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Casa do poeta Thiago de Mello pode ser demolida no AM

Casa assinada pelo arquiteto Lúcio Costa, autor do plano piloto de Brasília, está no traçado do projeto de revitalização da orla de Barreirinha (a 331 quilometros de Manaus) 29/10/2013 às 17:02
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Fachada do memorial feita em setembro: deteriorado e sem manutenção, mas com traçados originais preservados
Steffanie Schmidt ---

Uma das duas únicas obras do arquiteto Lúcio Costa na região Amazônica, que serviu de morada para o poeta Thiago de Mello em Barreirinha (a 331 quilometros de Manaus), está sendo ameaçada de demolição pela Prefeitura local, por conta das obras de revitalização da orla da cidade. O projeto, feito em convênio com o Governo do Estado, está orçado em pouco mais de R$ 1,3 milhão.

Os jardins do memorial Thiago de Mello e a calçada já foram retirados, para a construção do muro de arrimo. Moradores do local foram proibidos de realizarem quaisquer alterações nas casas, conforme apurou a reportagem.

“Estou assombrado com tamanha falta de conhecimento, de cultura”, disse o poeta Thiago de Mello à reportagem sobre a situação do local projetado pelo mesmo arquiteto do plano piloto de Brasília e um dos fundadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O local fica de frente para o paraná do Ramos, um dos braços do Rio Amazonas.

A casa foi adquirida pelo Governo do Estado e repassada à Prefeitura para servir de espaço cultural. No entanto, sem manutenção e nem mesmo energia elétrica - ainda no começo do ano - a obra que já foi divulgada incansavelmente pelo mundo por conta dos traços únicos deixados por Lúcio Costa no mundo, vem se deteriorando, sendo alvo, inclusive, de pichações e invasões, segundo fontes da reportagem no Município.

Informado sobre a situação, o secretário estadual de Cultura, Robério Braga, disse que o Estado deverá intervir a fim de garantir a preservação da obra do arquiteto francês radicado no Brasil. “Caso alguma alteração seja feita, vamos conduzir o processo de reestabelecimento”.

Morador da orla, o também escritor e poeta Elpídio Nunes, disse que pelo traçado do projeto onde será a pista, muitos moradores deverão perder parte das casas, incluindo o memorial Thiago de Mello. “Moro próximo ao memorial. Ele deverá ser comprometido, assim como muitas casas humildes aqui. Não fomos informados de nada. Não somos contrários à obra, mas à forma truculenta com que está sendo conduzida. Moradores estão sendo ameaçados pela construtora e ninguém ainda falou em indenização”.

Segundo ele, a placa informativa só foi colocada anteontem e pela data, a obra já está atrasada há um mês. “Vamos promover um abaixo assinado e pedir para que o Ministério Público possa investigar”, disse.

Sem resposta

A reportagem entrou em contato com o prefeito Mecias Pereira Batista (PSD), mais conhecido como Mecias Sateré, por meio de dois telefones, mas não obteve sucesso. O secretário municipal de Cultura, Turismo e Meio Ambiente, Aderaldo Tavares, não atendeu às ligações.

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