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Chico Preto: ‘Estou disputando para ganhar, não para fazer cena’

O candidato ao Governo do Amazonas, Chico Preto , fecha hoje a série de entrevistas com os candidatos a governador realizada pelo A CRÍTICA falando de seus planos e explicando porque, agora, faz oposição ao governo 07/09/2014 às 14:19
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Marco Antônio Chico Preto tem 45 anos e já ocupou cargos de vereador, secretário de Estado e deputado estadual. Atualmente, ele está em seu segundo mandato na ALE
Lúcio Pinheiro Manaus (AM)

O deputado estadual Marco Antônio Chico Preto (PMN) fecha hoje a série de entrevistas que o jornal A CRÍTICA realizou com os sete candidatos ao Governo do Amazonas.

De defensor do modo de administrar do atual grupo que governa o Estado, Chico Preto vestiu, há uma ano, a camisa de oposição na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM).

De lá para cá, vem apontando falhas nas administrações dos ex-aliados, e, como candidato ao governo, diz querer nomes como Eduardo Braga e José Melo longe do Palácio do Governo. A seguir, trechos da entrevista.

Há até um ano, o senhor participava do Governo do Amazonas e comungava das ideias e dos ideais do senador Eduardo Braga (PMDB) e do governador José Melo (Pros). O que lhe afasta deles hoje?

Saí do PMDB em 2009. Então, meu afastamento com o Braga não é tão recente. Braga era governador do Estado (em 2009). Não esperei ele sair do governo para depois sair. Convergi com o Omar (Aziz - PSD, ex-governador) por determinado momento, por acreditar que ele faria algo diferente do Braga. Mas o Omar fez da mesma forma, salvo em setores como a Segurança Pública, mas depois perdeu a gestão desse processo.

Ele não fez algo de diferente em relação ao Braga. Manteve o Eron (Bezerra, ex-secretário de Produção Rural), manteve a partidarização (nas secretarias), não aumentou os recursos da secretaria de Produção (Rural). A ideia pedagógica da Educação se resumiu a construir escolas. Não houve a ousadia do Omar em fazer diferente em muitas áreas.

Na saúde, houve intensificação do processo de terceirização. O errado não fui eu que acreditei. Tentei e defendi várias vezes aquilo que eu pensava. Mas quando a gente percebe que não tem como modificar isso por dentro, tem que fazer como fez o Eduardo Campos. Até um ano atrás ele estava dentro do governo da Dilma (Roussef - PT, presidente da República). Quando ele entendeu que poderia trilhar um outro caminho, oferecer uma alternativa ao Brasil, saiu.

Eu saí de cabeça erguida e pela porta da frente. Minha relação política com Omar e com o Braga se deu sempre em torno de ideias. E nunca me faltou coragem para defender o que eu acreditava. Nossa candidatura é levada no peito e na raça e de forma independente.

O que o Estado perde se José Melo for reeleito governador?

Não vejo o Melo com pulso para fazer as mudanças que esse Estado precisa. Vejo o Melo com vários compromissos já assumidos pelo tamanho da campanha. Isso vai fazer com que ele repita a mesma forma.

O Melo foi secretário de Governo do Braga. Secretário de Governo tem o poder de influenciar e de adaptar políticas públicas em determinado momento. E o Melo, tanto como secretário e como vice-governador, não influenciou e não induziu mudança de comportamento nenhuma. Pelo contrário, repetiu o comportamento. Então, não vejo o Melo com a vitalidade necessária para fazer as mudanças que o Amazonas precisa nesse momento. Você não vê nada de novo, ousado, nas propostas dele.

O senhor diz representar uma nova forma de caminhar na política, mas sua ida para o PMN, se transformando em cacique e se colocando como principal candidato da legenda não é uma forma velha de caminhar na política?

Não tem cacique no PMN. É um partido que procura se reorganizar no Estado.

Com se deu sua entrada no PMN?

