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Chico Preto critica grupo político comandado pelo senador Eduardo Braga (PMDB)

O deputado justifica sua saída do Partido Social Democrata (PSD) dizendo que o ‘palanque apodreceu’ e que não tinha espaço no partido para disputar a eleição ao Governo 26/10/2013 às 17:49
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Na entrevista, Chico Preto afirma que "não tem obrigação nenhuma de permanecer num palaque que apodreceu por inteiro"
Sara Matos Manaus (AM)

Presidente do PMN no Amazonas, o deputado Chico Preto afirmou que deixou o PSD porque ele não tinha espaço no partido para disputar a eleição ao Governo Estadual em 2014 e sequer era ouvido. Disse também que rompeu com o grupo político comandado pelo senador Eduardo Braga (PMDB), pré-candidato a governador, porque o palanque do ex-mentor apodreceu ao longo do tempo. “Eu resumiria: quer conhecer a pessoa dê poder a ela”, disse o parlamentar em entrevista para a A CRÍTICA. Leia a seguir trechos da entrevista concedida pelo deputado.

O senhor agora é líder do PMN, como foi essa transição?

 Estamos assumindo o partido agora, tomando conhecimento da sua situação. A transição não ocorreu como nós esperávamos. O certo seria uma transição baseada em conversas, mas eu respeito as decisões daqueles que hoje estou sucedendo. O partido tem contas em atraso junto à Justiça Eleitoral. Tudo isso está sendo alvo de investigação da nova executiva e vamos superar essas questões fundamentais para que a agremiação esteja pronta para o processo eleitoral porque partido que não quer está pronto para o processo eleitoral não é partido.

Quais as suas metas para as eleições de 2014?

Nós vamos focar em todos os níveis de eleição. Só não consigo dizer se o PMN terá candidato à Presidência da República, mas no Amazonas temos um foco muito claro  que é o de ter candidatos de governador  a deputado estadual. Nesse momento se conversa e se ouve muito. Temos conversado com partidos de todas as matizes ideológicas. Só não vemos chance de conversar com os partidos que têm uma posição definida em torno da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Vamos trilhar outro caminho.

Sua pré-candidatura ao governo é para valer?

Meu nome está no PMN, mas não queremos cometer o equívoco de outros partidos, que lançam somente um nome sem discutir  com os outros membros da legenda. Se o PMN entender que o meu nome é o nome e no momento certo divulgar, eu quero poder com muita ousadia, vibração e compromisso acima de tudo trabalhar por esse Estado e mostrar que podemos mais.

O seu nome é o mais forte dentro da legenda?

Seria muita pretensão minha dizer que é o mais forte. Eu não vou ser vencido pela arrogância. ´É é isso que estou falando. É um caminho que outras agremiações trilham. Não vamos trilhar ele. Desse caminho eu já me afastei.

Como está a sua relação com o governador Omar Aziz?

Minha relação com ele é muito boa. É uma relação aonde as diferenças de opiniões foram sempre resolvidas por meio do diálogo. Omar está fazendo um bom governo, um governo diferente. Ele sempre me deu a oportunidade de discutir o governo dele.

E a sua relação com o prefeito Arthur Neto?

É uma relação tranquila, não é tão próxima como a relação com o Omar, até porque pouco tempo atrás eu estava filiado ao PSD e o PSD apoiava outro grupo.

Como foi a sua saída do PSD?

O partido entendeu que era o caminho que eu precisava trilhar nesse momento. Não houve briga. Houve a compreensão de que a atitude é legítima. Houve o entendimento de que um agente político queria percorrer um caminho onde não havia espaço para duas pessoas. Ou seja, a capacidade de ter um candidato ao governo só cabia a uma pessoa. No PSD não havia espaço naquele momento e isso é natural. Porém, não podia fazer um haraquiri (ritual japonês de suicídio) nos meus sonhos, ideias, os sonhos que representam também toda uma geração de homens e mulheres na minha faixa etária que se prepararam, estudaram e procuraram conhecer o Amazonas e contribuir de alguma forma com o crescimento e fortalecimento do nosso Estado.

O senhor disse que chegou a se sentir numa zona de desconforto. Explique.

O desconforto acontece quando você está num partido onde você tem com o que contribuir e o partido não ouve. O Omar, que é o presidente do partido, concordando ou discordando sempre me deu a oportunidade de expressar aquilo que pensava. Eu mesmo refiz opiniões depois desses confrontos de ideias. Penso que política é isso, um diálogo entre duas pessoas. Você constrói política dessa maneira, o difícil é quando você está num partido onde você é só comunicado das coisas e você que se preparou, enfrentou diversas situações, adquiriu experiências, simplesmente não é ouvido. Isso cria um desestímulo, um desconforto, não só para mim, mas para outros tantos, que ao longo dos últimos anos vêm se afastando do processo político por causa de coisas assim.

Na sua opinião, porque as coisas caminham para isso?

O problema é que no processo político aqueles que se dominaram pela arrogância, se tornaram professores de Deus, é como se dissessem: me tornei professor de Deus, agora dou aula para Deus. É difícil conversar com essas pessoas. E, elas não sabem ouvir, afastam as pessoas que acreditam no processo político. E ainda falando do meu desconforto, vinha também das coisas que eram ditas, e feitas de formas diferentes. O desconforto ficou muito intenso por conta disso, ainda assim eu procurei respeitar aquilo que as urnas disseram. Afinal, eu subia no palanque, nunca tive medo de me expor, de assumir compromissos, lutei para que o conjunto de propostas que fora postas fossem cumpridas, me mantive coerente a ele.

Mas chegou uma hora que não deu mais para se manter?

Eu sempre procurei focar no que era o mais importante e a conclusão desse projeto sonhado para o Amazonas era o mais importante, acho covardia você ser eleito num palanque e depois não valorizar o conjunto de propostas dele. Porém, há uma exceção. Você não pode permanecer. Não tem obrigação nenhuma de permanecer num palanque que apodreceu por inteiro. Eu me mantive fiel. Não fui eu que mudei, continuo focado.

E o rompimento com o senador Eduardo Braga como se deu?

Eu já coloquei tudo o que penso. Os nomes que estão postos para uma sucessão faz a gente correr o risco de resgatar o processo político onde nada se discute, tudo se impõe, eu não vou estar num palanque que apodreceu ao longo dos anos. É o mesmo palanque que vem cometendo ao longo dos anos os mesmos erros que eram criticados de forma veemente. Não dá. Não tenho mais razões. Tenho motivações suficientes para participar de um debate, mas de um debate onde as oportunidades sejam para mostrar um novo caminho, de que nós não precisamos reeditar um palanque que apodreceu ao longo dos anos. Eu resumiria: quer conhecer a pessoa dê poder a ela.

Quando o senhor fala de nomes postos se refere ao vice-governador José Melo?

Não. Refiro-me ao senador Eduardo Braga. 

O senhor não tem medo de levar uma pernada no PMN?

Tenho uma relação muito franca e aberta com a executiva nacional. Quando estive com eles, saí de lá com o compromisso de levar o PMN para outro patamar. Vou me empenhar muito para isso. Ano que vem será um momento bonito para a legenda. Queremos discutir um Amazonas mais vibrante, ousado, considerando todo o esforço que o Governador tem feito em colocar “alma” no seu governo e é isso um governo precisa ter alma.

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