Publicidade
Cotidiano
GASTRONOMIA

Chef Cléo Ressetti destaca a importância de consumir e valorizar a culinária regional

Em suas viagens pelo país, através da consultoria prestada pelo Sebrae, em que ensina a desenvolver pratos com peixes da Amazônia, ela conta se que sempre reforça o poder da gastronomia local 03/03/2018 às 11:19 - Atualizado em 04/03/2018 às 07:41
Show vida0504 1f
Cléo ministra cursos para auxiliares de cozinha de diferentes estabelecimentos (Foto: Divulgação)
Alexandre Pequeno Manaus (AM)

“O peixe tem que fazer parte da refeição do brasileiro. Temos que acabar com o mito de que o peixe é caro e só comido de vez em quando”. A afirmação é da chef de cozinha curitibana Cléo Ressetti, que, desde 2007, se esmera em valorizar e difundir a culinária brasileira, em especial a amazônica, seus sabores, temperos e texturas. Cléo também ministra cursos para auxiliares de cozinha de restaurantes, hotéis, estabelecimentos comerciais e comunidades de mulheres, ensinando diferentes formas de preparo de peixes de água doce, incluindo o grande pirarucu.

Ter em mãos um ingrediente ainda pouco encontrado fora da região Norte do país fez com que a chef desenvolvesse uma série de receitas e formas diferentes de apreciar a iguaria. Em suas viagens pelo país, através da consultoria prestada pelo Sebrae, em que ensina a desenvolver pratos com peixes da Amazônia, ela conta se que sempre reforça o poder da gastronomia local.

“Sempre quando vou dar um treinamento ou curso, deixo bem claro e enfatizo para que as pessoas entendam que elas têm que ser barristas mesmo, isto é, dar valor ao que você tem, na sua cidade, bairro. Aqui no Brasil, somos um povo rico e temos que prestigiar mais o nosso país”, enfatiza a chef.

“Dou treinamento a ribeirinhos e, muitos deles, não sabem aproveitar 100% o peixe. Tento explicar e ensinar que do peixe se aproveita tudo: pele, escamas, carcaça”, complementa.

“Tudo que se faz com carne vermelha e frango, pode se fazer com o peixe. Eu falo isso e provo nas minhas aulas. Faço quibe de peixe, nugget, almôndega, bolinhos, pastel, fishburger. Tenho a esperança que um dia o peixe seja cada vez mais inserido e que os brasileiros comam peixe pelo menos duas vezes”, exemplifica.

Descobertas amazônicas

Em passagem por Manaus há algumas semanas, ela revela algumas novas paixões que conheceu. “Estive pela primeira vez em Manaus e me apaixonei. Não conhecia o tucupi, a pupunha que é fantástica e até trouxe um pacote, pois ela lembra algumas castanhas que comi fora do Brasil. Fiquei encantada com os diversos sucos. Quando usamos os produtos que a nossa terra oferece, não precisamos mais de nada”, afirma.

Experiência na Europa

Em viagem pela Itália para estudar, a chef relata um episódio que lhe deixou extremamente frustrada com a visão externa sobre a culinária brasileira.

“Prestei trabalho a um restaurante chamado Aquarela do Brasil, que tinha sido montado por um brasileiro. Porém, eles venderam o restaurante para empresários sicilianos e acabei sendo contratada para trabalhar lá e fazer comida típica brasileira. Cheguei lá e fiquei frustrada, pois, eles serviam pão de queijo de entrada, faziam um mix de carnes de porco, linguiça e frango para a pessoa comer com um espeto, além de bobó de camarão, moqueca e feijoada”, relata.

“Falei para eles que nós não tínhamos somente aquilo, e que o Brasil era um país rico de peixes e que lá não tinha”, complementa. “Percebi que nosso país não possui grande expressão na área da gastronomia fora do país. Eles lembram do vatapá, acarajé e feijoada. Tento sempre fazer os pratos típicos brasileiros e as pessoas ficam encantadas. Consegui implantar naquele restaurante pratos de outras regiões do Brasil”, finaliza.

Publicidade
Publicidade