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Casos de violência contra homossexuais aumentam no AM

Para a presidente da Associação LGBTT do Amazonas, Bruna La Close, a violência contra homossexuais vai muito além das denúncias registradas 24/11/2014 às 09:25
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No Amazonas, entre janeiro e outubro deste ano 14 homossexuais foram mortos e 207 sofreram algum tipo de violência. Em 2012 foram 15 mortos e 57 denúncias
Luana Carvalho Manaus (AM)

João Vinicius*, 25, saiu de uma festa, na Zona Oeste, se despediu do companheiro dele com um beijo e acabou agredido por dois homens no estacionamento da casa de forró. Ele não conhecia os agressores, mas supõe que tenha sido mais uma vítima de homofobia.

“Eu estava entrando no carro quando ouvi alguém me chamar de ‘bichona’. Olhei pra trás e tinham dois casais. Não imaginava que os homens iam me agredir. Eu falei para eles cuidarem da vida deles, quando um avançou e me deu um soco. Tentei reagir mas o outro veio e me derrubou no chão”, relatou.

O jovem faz parte de mais uma triste estatística. O número de homossexuais que sofreram violência física ou verbal neste ano ultrapassou os casos registrados em 2013, segundo levantamento da Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTT) do Amazonas.

Até o final de outubro, 207 homossexuais sofreram algum tipo de violência e 14 foram assassinados. O ano passado fechou com 11 homicídios e 94 casos de discriminação contra homossexuais.

Para a presidente da Associação LGBTT do Amazonas, Bruna La Close, a violência contra homossexuais vai muito além das denúncias registradas. “A violência contra os gays, principalmente contra os travestis, é muito grande no Estado. Recebemos diariamente vários relatos de travestis que sofreram algum tipo de violência ou discriminação”, disse.

La Close denunciou, ainda, que alguns travestis sofrem maus tratos e discriminação ao serem abordadas por policiais. “Os policiais não aceitam quando elas mostram a Cédula de Nome Social como identificação. Eles são grossos e preconceituosos nas abordagens. Nós estamos fazendo um levantamento desses casos para encaminhar à Ouvidoria-Geral do Sistema de Segurança Pública”, enfatizou..

A portaria assinada em abril deste ano pelo secretário de Segurança Pública do Amazonas, Paulo Roberto Vital, assegura aos travestis e transsexuais a identificação pelo nome social em documentos de prestação de serviço, ou qualquer outro tipo de documento onde tenha que constar a sua identificação.

Preconceito

Outro problema enfrentado pelos homossexuais são as demissões de soropositivos. Só neste ano a organização registrou 58 casos. No ano passado foram 38. “Quando os patrões descobrem que os empregados são portadores de HIV, acabam demitindo. Não é preciso incluir gênero no currículo, mas muitos sentem dificuldade para serem contratados quando os entrevistadores percebem que são homossexuais”, finalizou.

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