Sábado, 22 de Janeiro de 2022
Racismo

Casos de racismo e injúria racial são constantes, mas volume de denúncias é baixo

Somente sete casos desse tipo foram notificados no Amazonas em todo o ano passado



Racismo_7BC59B57-0779-4973-AE21-4E274E038757.jpg Foto: Reprodução / Internet
07/04/2021 às 09:53

No Amazonas, segundo o Presidente do Instituto Nacional AFRO ORIGEM-AM, Christian Rocha, os casos de racismo e injúria racial acontecem diariamente, porém não são denunciados por conta do preconceito enraizado na sociedade.

O tema está mais uma vez em foco após um caso que repercutiu nacionalmente na última semana. Um episódio envolvendo dois participantes do Big Brother Brasil na noite de segunda-feira (05), durante o jogo da discórdia, trouxe à tona a fala do cantor sertanejo Rodolffo, sobre o cabelo do professor de geografia, João Luiz. O momento onde o professor disse ter se sentido ofendido repercutiu nas redes sociais, sendo denominada como "frescura", por alguns internautas.



O participante do reality show, Rodolffo comparou o cabelo do João Luiz a peruca que integrava a fantasia pré- histórica no castigo do monstro. O professor disse que esse comparativo o tocou em um ponto especifico, por conta de toda sua história fora do programa. O relato do brother condiz com a realidade de muitas pessoas aqui fora, que sofrem preconceito diariamente por conta da sua cor e seus cabelos.

Os comentários de cunho racista do confinado do "BBB 21", serão investigados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Em Manaus, os casos de racismo e injuria racial, podem ser denunciados por meio do 181, pelo registro do Boletim de Ocorrência (BO), podendo ser formalizado em qualquer unidade policial do município, e também por meio da Delegacia Interativa (DI) pelo site: https://www.delegaciainterativa.am.gov.br

Impunidade

Entre janeiro a maio de 2020, foram registrados pela Secretaria de Segurança Publica (SSP-AM), apenas 7 casos de racismo no Amazonas, o que de acordo com o Presidente do Instituto Nacional AFRO ORIGEM-AM, Christian Rocha, não representa a realidade. " No nosso estado, os casos de racismo e injúria racial, são latentes todo santo dia, porém nem mesmo a polícia está preparada para lidar com essas circunstância", afirmou.

A Policia Civil do estado do Amazonas, explica que o crime de racismo, o qual atinge um grupo ou o coletivo, quando comprovado, quem cometeu o crime não tem direito a pagar fiança, podendo ter pena de um a três anos de prisão e multa. Já no caso de injúria racial, caracterizada por tratamentos pejorativos a uma determinada pessoa exclusivamente por conta da sua raça ou cor, o crime é afiançável, onde a pessoa pode pagar a fiança e responder em liberdade.

Para o Presidente do Instituto AFRO ORIGEM-AM, muitas pessoas desistem de processar, na maioria dos casos a uma certa lentidão ou é esquecido. Por não terem poder da policia, a Instituição faz o que está ao seu alcance, denunciando e acolher as vitimas.

Espelho da Realidade

O Big Brother Brasil é um jogo, onde 20 pessoas com personalidades, vivências e opiniões diferentes ficam confinadas com um único objetivo, ganhar o prêmio. Dessa forma, não é a primeira vez que acontece caso de racismo, como a discussão no BBB 4, onde o participante Marcelo Mama, "brincou" com o cabelo de sua colega de confinamento Solange.

"O que o Rodolfo falou, é apenas um aperitivo do que os negros sofrem no anonimato, se o cabelo do outro participante é sinônimo de piada imagina a cor. Agora, as crianças na escola, o funcionário do distrito e a mulher na rua ou no ônibus, sentem diariamente o racismo na pele", disse o Presidente do Instituto Nacional AFRO ORIGEM-AM, Christian Rocha.

Christian terminou enfatizando a deficiência intelectual da sociedade brasileira, ao ignorar a história do próprio país e inviabilizar o direito do povo negro, justificando crimes como "brincadeiras". " Interessante é ver as pessoas tentando amenizar considerando a fala do Rodolffo "sem maldade", porém a luta negra vem sendo massacrada pelo comportamento de pessoas assim", completou. 

"Vidas negras importam"

Ano passado, uma onda de protestos contra o racismo tomou conta de Manaus e do mundo, após a morte do ex-segurança George Floyd, de 40 anos, em 25 de maio, em Minneapolis, nos Estados Unidos. Por meio de um vídeo, mostrou o homem negro sendo imobilizado por um policial branco, durante 8 minutos e 46 segundo, levando ao óbito.

O acontecimento desencadeou uma série de protestos, no dia 2 de julho de 2020. O evento foi organizado nas redes sociais por integrantes do movimento "Amazonas pela Democracia" interditou a Avenida Djalma Batista, na Zona Centro-Sul de Manaus. Os manifestantes protestaram contra atos de racismo, machismo e também contra o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.