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Cotidiano
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Casos de malária aumentam 34,3% no Amazonas em 2018, diz Ministério

Nos três primeiros meses desse ano, foram registrados 18.649 casos no Amazonas, aponta o Ministério da Saúde. São Gabriel da Cachoeira é responsável pela maioria dos casos (4.484) 26/04/2018 às 07:14
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Doença é causada por protozoário e transmitida por mosquito. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

O alto índice de casos diagnosticados de malária na Venezuela acendeu o alerta de autoridades de saúde no Brasil e as ações de combate e prevenção estão sendo intensificadas em vários estados. O Amazonas, segundo o coordenador do Programa de Controle da Malária do Ministério da Saúde, Cássio Peterka, representa quase metade dos casos confirmados da doença no Brasil. Se comparado com o primeiro trimestre do ano passado, o Estado teve um aumento de 34,33% de casos esse ano, conforme dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

“O Amazonas concentra hoje quase metade da malária do País. Então, é um estado peculiar, que tem várias dificuldades. Nesse momento é importante intensificar as ações de enfrentamento aproveitando que estamos no período de sazonalidade, baixa transmissão da doença. É preciso aumentar as ações”, disse. 

No ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde, foram notificados 193.876 casos no Brasil, enquanto no Amazonas foram registrados 82.600 casos. Nos três primeiros meses desse ano, foram registrados 18.649 casos no Amazonas, o que representa um aumento de 34,33% se comparado com o primeiro trimestre do ano passado, quando foram registrados 13.883 casos. 

O cenário do Estado em relação aos casos de malária não é satisfatório e é preciso união para combater a alta da doença, segundo a subsecretária de saúde do interior do Amazonas, Edylene dos Santos. “Nós estamos preocupados principalmente pela elevação dos índices de malária Falciparum, que é a modalidade mais grave de apresentação da doença e nós precisamos nos unir e buscar estratégias de controle em tempo oportuno para que a gente não tenha agravamento da doença”, disse.

Para discutir as estratégias que devem ser usadas no combate à doença, representantes das secretarias de saúde estadual (Susam) e municipal de Manaus (Semsa) estiveram reunidos nessa quarta-feira (25) no 3º Seminário  Estadual Alusivo ao Dia Mundial de Luta contra a Malária, realizado no auditório do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) e promovido pela FVS-AM. 

Apoio no combate

Em fevereiro desse ano, o governo do Estado entregou a 21 municípios cinco embarcações de 9m com motor de popa de 150HP, 19 embarcações de 6m com motor de 40HP, além de 15 veículos tipo pick-up e 19 motocicletas para serem utilizadas nas ações de combate à malária.

Capital teve alta de 20% em 2017

O titular da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa),  Marcelo Magaldi, destacou que o grande desafio é não deixar o índice de casos da doença aumentar novamente. Segundo ele, a secretaria investe na monitoração de mais de  mil localidades em todo o município de Manaus.

“Esse evento (seminário) é importante para podermos traçar novas ações para reduzir e manter as áreas controladas. Em Manaus não estamos em estado de alerta vermelho, mas é preciso monitorar para que os casos não continuem aumentando”, disse. Conforme Marcelo  Magaldi, a capital amazonense teve um aumento de 20% no número de casos em 2017 se comparado com o ano anterior, 2016.

Mais uma doença no rol das preocupações

A mobilização de combate à malária começa no meio de campanhas de imunização contra influenza e sarampo, e um ano depois da crise provocada pelo zika.

A dona de casa Tereza Cristina Simão, 33, nunca teve nenhuma das doenças, mas teme um possível surto. “A gente vê nos noticiários como está a situação da Venezuela, muitos casos, então a gente acaba ficando com medo”, disse.

A também dona de casa Maria do Carmo de Souza, 30, disse que toma as vacinas necessárias e presta atenção em todas as campanhas de saúde que são realizadas. “É nossa saúde, o governo faz a parte dele, mas a gente também não pode ser omisso, temos que fazer a nossa parte”, comentou ela.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram registrados 406 mil casos de malária em 2017 na Venezuela, um aumento de 69% em comparação a 2016 -  a maior taxa do mundo. A proximidade com o Amazonas e a vinda de venezuelanos para Manaus preocupa.

São Gabriel da Cachoeira tem o maior número de casos no AM

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque, afirmou que 14 municípios do Amazonas representam 80% dos casos de malária no Estado, principalmente os do Alto Rio Negro. Para ele, o mais desafiador é eliminar e estar presente em todas as situações onde há possibilidade maior de produção de mosquito vetor na doença, o Anopheles.

Segundo Bernardino, as áreas de invasão na capital amazonense são preocupantes há anos. Nesses locais, onde há lagos e mananciais, que é o habitat natural dos mosquitos, pessoas que estiverem contaminadas podem ser picadas e desencadear uma epidemia da doença. “Esse mosquito se procria em mananciais de águas naturais, mas também que acontece em tanques de piscicultura e invasões, onde você não tem nenhuma infraestrutura . Essas pessoas vivem em convívio com o mosquito da malária e se chegar a alguém infectado o risco de uma epidemia é grande”, afirmou.

Segundo dados da FVS-AM, cerca de 72% dos casos de malária no Amazonas são oriundos de 11 municípios. Até março de 2018 foram registrados 18.649 casos da doença sendo que 13.631 casos são oriundos de: São Gabriel da Cachoeira é responsável por 4.484 casos (23,7%), Manaus com 2.416 casos (12,8%), Barcelos com 1.341 casos (7,1%), Guajará com 988 casos (5,2%), Santa Isabel do Rio Negro com 922 casos (4,8%), Coari com 702 casos (3,7%), Rio Preto da Eva com 593 casos (3,1%), Lábrea com 578 (3,6%), Presidente Figueiredo com 566 casos (3%), Iranduba 542 casos (2,8%), e Tefé com 499 casos (2,6%).

A doença

A malária é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida ao homem por fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, produzindo febre, além de outros sintomas. Quatro espécies de Plasmodium (vivax, falciparum, malariae e ovale) podem causar a doença. No Brasil, somente as três primeiras estão presentes, sendo o P. vivax e o P. falciparum as espécies predominantes.

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