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Caso da socialite Marcelaine cria ‘climão’ entre polícias

A prisão de 'Elaine' feita na segunda-feira (5) pela Polícia Federal causou um clima de mal-estar com a Polícia Civil, que investigava o caso 13/01/2015 às 11:28
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Delegado da PF, Marcelo Rezende, deu voz de prisão à Marcelaine. Já o delegado Paulo Martins, da DEHS, investigou o caso
Nelson Brilhante Manaus (AM)

O caso envolvendo a socialite Marcelaine Schumann, a “Elaine”, presa segunda-feira (05) no aeroporto Eduardo Gomes acusada de mandar matar Denize Almeida, causou um clima de mal-estar entre a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil (PC) do Amazonas. Mais que isso: pode ter beneficiado a suspeita e até retardar a chegada do processo à Justiça. Foi a Polícia Civil que fez todos os procedimentos preliminares para a prisão de Marcelaine e tem a responsabilidade de fazer todo o inquérito policial, mas foi a Federal que acabou ficando à frente do caso.

O esperado é que a PF encerrasse sua atuação, entregando Marcelaine à PC na saída do aeroporto, quando terminaria a jurisdição federal (especificamente nesse caso).

Entretanto, Marcelaine foi ouvida preliminarmente, levada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e depois, ao Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminina, localizado no km 8 da rodovia BR-174, em Manaus, sem nenhuma participação da PC. O procedimento não é ilegal, mas foi desnecessário e considerado pelos civis como um desrespeito à instituição, além de provocar mudanças nos procedimentos da PC e beneficiar a suspeita.

Agora, o delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Paulo Martins, terá que enviar um ofício à Vara de Execuções Penais, pedindo autorização para interrogar Marcelaine, dentro da prisão. Com isso, ela não será mais exposta publicamente e só será interrogada quando houver permissão, o que poderia ter sido feito no dia da sua chegada.

O delegado Paulo Martins não quis se pronunciar, mas não conseguiu esconder a insatisfação com os rumos que tomaram o caso. Ontem ele teria ido à Delegacia Geral da Polícia Civil para conversar com o delegado Josué Rocha, mas o conteúdo da conversa não foi divulgado.

Um investigador, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que os pedidos, nos moldes do que será feito para investigar Marcelaine, sempre demoram bastante para serem atendidos. Ele também se mostrou insatisfeito com o fato da PF ter assumido o caso.

“O inquérito não é federal. Quem sabe os detalhes são os civis. Agora ela só pode ser ouvida com autorização do juiz da vara de execuções penais, quando já poderia ter sido ouvida. Tem o problema do recesso, que só acaba quinta-feira, sem falar que sempre demora para se ter uma resposta”, disse o policial.

O caso

Marcelaine foi presa segunda-feira por suspeita de ter “encomendado” a morte da empresária Denise Almeida da Silva, de 34 anos, baleada quando saía da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus, no dia 12 de novembro. Após o crime, ela viajou para Miami e chegou a ser incluída na lista de procurados da Polícia Federal e da Interpol.

Presa na cadeia pública feminina, ontem ela já estava usando o uniforme das detentas e recebeu um kit de higiene pessoal, com escova, pasta de dente e outros itens.

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