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Caseiro confessa participação na morte de 'Dora' Priante

Ronaldo Paula disse que receberia dinheiro do mandante do crime, já preso, para ajudar assassinos de Maria das Dores, sequestrada e morta com 12 tiros. Ele também seria pago para 'dar sumiço' a documentos que incriminariam 'Piguelão' 17/08/2015 às 22:10
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Ronaldo (de verde) foi preso e confessou participação na morte de 'Dora' Priante
VINICIUS LEAL, ISABELLE VALOIS e Kelly Melo Manaus (AM)

A Polícia Civil do Amazonas mantém preso desde quinta-feira (13) o segundo suspeito de participar do assassinato da líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, 54, a “Dora”, que foi sequestrada e morta com 12 tiros no mesmo dia, no interior do Amazonas. A informação foi confirmada pelo delegado Paulo Mavignier, de Iranduba.

O segundo suspeito é o caseiro Ronaldo de Paula, de 21 anos, que recebeu voz de prisão na delegacia de Manacapuru, após prestar depoimento. Ele confessou, segundo o delegado Mavignier, que duas semanas antes do crime foi procurado por Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”, que já foi preso e é o suspeito de ser o mandante do crime.

“Após pressionar, ele acabou confessando”, disse Mavignier à reportagem. Segundo o delegado, Ronaldo contou que Adson ofereceu uma quantia em dinheiro para que ele conseguisse alguns documentos que estavam na casa de “Dora”, documentos estes que recriminavam Adson. Segundo Ronaldo, na ocasião, Adson já havia dito que planejava matar “Dora”.

'Dora' foi na ALE-AM denunciar ameaças e pedir proteção em junho deste ano

Ronaldo disse em depoimento, conforme o delegado Mavignier, que dois homens armados o procuraram no dia do crime e informaram que à noite, caso “Dora” estivesse em casa dormindo, era para ele ficar na frente da residência da vítima, como forma de avisá-los. Quando os homens passassem no local, Ronaldo deveria entrar e se esconder.

Conforme o depoimento de Ronaldo, dias após o crime ele receberia seu pagamento pela ajuda no crime, mas ficou com medo de ser morto quando encontrasse Adson. Ronaldo terminou seu depoimento, logo recebeu voz de prisão e ficou detido no DIP de Iranduba.

O marido de Dora Priante, Gerson Nascimento Priante, informou que a relação que o casal possuía com o caseiro, Ronaldo de Paula não era tão próxima.

“Nós temos abrigo para ele há pouco mais de um ano. Ele apareceu pedindo ajuda e a minha esposa decidiu ajudá-lo”, afirmou ele.

Questionado sobre o envolvimento do caseiro com a morte da líder comunitária, Gerson afirmou que ficou surpreso com a informação e acredita que ele foi seduzido. “Não dá para acreditar que uma pessoa possa ser tão má assim. Demos ajuda a ele e olha o que nos aconteceu”, lamentou.

Manifestação

Embora o principal suspeito já esteve preso, Priante afirmou que familiares e amigos da vítima vão realizar uma ato público para chamar atenção das autoridades na Praça dos Três Poderes, em Iranduba, a partir das 16h. Às 17h será realizada a Missa de 7º dia em homenagem a líder comunitária. Grupos religiosos não só do município como também da capital devem participar do manifesto.

Entenda o caso

A líder comunitária foi sequestrada de dentro de casa, na comunidade Portelinha, em Iranduba, e depois encontrada morta no ramal Santa Luzia, no Km 52 da rodovia AM-070, já no município de Manacapuru. Ela era uma liderança na comunidade e tinha embates com Adson, que era suspeito de vender ilegalmente terras da Portelinha.

A vítima foi encontrada morta por volta das 6h de quinta (12), estava com as mãos amarradas e marcas de agressão pelo corpo. O corpo tinha três marcas de tiro na cabeça, um no pescoço, quatro no abdômen e cinco nos membros inferiores, todas de balas de pistola PT ponto 40.

Ameaças de morte

O embate entre a líder comunitária e Adson, devido a uma disputa por terras e pela liderança da comunidade Portelinha, era conhecido e até tinha ganhado a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas, quando “Dora” pediu ajuda contra as ameaças de morte que receberia de Adson.


'Pinguelão' é apontado como o mandante da execução (Foto: Winnetou Almeida)

“Ele já tentou me matar três vezes. [...] Outros moradores não concordam com sua atitude”, afirmou Maria das Dores, à época. Ela disse que já tinha 18 boletins de ocorrência por ameaça de morte contra Adson, mas não recebia a devida ajuda dos órgãos de polícia.

Inimigo

O inimigo de “Dora” e principal suspeito do crime, Adson, foi preso também hoje pela Polícia Civil, em cumprimento de mandado de prisão. Ele foi capturado na av. Eduardo Ribeiro, em Manaus, quando saía de uma agência bancária na companhia do irmão. Ele já prestou depoimento e negou participação no crime, se defendendo das acusações de Ronaldo.

Segundo o delegado Mavignier, Adson será transferido pelo Grupo Fera da Polícia Civil até a Delegacia Geral, em Manaus. Adson, inclusive, já havia sido preso em julho deste ano, suspeito de vender ilegalmente lotes de terra na comunidade Portelinha, além de cometer crimes de ameaça, porte ilegal de arma e tráfico de drogas.

Voluntariamente

No mesmo dia do crime, dia 13, Adson havia se apresentado voluntariamente na delegacia de Iranduba, acompanhado do irmão. Mas ele nem chegou a ser ouvido porque o local onde o corpo da vítima foi encontrado era de competência do DIP de Manacapuru. Por não haver flagrante ou mandado de prisão, Adson havia sido liberado.

*Atualizado às 22h

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