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Causas da nuvem de fumaça em Manaus poderiam ser evitadas com ações preventivas

Ambientalistas criticam falta de fiscalização e prevenção do poder público para evitar queimadas e incêndios florestais, causadores da nuvem de fumaça que cobriu Manaus 01/10/2015 às 17:49
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Incêndios florestais e queimadas poderiam ser evitados pela ação humana
VINICIUS LEAL Manaus

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Diversos fatores influenciaram a formação da nuvem de fumaça que encobriu Manaus na manhã desta quinta-feira (1º), como tempo seco e falta de vento e chuvas comuns neste período de verão amazônico. Mas outro motivo, os incêndios florestais e as queimadas, poderiam ser evitados pela ação humana.

Especialistas ouvidos pela reportagem criticaram as ações realizadas pelo poder público, ou a ausência delas, para combater os incêndios florestais e as queimadas, como campanhas publicitárias nos veículos de comunicação, fiscalizações ou outras ações preventivas.

“Nós não temos uma política forte de contenção de queimadas e isso vai piorando”, disse agrônoma Muriel Saragoussi, que dirige um programa científico sobre reações da atmosfera e da biosfera no Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa). “Se nós tivéssemos uma cidade menos desmatada e se as pessoas cuidassem muito de evitar as queimadas”, lamentou ela.

O geógrafo e ecólogo Carlos Durigan, diretor da WCS Brasil, explica que as queimadas e os incêndios florestais são comuns na região, causados por famílias de agricultores ou invasores de terra que precisam “limpar” o terreno, de forma acidental ou para queimar lixo. Entretanto, devido ao tempo seco e falta de ventos e chuva o alastramento do fogo aumenta.

“Esse verão mais seco desse ano já era previsto há dois anos, e não existem políticas preventivas. Ações educativas devem começar antes”, criticou Durigan. “Já tem algumas propagandas sendo veiculas, mas já é tarde demais. Se fossem trabalhadas ações preventivas ainda na época das chuvas”, criticou Durigan.

Poder público

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Antônio Ademir Stroski, confirmou à reportagem que ações preventivas para evitar queimadas e incêndios florestais devem ocorrer todos os anos com antecedência. “Não deve se limitar à região metropolitana, mas em todo o estado”, comentou o secretário.

“Precisa ser compartilhada não só com a esfera estadual, mas com o engajamento também nos municípios, das prefeituras. Se não agirmos preventivamente, com antecedência, fica difícil reverter. É uma conjunção de exemplos que apareceu, e vamos trabalhar para que não se repita nos anos seguintes”, comentou Stroski.

Mesmo confessando erro quanto aos incêndios e queimadas em 2015, o secretário estadual afirmou que o Estado promoverá ações imediatas para cessar novos focos de incêndios este ano. “Ainda vale para os dias de verão (restantes). Temos que trabalhar para não se repetir, e é importante um planejamento que tenha resultado”, disse.

“Vamos fazer um sobrevôo nas áreas com apoio do helicóptero da Secretaria de Segurança Pública. Vamos ver os cenários com as origens e também fazer uma operação de fiscalização do Ipaam. Amanhã vão sair nas ruas. A gente está com essa estratégia e estamos compartilhando ações com a Semmas”, completou o secretário estadual.

Crise econômica

O geógrafo e ecólogo Carlos Durigan também criticou a atitude dos governos em diminuir o quadro de pessoal das secretarias e órgãos ambientais durante a reforma administrativa para diminuir os efeitos da crise econômica. “O primeiro setor a sofrer com cortes de recurso e orçamento PE o ambiental. Pouca gente, pouco recurso, e os que ficam lutando bravamente. Não têm bombeiros e fiscais suficientes para conter essas queimadas”.

Incêndio e queimada

A diferença entre incêndio florestal e queimada é explicada pelo tenente Janderson, do Corpo de Bombeiros. “Incêndio florestal quando pegam fogo regiões de vegetação mais abundante, com árvores de grande porte, como reservas, e o combate às chamas é mais complicado. A queimada é fogo tomando vegetação rasteira, sem árvores grandes”, disse.

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