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Cotidiano
SAÚDE

Chega ao mercado brasileiro nova opção de tratamento para pessoas com obesidade

Medicamento Saxenda é o primeiro análogo do hormônio natural GLP-1, responsável por diminuir a fome e aumentar a saciedade 18/09/2016 às 16:57
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Divulgação
Rosiel Mendonça* São Paulo (SP)

Se você acha que a obesidade é só uma consequência de quem come muito e tem um estilo de vida sedentário, está mais do que na hora de rever os seus conceitos. Há algum tempo, tanto a Organização Mundial da Saúde quanto as associações médicas vêm batendo na tecla de que o excesso de peso se trata de uma doença crônica e recorrente, influenciada por múltiplos fatores: genéticos, fisiológicos, ambientais e até psicológicos. 

A grande questão é que essa doença atualmente afeta 600 milhões de pessoas, que também passam a estar suscetíveis a uma série de problemas associados à obesidade, como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e certos tipos de câncer. Para quem se vê diante do desafio de controlar o excesso de peso, uma nova opção de tratamento acaba de chegar ao mercado brasileiro.

Desenvolvido pelo laboratório Novo Nordisk, Saxenda (liraglutida 3 mg)  é o primeiro análogo do hormônio natural GLP-1 aprovado para o tratamento da obesidade no Brasil, liberado pela  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para controle de peso em adultos, em complemento a uma dieta com redução calórica e aumento da atividade física.  

“A chegada de Saxenda ao mercado representa uma inovação no tratamento da obesidade no País – que, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, já conta com mais da metade (56,9%) da população acima do peso – destes, 20,8 % com obesidade”, afirma  a Gerente Médica de Obesidade da Novo Nordisk, Rocio Riatto Della Coletta.

Aumentando a lista de medicamentos destinados à regulação do apetite em adultos, Saxenda veio a se somar a fármacos alternativos como a Sibutramina e Orlistat. A novidade foi apresentada pela farmacêutica global durante evento em São Paulo.

Segundo Rocio Della Coletta, a eficácia do novo medicamento foi atestada a partir do estudo SCALE, o maior programa clínico sobre obesidade já realizado no mundo. “Os pacientes apresentaram perda de peso média de 9%, além de uma redução média de 8,2 cm na circunferência abdominal. Houve também melhora significativa nos fatores de risco cardiometabólicos e na saúde física geral”.

O Saxenda tem como princípio ativo a liraglutida, que imita a ação de uma substância naturalmente produzida pelo corpo, o hormônio GLP-1, responsável por diminuir a fome e aumentar a saciedade. Em formato injetável, o remédio é indicado como tratamento auxiliar para pessoas com IMC a partir de 30 kg/m² (obeso) ou a partir de 27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada.

O remédio começou a ser comercializado neste segundo semestre em um sistema de aplicação ajustável que libera doses progressivas, com limite de 3 mg, o que ajuda a diminuir efeitos colaterais como náusea. O preço varia entre R$ 668 a R$ 742 por caixa (com três canetas cada).

Aqueles 10% que fazem a diferença

Para quem se vê diante do desafio de se livrar do peso extra,  o corpo enxuto de uma Gracyanne Barbosa não necessariamente precisa ser um ideal a ser alcançado. Segundo o Dr. Márcio Mancini, médico do Hospital das Clínicas e consultor da empresa farmacêutica Novo Nordisk, benefícios significativos para a saúde já podem ser alcançados com uma perda de 5% a 10% do peso – mesmo que o índice de massa corporal (IMC) indique que a pessoa ainda tenha obesidade ou sobrepeso. 

Uma vez alcançados esses níveis, o indivíduo começa a apresentar níveis melhores de colesterol e glicose no sangue, além de melhoria na função respiratória e pressão arterial. “A prática de atividades físicas também tem impacto positivo, diminuindo os riscos cardiometabólicos de pessoas com obesidade, independente da perda de peso”, afirma ele.

De acordo com o especialista, os efeitos benéficos da perda mínima de 5% vêm sendo comprovados por uma série de estudos nos últimos anos, que destacam a importância do emagrecimento gradativo. Assim, em vez de emagrecer muito de uma vez só, é preciso dar tempo para o organismo restabelecer o equilíbrio metabólico perdido.

* O repórter viajou a convite da Novo Nordisk

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