Eu saí do PSD por discordância. Fui a São Paulo, conversei com a legenda e me coloquei à disposição para um propósito, que era o de ser candidato ao governo. Assumi o PMN com esse compromisso de começar a construir uma nova via, uma alternativa para o Amazonas. Isso é o que nos move.

O senhor fez uma comparação com Eduardo Campos. Ele era um candidato que não tinha nada a perder nessa eleição. Além de uma possível reeleição para deputado estadual, o que mais o senhor tem a perder se não for eleito?

A política não tirou a minha honra, os meus sonhos. Aliás, o processo político só reforçou essa ideia de persistir na política. Entendendo que a política é o caminho onde você pode tomar decisões e construir, ao lado de pessoas que acreditam também nisso, esse caminho. E motivar as gerações que vêm depois de mim. Algo que o grupo que me afastei não acredita. Se acreditasse no processo de renovação, a gente já estaria vendo isso aí. Há uma resistência muito grande à renovação. E ela é maléfica ao processo de renovação de ideias. Agora, estou disputando para ganhar. Não estou disputando para fazer cena.

O senhor acredita nas pesquisas? E se acredita, como pretende melhorar seu desempenho nelas?

As pesquisas dão um recall de quem tem o nome mais lembrado. Mas acho que a população não consegue enxergar quem é o melhor. A pesquisa diz quem foi o mais comentado nos últimos anos. Esse desafio a gente enfrenta. O debate serve para equalizar. A oportunidade que os meios de comunicação dão serve para equalizar, para chamar a atenção para uma nova forma de caminhar que está sendo apresentada.

É possível governar sem distribuir cargos com partidos aliados?

Setores estratégicos do Estado não sofrerão a discussão partidária. Produção, secretaria de Fazenda, Educação, Saúde, precisamos de gestão técnica, precisamos de resultado. A contribuição partidária pode vir em outras áreas, mas em áreas estratégicas não podemos ter gestão partidária.

Que avaliação o senhor faz da administração de Artur Neto em Manaus, onde está concentrado mais de 50% do eleitorado do Estado?

Terei toda a maturidade e responsabilidade para discutir com o prefeito Artur as prioridades que Manaus precisa. As nossas divergências ficarão em 10º plano. Não deixo de reconhecer que o Artur tem boas iniciativas à frente da prefeitura.

O que o senhor diz do prefeito afirmar que o candidato José Melo é o único que, no governo, pode ajudá-lo a administrar Manaus em paz?

Vejo que ela (declaração) se funda muito mais naqueles R$ 100 milhões que o Melo deu para ele resolver problemas na cidade, do que propriamente algo que o Artur acredite piamente. Se ele só enxergasse no Melo, não teria me ligado para pedir para conversar com ele para podermos traçar estratégias em comum. A declaração dele era muito mais o momento, que ele precisava da estrutura do Melo e do Omar para fazer uma coligação para viabilizar a eleição do Artuzinho (deputado estadual Arthur Bisneto – PSDB, filho de Artur), do que propriamente algo que ele acredite. Fez a declaração mais para massagear o ego do Melo.

Antes das candidaturas se definirem, o senhor, a deputada federal Rebecca Garcia (PP), o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) e o vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão (PPS), acenaram com uma união nessas eleições. O que deu errado?

Uma tentativa foi feita. Mas essa tentativa dependia do consenso. Não encontrando consenso, cada um segue seu caminho. E eu, sem contradição, sigo o meu.

Qual era o objetivo dos senhores?

Era uma chapa majoritária, com os três cargos: governador, vice e senador. Mas cada um tomou o seu caminho.

O que representa essa candidatura para o senhor?

Nossa caminhada traz um sentimento brasileiro, amazonense, de um jovem que não desistiu de seu Estado. De um amazonense que acredita no Amazonas, que as pessoas, de forma silenciosa, mostrarão aquilo que pulsa nas veias e que bate forte no coração dos amazonenses, que é o desejo de renovação, desejo de mudança. E que a nossa caminhada está conseguindo comunicar isso. O que nos move também para uma candidatura majoritária é organizar a estrutura do Estado para ir ao encontro de um componente que é a família amazonense. 

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