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‘Caso Marcelaine’: crime passional de grande repercussão levanta um debate sobre ciúme ‘fora do limite’

Socialite manauara mandou matar rival em crime com características de ciúme patológico. Saiba quais são os sintomas e as consequências da doença 10/01/2015 às 20:40
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Da esquerda para direita: Denise, Marcelaine e Marcos
Mariana Lima Manaus (AM)

O crime passional arquitetado pela socialite Marcelaine Santos Schumann chocou o País inteiro nos últimos dias. A prisão de Marcelaine, realizada na última semana, trouxe à tona a discussão sobre uma doença subestimada por muitos brasileiros: o ciúme doentio, também chamado de “ciúme patológico”.

O suposto envolvimento entre a empresária Denise Almeida da Silva, 34, e o amante de Marcelaine, Mauro Souto, foi o pano de fundo de uma tentativa de homicídio que envolveu até agentes da polícia norte-americana (Interpol). Segundo investigações da polícia amazonense, a socialite contratou um pistoleiro por R$ 7 mil para matar ou aleijar a rival e fugiu, logo em seguida, para os Estados Unidos.

Para a medicina, o sentimento de medo pela perda do amado, seja amigo, membro da família ou parceiro sexual, é considerado natural e fisiológico. Torna-se anormal, ou “patológico”, quando ocorrem situações extremas como perseguição, investigação e morte.

“O ciúme patológico é um transtorno psicológico formado por criação de ideias que não existem, mas que o doente acredita existir. É difícil detectar no começo se uma pessoa é ciumenta patológica ou não, depende das atitudes que ela toma. Quem verifica muito o telefone, itens pessoais como bolsa e carro ou ainda liga insistentemente para o parceiro tem fortes indícios de ser um paciente com essa doença”, explica a neuropsicóloga Marilena Corrêa.

Em casos de ciúme doentio, a pessoa adquire um sentimento de posse para com o parceiro sem notar que a atitude não é normal. “Todo ciumento patológico nega a doença e isso é um reflexo da sociedade. A maioria das pessoas acredita que quem tem ciúme é porque ama, mas quem ama cuida, não tem ciúme. Não exige a posse, deixa livre porque entende que o que veio para ‘ficar’ na sua vida permanece sem você aprisionar”, disse Marilena.

A neuropsicóloga afirma que, em casos extremos, o paciente com ciúme doentio comete crimes alegando amor. “Ninguém mata por amor. Amor é uma condição sublime que tende a construir e ensinar, matar jamais. Quem justifica que matou por amor é uma pessoa doente e está nessa condição de ciumento patológico”, afirmou.

Tratamento

A doença possui cura e pode ser tratada por meio de medicamentos específicos recomendadas por psiquiatras e terapia acompanhada por psicólogo. “O mais importante do tratamento é que o paciente aceite ser tratado. É comum as pessoas não acreditarem de primeira que ciúme pode, sim, ser uma doença, e grave, e isso dificulta o tratamento. O apoio de familiares e amigos é muito importante nessa hora”, disse a especialista.

Na maioria dos casos, a família e amigos próximos são os primeiros a identificarem a anormalidade da situação. Nessas situações é ideal indicar ao doente que procure um atendimento especializado o quanto antes para evitar a gravidade da doença e, até mesmo, tragédias.

De Miami para o CDP

A socialite Marcelaine  Schumann foi presa na última terça-feira quando chegava de Miami com o marido, o publicitário Edmar Costa. Segundo a Sejus, Marcelaine recebeu atendimento psicológico durante as primeiras 24h no Centro de Detenção Provisória Feminino, onde ficará até julgamento.

Redes sociais

A sobrexposição em redes sociais facilita a difusão de doenças mentais, como o ciúme patológico. Segundo a neuropsicóloga Marilena Corrêa, o uso abusivo das redes sociais tem desencadeado novos casos de ciumentos patológicos.

“As redes sociais são muito perigosas porque promovem um derrame de sensualidade muito grande. Hoje as pessoas, por uma carência afetiva social, se expõem muito, o que atrai a atenção e o assédio de outras pessoas. A modernidade também propiciou o nosso afastamento uns dos outros e a confiança vem se perdendo”, alerta a especialista.

Marilena Corrêa ainda afirma: “Essa abertura e o excesso de sensualização, essa exposição em demasia para cobrir esse vazio existencial promove, sim, o ciúme doentio, principalmente os que já têm mais pré-disposição”, alerta a especialista.

Em casos mais graves, como em pacientes detectados com a “Síndrome de Otelo”, em que delírios paranóicos são constantes, é comum que o desfecho final seja crimes como assassinato. Nesse caso, o ciumento passa a ter certeza e encontra “evidências” de que o parceiro está cometendo adultério e escondendo as provas para não ser descoberto.

Ciúme doentio

Ligações constantes sem motivos ou motivos muito fúteis, como um monitoramento; necessidade de controlar tudo que o parceiro (a) faz, não deixando espaço para a vida pessoal, desejos e afinidades; Condiciona a ida a determinados locais à condição de irem juntos. 

Vê ou cita o parceiro (a) frequentemente como “propriedade”; A pessoa ciumenta é frequentemente ansiosa, precisando sempre estar em “movimento”, com foco num evento futuro ou mesmo numa inquietação desconhecida por ele mesmo. Essa característica está possivelmente associada à insegurança e baixa estima;

O ciumento exagerado é tão sociável quanto antissocial. Tudo depende do que irá lhe trazer mais segurança. Se for necessário criar vínculos fictícios com outras pessoas, apenas para se manter perto do parceiro (a), assim o fará. Da mesma forma poderá fazer uso de um comportamento antissocial apenas para afastar o parceiro (a) de situações ou pessoas que representam ameaça para ele(a).

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