Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
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Chapa da oposição é eleita para o comando da comissão do impeachment

Único membro da bancada do Amazonas a fazer parte da Comissão Especial do impeachment, o deputado Silas Câmara (PSD-AM), que estava nas duas chapas concorrentes, disse que o resultado da eleição foi uma derrota do governo e já era previsível



1.jpg Confusão no plenário da Câmara atrasou o início de votação da comissão do impeachment. Na foto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conversa com parlamentares
08/12/2015 às 18:21

Com uma diferença de 73 votos, a Chapa 2 – Unindo o Brasil, formada pelos partidos de oposição e deputados dissidentes da base aliada, derrotou a Chapa 1, tida como “chapa branca”, que teve indicações dos líderes partidários para compor a Comissão Especial que vai analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foram 272 votos contra 199.

Nenhuma das duas chapas estava completa, por isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), convocou eleição suplementar para amanhã, quarta-feira (9). A sessão ordinária será aberta às 14h, mas a votação para eleger 26 membros titulares e 42 suplentes só deverá ocorrer no final da tarde. A Comissão Especial do impeachment deve ter 65 titulares e 65 suplentes.  



Único membro da bancada do Amazonas a fazer parte da Comissão Especial do impeachment, o deputado Silas Câmara (PSD-AM), que estava nas duas chapas concorrentes, disse que o resultado da eleição foi uma derrota do governo e já era previsível. “A forma como foi construído os entendimentos pelas lideranças partidárias, não respeitou as bancadas. Esse resultado é sinal da revolta das bancadas parlamentares, afinal de contas não se indica deputados para uma comissão como essa sem entendimento sem representatividade. E as bancadas não se sentiram representadas nas escolhas que foram feitas no Palácio do Planalto, todo mundo viu os líderes da base aliada checando listas. E a Câmara resolveu dizer que quem manda na Câmara são os deputados. Tomara que o governo aprenda porque isso é só o começo”, disse Silas.

 Questionado sobre como votou, já que estava tanto na Chapa 1 e quanto na Chapa 2 (suplente de uma das vagas do PSD), Silas Câmara disse que votou na chapa oficial (1) e que a presença nas duas listas revela a confiança que o partido tem nele. “O PSD me convidou por conta do meu equilíbrio, firmeza e isenção, assim como a chapa opositora o fez pelos mesmos motivos. Agora, vai haver o julgamento de um procedimento (análise sobre a denúncia e o pedido de impeachment de Dilma) e quem me convencer, levará meu voto”, complementou o deputado. Silas tem dito que é contra o impeachment da presidente porque ela foi eleita pelo voto e somente pelo voto deve deixar o cargo.

 Críticas governistas

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), fez duras críticas ao sistema de votação usado para eleger a Comissão Especial. “Esta vitória que a oposição obteve foi construída por mudanças de regras. É uma vitória que não atinge os objetivos da oposição, que quer construir votos para o impeachment da presidente”, disse Guimarães. Para que o processo de impeachment seja aprovado, são necessários 342 votos (2/3 dos deputados).

 Guimarães acusou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de cometer ilegalidades ao definir o processo de eleição. “A primeira ilegalidade é política. Nós enterramos o papel do Colégio de Líderes, na medida em que o líder não pode mais indicar nada, tudo que é decidido em Colégio de Líderes é depois alterado pelo presidente da Câmara em conluio com a oposição”, esbravejou o líder. O líder governista também criticou a votação secreta. “Estou confiante que o Supremo Tribunal Federal reverta essa decisão.”

Líderes do Amazonas

Os líderes amazonenses de partidos de oposição no Congresso Nacional comemoraram o resultado da eleição.  Vice-líder da minoria, o deputado Arthur Bisneto (PSDB-AM) disse que a vitória da Chapa 2 reflete o sentimento do plenário. “Os líderes da outra chapa (1) erraram em não avaliar o sentimento dos deputados. Essa é hora de reunir a bancada, tomar a posição majoritária e a partir daí tomar uma decisão. Houve um erro da outra chapa, como o PDMB do (Leonardo) Picciani (líder do partido), que quis empurrar todos os governistas dentro de uma chapa, quando o PMDB está praticamente rachado ou com a maioria favorável ao impeachment. Portanto, foi um resultado justo da chapa que melhor vai representar nesse momento o sentimento popular em relação ao impeachment”, declarou Arthur Bisneto.

 O líder da oposição no Congresso Nacional, deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), citou o trabalho de articulação política junto aos deputados que resultou na eleição da Chapa. Ele criticou a Chapa 1 e classificou-a de “chapa branca”. “É uma vitória importante e a primeira de uma série que virá. Tenho certeza de que essa vitória vai se refletir dentro da Comissão Especial que acolherá o pedido de impeachment da presidente”. Pauderney está confiante de que haverá recesso partir de 23 de dezembro e os trabalhos da Comissão Especial só serão reiniciados em fevereiro ou março de 2016.   

Vagas remanescentes para completar a Comissão Especial do impeachment da presidente Dilma que serão escolhidas amanhã (quarta-feira,9) em votação suplementar.

 PMDB - 2 suplentes

PP – 2 suplentes

PTB – 3 suplentes

PRB – 2 titulares e 2 suplentes

PSC – 2 suplentes

PEN – 1 suplente

PMN – 1 titular e 1 suplente

PTN – 1 titular e 1 suplente

PT – 8 titulares e 8 suplentes

PR – 4 titulares e 4 suplentes

PSD – 2 suplentes

PROS – 2 titulares e 2 suplentes

PCdoB – 1 titulares e 1 suplente

PSB – 4 suplentes

PV – 1 titular e 1 suplente

PDT – 2 titulares e 2 suplentes

PSOL – 1 titular e 1 suplente

PTC – 1 titular e 1 suplente

PT do B – 1 titular e 1 suplente

REDE – 1 titular e 1 suplente



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