Terça-feira, 23 de Julho de 2019
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Cientista político vê acomodação nas propostas dos candidatos ao governo do Amazonas

A análise do cientista social Marcelo Seráfico é a de que tanto Eduardo Braga quanto José Melo representam o conservadorismo



1.jpg O município de Coari (distante 363 quilômetros de Manaus), apesar da riqueza oriunda da exploração de petróleo, possui baixos indicadores sociais
26/10/2014 às 07:32

Seja qual for o resultado das eleições de hoje para o governo, o Amazonas caminhará para mais quatro anos de “extremo conservadorismo” e de “profunda acomodação política” no que diz respeito ao desenvolvimento econômico.

A avaliação é do cientista social Marcelo Seráfico. E parte, segundo ele, da ausência, tanto na campanha de Eduardo Braga quanto na de José Melo, de propostas que possam representar alguma alternativa ao atual cenário.

“Os dois candidatos disseram mais pelo silêncio do que propriamente pelo que afirmaram na campanha. Nenhum dos dois candidatos apresentou qualquer proposta de alternativa econômica a isso (dependência de repasses governamentais e da Zona Franca de Manaus)”, afirma Seráfico.

Segundo o estudioso, os representantes do povo do Amazonas - seja no Executivo ou no Legislativo -, não sabem sequer o que fazer nem com a riqueza produzida pela Zona Franca de Manaus (ZFM).

“Sequer disseram (ao longo da campanha) como, a partir da riqueza gerada pela Zona Franca, seria possível fazer algo a mais. Isso é muito grave”, comenta Seráfico.

Para o estudioso, com o que se viu - ou melhor, não se viu na campanha, mostra que, tanto Braga quanto Melo estão alinhados com acomodação política e o conservadorismo.

“Isso quer dizer que nós teremos mais quatro anos de extremo conservadorismo. De profunda acomodação política, o que já existe, não é nenhuma novidade”, avaliou Seráfico.

Para o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o ponto de partida para qualquer projeto econômico seria uma discussão democrática com a sociedade amazonense.

“Para saber o que o povo, as várias regiões do Estado necessitam e como, aliado em estratégias de produção e distribuição do que é produzido, é possível superar essas necessidades. Esse é um debate que os candidatos poderiam fazer tranquilamente”, disse Seráfico.

Seráfico lembra que o Estado possui uma série de atividades econômicas já com algum grau de desenvolvimento, mas que, por negligência dos governantes, não se traduziram ainda em melhorias da qualidade de vida da população.

Como exemplo, Seráfico cita os casos de municípios como Coari (exploração de petróleo), Presidente Figueiredo (exploração de minério) e Itacoatiara (exploração de madeira). “Então, tem uma série de atividades já em desenvolvimento que não resultaram na melhoria da condição de vida de ninguém”, afirma Seráfico.

De acordo com o cientista social, se a situação do interior é difícil, em Manaus, a dinâmica econômica também não beneficia a maioria da população.

“É extremamente concentradora. Então, tem o problema aí da acomodação. Aquelas camadas da sociedade que ganham com essa dinâmica não têm o menor interesse em mudar isso”, avalia Seráfico, completando: “O que é preocupante é que parece que os candidatos representam essas camadas, na medida em que não apresentam nenhuma perspectiva de alteração desse quadro”.

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