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Cauxi: flanelinha diz não saber que é ‘milionário’ e que recebeu 7 bicicletas para ceder nome

Laranja do esquema de corrupção, ele confessou que cedeu seu nome para a abertura de empresas beneficiadas por contratos da Prefeitura de Iranduba 18/11/2015 às 22:47
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Durante as investigações foi descoberto que Zé é “sócio” das empresas Transcar Transportes e Iranduba Serviços de Construção
Joana Queiroz Iranduba (AM)

O catador de latas e flanelinha, José Odenilson Santana de Oliveira, o “Zé”, que estava sendo procurado pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas (Gaeco) que investigam a ação de uma organização criminosa suspeita de cometer crimes de corrupção no Município de Iranduba, confessou ter recebido benefícios, como sete bicicletas, para conceder o seu nome e documentos para a abertura de empresas que eram beneficiadas por contratos milionários da prefeitura.

Durante as investigações foi descoberto que Zé é “sócio” das empresas Transcar Transportes Ltda e Iranduba Comércio e Serviços de Construção Ltda. A parte dele no capital social das duas empresas chega a R$ 550 mil. Em seu interrogatório, ele respondeu que não sabia que era dono de mais de meio milhão de reais. Que das bicicletas que ganhou, três ele trocou por droga e o dinheiro que ele recebeu, aproximadamente R$ 5 mil, ele gastou com garotas de programa.

Para os promotores, o flanelinha demonstrou ter sido instruído e o que disse não colaborou muito com as investigações. De acordo com os promotores, Zé é um dos “laranjas” do esquema de corrupção. Depois de interrogado, ele foi liberado. No mesmo dia, na terça-feira (17), o mesmo foi visto nas proximidades da Câmara Municipal e da prefeitura em sua bicicleta. Zé estava portando dinheiro e chegou a mostrar para algumas pessoas.

Alvo de outra ação

Na manhã desta quarta-feira (18), o flanelinha voltou a ser alvo de mais um mandado de condução coercitiva, desta vez o cumprimento era pela Polícia Federal, mas o “laranja” conseguiu escapar cedo. Vizinhos contaram que Zé saiu de bicicleta antes da polícia chegar. “Ele disse que estava indo para o sítio”, revelou um vizinho.

Por volta do meio-dia, o Portal A Crítica encontrou o flanelinha pelas ruas do bairro Morada do Sol, no Iranduba. Ele disse que é proprietários de duas empresas, uma de transportes e outra de materiais de construção, mas que só tem uma bicicleta e algumas roupas usadas. Ele também não soube informar quem pagou o advogado que o apresentou ao Gaeco, confessou que o pagamento do aluguel do quarto onde mora está atrasado há dois meses e disse que vai pagar quando receber o salário.

Zé mora em um quarto em uma pequena estância na rua Rio Madeira, próximo à sede do Ministério Público Estadual (MPE), medindo 12 metros quadrados que tem a porta fechada por uma corrente com um cadeado. Moradores do local disseram que, o vizinho passa o dia na rua em uma bicicleta velha recolhendo latinhas e vigiando carros. Pelo aluguel do quarto onde mora ele paga R$ 200 reais.

Documentos apontam ligação

Onze envelopes amarelos contendo documentos diversos, foram entregues na manhã de ontem, no Ministério Público do Município de Iranduba pelo vereador Irapuã Sampaio (PDT). De acordo com o parlamentar, os envelopes foram deixados durante a noite na porta da casa dele e encontrados pela manhã.

O envelope continha documentos diversos como certidões de FGTS, da Sefaz, recibos e notas fiscais de empenho, todos em nome da empresa Iranduba Comércio e Serviços de Construção Ltda. Os documentos estão com a assinatura  do caseiro do pai do prefeito afastado, Xinaik Medeiros, Jomar Contreira de Andrade, um dos sócios da empresa que prestava serviço à prefeitura.

Em depoimento aos  promotores do Gaeco, Jomar confessou ser o titular da empresa e que foi chamado pela sobrinha de Xinaik, Ângela Rayane do Amazonas. Ele disse que recebeu R$ 2 mil para assinar o tal documento e que continua trabalhando como caseiro recebendo salário de R$ 2 mil, sem ter carteira assinada. A empresa tinha contratos milionários com a prefeitura de Iranduba.

O sócio de Jomar na empresa é o flanelinha e catador de latas,José Odenilson Santana de Oliveira. O capital social da empresa é de aproximadamente R$ 1 milhão.

Verba  destinada para corromper vereadores

A investigação da Polícia Federal apurou que cada empresário  do setor do transporte escolar tinha que pagar uma parte do seu contrato ao secretário de finanças e depois este de posse desses valores destinava uma parte para as suas finalidades próprias e outras para corromper os vereadores.

PF desencadeou nova operação

Ontem (18), a Polícia Federal deu cumprimento a 13 mandados de condução coercitivas em Iranduba e dois em Manaus. Eles foram interrogados e liberados pelo delegado, Alexandre Teixeira que preside as investigações da operação Dízimos

A defesa da tesoureira do Fundo Municipal de Saúde, Nádia Medeiros, irmã do prefeito Xinaik, entrou com pedido de prisão especial para ela que é bacharel em matemática com uma exigência. Nádia queria ficar presa com o irmão no CPE.

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