em dez anos a cartilha traz novidades como a personagem deusa Têmis, que também vai interagir com temas que remetem diretamente ao nosso dia a dia. Outro personagem presente à cerimônia de ontem, este símbolo da cartilha, foi o “Brasileirinho” que, como o próprio nome já diz, faz uma alusão ao estudante brasileiro. 

O lançamento teve a presença da vice-presidente de Integração da AMB, Nartir Weber, do presidente da Amazon, Cássio André Borges dos Santos, do recém-empossado presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), Flávio Humberto Pascarelli Lopes, e de representantes de órgãos ligados à infância e adolescência.

Distanciamento

A juíza Nartir Weber informou que a iniciativa de lançar a cartilha em Manaus visou diminuir o distanciamento para a Região Norte e a própria Associação dos Magistrados Brasileiros. “A iniciativa de vir lançar a cartilha em Manaus foi minha visando conhecer os problemas e tentar ajudar. Nestes mais de 10 anos nós só temos avançado nos temas, introduzindo, ao longo do tempo, aspectos como a lei dos juizados especiais, do bullyng, da palmada, alienação parental, violência doméstica, ou seja, coisas do dia a dia”, explicou.

De acordo com o presidente da Associação dos Magistrados do Amazonas, a criação da cartilha mostra um olhar mais inclusivo da sociedade com temas atuais que devem ser combatidos. “Temos que começar a desmontar a própria cultura do estupro comos nos episódios que ocorreram no Rio de Janeiro e no Piauí. Temos um papel como magistrados na sociedade, e não podemos restringir nossa atividade aos processos, por isso as associações vêm para a sociedade, e vêm com as crianças, como aqui na Escola Temistócles Gadelha”, expressou Cássio André.

Ele destaca que, dos assuntos tratados na cartilha, o mais preocupante  é, realmente, o bullyng. “Ele é praticado nas escolas e as pessoas sofrem com isso meio que estimuladas a sofrer e não reagir. Reagir ‘seria feio’. O bullyng traz homofobia, machismo, subjugação da mulher, a ideia de alienação... ele é muito presente nas crianças, mas encontra fundamento e se fortalece muitas vezes em uma educação doméstica não correta”, disse o presidente da Amazon.

Frase

“Com a cartilha do Judiciário, a Magistratura está fazendo sua parte, contribuindo para que temas importantes sejam abordados e discutidos de forma clara”

Cássio André Borges dos Santos, presidente da Amazon

Estudantes criticaram bullyng e elogiaram cartilha

Os estudantes que receberam as cartilhas criadas pela Associação dos Magistrados do Brasil elogiaram a publicação e ressaltaram sua importância, destacando o problema do bullyng. É o caso do trio de alunos do 8º ano do ensino Fundamental Raíssa Reis da Silva, Willian do Rosário de Lima e Sandra da Silva, todos de 13 anos de idade.

“Eu nunca pensei que ia chegar um dia, aqui no nosso colégio, essa oportunidade de conhecer nossos direitos, coisas que a gente ainda não conhecia”, disse Raíssa, considerada uma das melhores alunas da sua sala de aula no Temístocles Gadelha.

Na opinião dela, o aspecto mais importante tratado no gibi é realmente sobre o bullyng. “Eu já sofri bullyng há uns 2 anos, reagi normal, não respondi, mas fiquei um pouco triste com o que falaram na época”, comentou a estudante, que elogiou a cartilha. “Ela é bem colorida e legal. Dá pra nós enterdemos bem. Às vezes, quando há um textão assim, sem desenho, sem nada, as pessoas têm preguiça de ler”, conta a jovem.

Para Willian Lima, “lendo essa cartilha eu aprendi mais direitos que eu nem existia, além dos deveres, além dos crimes que nós podemos sofrer como bullyng, maus tratos, etc”.

Já a estudante Sandra da Silva disse que quem conhece seus direitos e deveres se torna um cidadão melhor.

“Nós, conhecendo nossos direitos e deveres, já sabemos o que fazer quando sofremos algo como bullyng, por exemplo, a quem procurar ou falar em caso de um assédio sexual”, comentou a aluna do Temístocles Gadelha. Ela própria disse ter presenciado casos de bullyng e sofrido, na pele, com o problema há cerca de 1 ano.

“Fiquei muito triste, mas denunciei para a diretora da escola. Sempre devemos falar, denunciar. Não se pode ficar calado diante desses tipos de crimes”, completa ela.

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