Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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Cena inusitada: Enchente preocupa moradores, mas faz a alegria das crianças

Esta, que é a oitava maior cheia já registrada no Estado, deve chegar ao nível de, no máximo, 29,71 metros até o final de junho, conforme foi anunciado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM)



1.gif Natanael Aguiar aproveita a invasão das águas para pescar sardinha, matrinxã, piranha, jaraqui e outras espécies
10/06/2013 às 08:48

Apesar de estar num ritmo mais lento, a cheia do rio Negro deste ano continua e traz não só tristeza, mas também alegrias para quem mora em áreas mais baixas da cidade.

Enquanto na rua Frei José dos Inocentes, no Centro, Zona Sul, o funcionário público Willyson Gonçalves Marques, 35, reclama que a via começou a alagar depois do aterro promovido pela Marinha nas proximidades do 9º Distrito Naval, na rua Wilkens de Matos, no mesmo bairro, os meninos Pablo Miguel e Natanael Aguiar pescam sardinhas, piranhas, matrinxã e outros peixes que, segundo revelam, são fisgados no anzol, para a alegria deles.



Esta, que é a oitava maior cheia já registrada no Estado, deve chegar ao nível de, no máximo, 29,71 metros até o final de junho, conforme foi anunciado na última semana no Terceiro Alerta da cheia, feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Se chegar a este volume, ficará entre as três maiores, atrás da cheia ocorrida em 2012 - a maior de todos os tempos, com 29,92 metros -, e de 2009, quando a cota foi de 29,77 metros.

A Defesa Civil de Manaus já registrou um total de 14 bairros atingidos pelas águas, que são Morro da Liberdade, Educandos, Compensa, Mauazinho, São Raimundo, Glória, São Jorge, Colônia Antônio Aleixo, Aparecida, Centro, Raiz, Betânia, Presidente Vargas e São Geraldo.

Aterro

Segundo Willyson, morador da rua Frei José, desde 2011, após as obras de aterro feitas na área ocupada pela Marinha, a rua passou a alagar, porque as águas invadem a rua pela canalização do esgoto. Uma das primeiras construídas na cidade, com moradias antigas, a Frei José tem casas tombadas pelo patrimônio histórico, como é o caso da residência do servidor público, que lamenta ver aquela situação.

Mas quem está alegre com a enchente invadindo várias ruas do Centro, como a Wilkens de Matos, são os garotos Pablo Miguel da Costa Silva, 9, e Natanael Aguiar, 14, que agora passam os sábados e domingos pescando com anzol. A coleta é boa, segundo dizem, pois já pescaram sardinha, piranha, matrinxã, tucunaré, aracu, jaraqui, mandii, bodó e outros. “É muito divertido ficar aqui”, disse Pablo, que encontra minhocas para fazer iscas. Natanael garante levar os peixes maiores para casa e, se depender da vontade dele, a cheia pode continuar que assim a diversão está garantida.

Cheia atinge ruas no bairro da Betânia

No bairro da Betânia, Zona Sul, várias ruas já foram atingidas pelas águas da cheia, como a rua Independência. Mas o fato não preocupa moradores experientes, como dona Francisca Castro Moraes, 86. Moradora do local desde a década de 70, ela avalia que o ritmo lento do avanço das águas indica que esta cheia não será tão severa como a de 2012.

Para ela, que chegou a ver praias naquela área, hoje dá tristeza ver toda sujeira e destruição do igarapé. “Eu ainda lembro de ver os peixes brilhando nessas águas”, contou a moradora, que nadava e se divertia nas águas do Igarapé da Betânia.


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