Publicidade
Cotidiano
Notícias

Centro de Manaus: Perto da Copa e longe de um cartão-postal

Poder público virou as costas para a área que abriga cartões-postais como o Teatro Amazonas e boa parte da história de Manaus 25/05/2013 às 16:32
Show 1
Um dos gargalos na recuperação do Centro de Manaus é a ocupação de ruas e calçadas por vendedores ambulantes
Lúcio Pinheiro Manaus

Destino obrigatório de quem vier a Manaus durante a Copa de 2014 interessado não só em futebol, mais também na história da cidade, o Centro de Manaus está longe da imagem de um cartão-postal. A um ano do mundial, o único projeto de revitalização em andamento naquela área é tocado pelo Governo do Estado, se arrasta desde 2011, e a conclusão depende do que a prefeitura fará com os camelôs.

Manaus foi escolhida sub-sede da Copa de 2014 em junho de 2009. Sete meses depois, a Prefeitura de Manaus, então comandada por Amazonino Mendes (PDT), já concluía levantamento do número de vendedores ambulantes no Centro. A prioridade do ex-prefeito, quando se falava em organizar o Centro Histórico, passava pela retirada dos camelôs das ruas e calçadas. Ele foi eleito prometendo a construção de um shopping popular para acomodar esses vendedores.

O projeto do shopping popular de Amazonino foi barrado pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E a decisão de encontrar, ou não, outro espaço para os camelôs trabalharem que não as ruas e calçadas do Centro ficou para o prefeito que o sucedeu: Artur Neto (PSDB).

Uma praça

Em dezembro de 2011, o Governo do Amazonas lançou o programa “Cartão-Postal”. A ação previa a revitalização de lugares históricos de Manaus e de cidades do interior do Estado. Somente para capital amazonense, foram anunciados investimentos da ordem de R$ 11 milhões.

O valor investido na capital pelo “Cartão-Postal”, segundo o Governo, seria empregado, em parte, para revitalizar a avenida Eduardo Ribeiro, da Praça do Congresso até o Porto de Manaus. Com seis meses de atraso, apenas a recuperação da praça foi concluída. As outras ações de revitalização da Eduardo Ribeiro estão em curso, garante o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga.

Consulta feita pela reportagem no “Mapa Vivo de Obras” do Governo do Estado (www.sicop.am.gov) mostra que duas ações do Estado na Eduardo Ribeiro estão em andamento, porém já tiveram o número de dias para serem concluídas ampliado. E a fase que inclui o trecho entre a rua 24 de Maio e a avenida Sete de Setembro não sairá do papel enquanto os camelôs estiverem nas calçadas da via.

“O restante da avenida Eduardo Ribeiro depende dos camelôs. O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura (SEC) está integrado com o Implurb e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura, além da UGP da Copa do Estado e do município para que esses serviços, e outros, sejam feitos e concluídos antes da Copa”, declarou Robério Braga, por meio da assessoria de imprensa da SEC.

Abandono do Centro é histórico

O professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), doutor em Geografia Urbana, Geraldo Alves, diz que o movimento natural de fixar residências, negócios e instituições em instalações mais modernas explica em parte o abandono das áreas centrais das cidades. “Isso é histórico, e não é só em Manaus”, afirma o professor.

Alves ressalta que o que não pode é os governantes, nesse processo, virarem as costas para a história desses lugares. “A área central de Manaus foi muito abandonada. Passa de um gestor para o outro e o que temos assistido é uma coisinha ali, outra aqui. E nada de obra representativa”, comenta o doutor.

Secretaria para cuidar da revitalização

Em cinco meses de gestão, Artur Neto criou uma secretaria para tratar da “Requalificação do Centro” (Semex). Para o  coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa do Município (UGP-Copa), Bernardo Monteiro de Paula, a iniciativa já e suficiente para mostrar o compromisso da administração com o assunto. “A primeira demonstração clara dessa gestão de que quer a restauração do Centro, foi a própria criação da secretaria”, disse Bernardo. A primeira ação da Semex foi repetir o que a administração anterior fez: contar o número de camelôs nas ruas e calçadas do Centro. O titular da Semex, Rafael Assayag, se negou a falar com a reportagem sobre as ações da pasta.

Prefeito de Manaus - Artur  Neto (PSDB)

No dia 16 de maio, Arthur Neto prometeu investir R$ 35 milhões na recuperação do Centro Histórico. O recurso vai sair do PAC-Cidades Históricas. Segundo o prefeito, o projeto inclui a recuperação das praças Tenreiro Aranha, Matriz, Adalberto Valle e Remédios, além do Museu do Homem do Norte e o Cabaré Chinelo, na área do Paço Municipal e a Biblioteca Municipal. Quando foi prefeito de Manaus, entre 1989 e 1992, Artur Neto promoveu uma traumática retirada de vendedores ambulantes do Centro. De volta ao cargo, o tucano promete diálogo.

 

 

 

 

 

 

Publicidade
Publicidade