Terça-feira, 18 de Junho de 2019
APOIO

Centro de Reabilitação Ismael Abdel Aziz completa três anos de atuação no AM

Local oferece tratamento gratuito a dependentes químicos e tem capacidade para receber até 100 residentes. Homens são maioria e representam 80% das internações no centro



31/03/2017 às 14:39

Criado em março de 2014, o Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz (CRDQ) completa três anos de serviços prestados à sociedade. Localizado no quilômetro 53 da rodovia AM-010, o CRDQ oferece gratuitamente tratamento especializado em reabilitação da dependência química.

O tratamento ocorre por meio de internação. A diretora do Centro, Lourdes Siqueira, lembra que antes de procurar o atendimento no CRDQ, a pessoa deve se dirigir a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). São os Caps que avaliam cada caso, e a necessidade do dependente químico em passar pelo tipo de atendimento oferecido no CRDQ.

“O usuário vai chegar ao serviço por meio da rede psicossocial, por encaminhamento médico. Não podemos esquecer que esse serviço (do CRDQ) é o último recurso que o paciente deverá procurar na rede de saúde”, comenta Lourdes.

A diretora ressalta que, infelizmente, em todo o mundo, tem crescido o índice de pessoas dependentes de algum tipo de droga. Por isso, serviços gratuitos como o oferecido pelo CRDQ nunca foram tão necessários. 

“Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os dados do uso abusivo de álcool e outras drogas têm, infelizmente, aumentado. Então, a importância desse serviço, não só para o residente como para o familiar dele, é essencial”, afirma a diretora do CRDQ.

O modelo de tratamento do CRDQ envolve profissionais de várias áreas, como psiquiatria, psicologia, assistência social, educação física, pedagogia, nutrição, farmacologia e enfermagem, além de outros profissionais de áreas técnicas específicas.

Vida nova

Morador do município de Rio Preto da Eva, o aposentado Paulo Alfonso Sampaio, conta que quando procurou atendimento no CRDQ estava no fundo do poço, praticamente morando na rua. Para Paulo, após quatro meses de internação, foi possível entender a gravidade de sua doença, o que lhe tem ajudado a se manter, dia a pós dia, longe das drogas. 

“Estive em quatro clínicas de recuperação. Em nenhuma delas se prezou tanto pela saúde mental como aqui. O trabalho desenvolvido pelos psicólogos e psiquiatras me ajudou muito”, conta o ex-residente do CRDQ.

Fora do CRDQ, Paulo conta que aos poucos tem conseguido recuperar a confiança da família, e acima de tudo, a auto-estima. “Hoje eu não sinto mais medo, ando de cabeça erguida”, diz o ex-residente.

Residente no CRDQ há dois meses, Eduardo Xavier enxerga o tratamento como a oportunidade de reencontrar a vida que começou a abandonar aos 15 anos, quando usou drogas pela primeira vez. Segundo Eduardo, em 60 dias de internação, aos poucos, ele vem conseguindo recuperar o que a dependência lhe tomou, como o afeto da família.

“Eu era uma pessoa muito desacreditada na vida. Tinha muitos problemas pessoais com minha família. Nesses dois meses que estou aqui na instituição, já pude perceber uma grande mudança na minha vida. Hoje tenho as portas da minha casa abertas”, declara Eduardo.

CRDQ

O CRDQ tem capacidade para receber até 100 residentes. Os homens são maioria, representando praticamente 80% das internações. Atualmente o centro abriga 82 residentes, entre homens, mulheres e adolescentes.

Como parte complementar ao tratamento, são oferecidos cursos como o de panificação e confeitaria, corte de cabelo e oficinas de corte e costura, biojoias e artesanatos.

Durante a internação, os residentes também são estimulados a retomarem os estudos. Desse modo, o CRDQ oferece apoio pedagógico, além de aula de informática.


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