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Casos de Malária aumentam mais de 9% em um ano e ainda são uns dos maiores riscos no AM

Para especialista, a malária ainda deve ser a maior preocupação do amazonense quando se trata de saúde pública. Só em 2015 foram 73,3 mil casos da doença, um crescimento de 9,4% 05/02/2016 às 08:57
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Em reunião com os prefeitos do municípios que apresentam as maiores incidências, o governador José Melo anunciou o aporte de R$ 4,2 milhões para o combate
SILANE SOUZA Manaus (AM)

“A Malária continua sendo o maior problema de saúde pública do Amazonas. Essa epidemia tríplice de dengue, Chikungunya e Zika vírus é sazonal, todavia deve ser preocupante também, mas a Malária é nosso principal problema de saúde pública há muito tempo e, por isso, as ações de combate têm que ser permanentes e reforçadas nos municípios com maior incidência da doença”. A declaração é do secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza.

Em 2015, o Amazonas registrou 73.744 casos de Malária. Crescimento de 9,4% na comparação com o ano anterior, quando houve 66.788 casos da doença em todo o Estado. 70% dos casos verificados no ano passado ocorreram em 12 municípios amazonenses, entre eles a capital. Ontem, o governador José Melo anunciou um recurso de R$ 4,2 milhões para que esses municípios reduzam em 20% a incidência da doença esse ano.

O secretário estadual de saúde ressaltou a necessidade de empenho das prefeituras – que são responsáveis pela execução das ações de combate às endemias –, a fim de garantir o cumprimento das metas de redução dos casos de Malária nos seus respectivos municípios. “Em novembro do ano passado, tivemos uma primeira reunião com esses municípios e, agora, estamos voltando a nos reunir para alinhar as orientações sobre o combate à doença”, relatou Pedro Elias.

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Bernardino Albuquerque, também admite que a Malária é uma doença que preocupa e não somente no Amazonas, uma área considerada endêmica - assim como todos os Estado da Amazônia Legal -, mas no mundo todo. “A Malária é preocupante ainda, principalmente, em alguns países da África, Sul da Ásia e America do Sul, onde há várias regiões endêmicas”, afirmou.

Ele destacou que a doença tem cura, porém até hoje não existe uma vacina que a combata. A dificuldade é definir um antídoto que possa proteger o indivíduo do Plasmodium, um parasita extremamente evoluído. “Todo ano um instituto de pesquisa coloca essa questão da vacina para Malária, mas isso funciona bem a nível de laboratório, mas a nível de população, pelas diferentes cepas (variações) de Plasmodium, não funciona, porque quando protege um não protege o outro”, frisou.

A saída é fazer o diagnóstico e o tratamento precoce, uma vez que a malária pode determinar quadro graves e levar à morte. O diretor-presidente da FVS ressaltou que há em torno de 1,2 mil postos de Malária em todo o Estado, dispersos em áreas urbanas e rurais.

“É importante fazer o tratamento, que dura sete dias, completo, porque senão a doença volta. O grande problema que enfrentamos diariamente é o abandono de tratamento”, contou. Isso é muito grave”.

Risco mundial

Conforme o diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, a Malária, é mundialmente um dos mais sérios problemas de saúde de pública, é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida ao homem por fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, produzindo febre, além de outros sintomas.

Plasmodium

Quatro espécies de Plasmodium (vivax, falciparum, malariae e ovale) podem causar a doença. Segundo ele, no Brasil, somente as três primeiras estão presentes, sendo o P. vivax e o P. falciparum as espécies predominantes. O P. Malariae é extremamente raro e P. ovale só existe na África.

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