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Cotidiano
LIXÕES POLUEM RIOS

Cinco municípios do interior têm lixões a céu aberto em áreas sujeitas a alagação

Cheia empurra todo o lixo acumulado para os rios e igarapés e acende alerta para surto de doenças hídricas 28/09/2017 às 21:16 - Atualizado em 29/09/2017 às 08:24
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Careiro da Várzea é uma das cidades onde o lixão fica debaixo d’água (Foto: Arquivo/AC)
Isabelle Valois Manaus (AM)

O Plano Estadual de Resíduos Sólidos, apresentado ontem pelo Amazonas, sete anos após a publicação da lei que institui a obrigatoriedade dos estados e municípios formularem seus projetos, alerta para o risco de surtos e até epidemias de doenças de veiculação hídrica, já que  pelo menos cinco municípios do interior mantêm lixões a céu aberto em áreas que, durante a cheia, ficam alagadas, “empurrando” todo o lixo acumulado durante o ano para os rios e igarapés. 

De acordo com o documento elaborado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), uma área de 15,42 hectares nos municípios de Anamã, Barreirinha, Careiro da Várzea, Manaquiri e Nhamundá são ocupadas pelos lixões municipais e estão sujeitas a alagações durante o período de cheia, “acendendo” o alerta para problemas de saúde e para a poluição ambiental. 

“Há um problema da destinação final inadequada que precisa urgentemente ser superado. Não temos nenhum aterro licenciado no interior do Estado. Nossa avaliação é que todos estão inadequados. Nossos lixões do interior são pequenos, com uma geração média de 20 toneladas de lixo por dia, mas são problemas que muitas vezes são potencializados por eles estarem em áreas frágeis, como em cursos d’água”, alertou o titular da Sema, Antonio Stroski.

Esses cinco municípios onde os lixões ficam em área sujeitas a alagações estão entre os 57 municípios do Estado que ainda possuem lixões a céu aberto. Apenas Boca do Acre e Tefé possuem aterro controlado e só Manaus conta com um aterro licenciado, como prevê a legislação. 

Ontem, a Sema apresentou o Plano Estadual de Resíduos Sólidos, que ainda não tem prazo para ser implementado em todo o Estado. Conforme a Sema, no Amazonas existem aproximadamente 395,95 hectares de área degradadas por lixões e aterros. As prefeitura apontam como obstáculos a falta de recursos e de “apoio” do governo federal para que consigam cumprir a meta.  “Cada município irá elaborar o próprio plano conforme suas particularidades. As prefeituras estão com um desafio de ajustamento de conduta”, afirmou Stroski. 

Coleta seletiva

Além do lançamento do Plano Estadual de Resíduos Sólidos, a Sema também entregou aos 13 municípios pertencentes à Região Metropolitana de Manaus (RMM) o Plano de Resíduos Sólidos e Coleta Seletiva da Região (PRSCSR), também lançado ontem.

Conforme levantamento da secretaria, foram identificados 1.120 catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis em 16 municípios do Amazonas, sendo que 643 destes estão espalhados pelos 13 municípios da região metropolitana. 

Conforme a Sema, após identificados os catadores, a secretaria realizou levantamento de manejos, informações sobre os materiais recicláveis, preço e forma de comercialização, compradores e logística de envio dos materiais. Todos esses dados foram entregues aos municípios para que eles possam buscar estratégias na elaboração do planos municipais.

Resíduos de Saúde

O Plano estadual de Resíduos Sólidos revelou que  94% dos Resíduos de Serviço de Saúde (RSS) gerados no Amazonas estão concentrados na capital, Manaus, onde ficam as principais unidades de saúde. 

Os municípios da Região Metropolitana respondem por 2% dos RSS do Estado e, os demais municípios do interior são responsáveis por 4%. A Sema apontou “fragilidades” na implementação da gestão dos RSS, especialmente no interior, onde  muitos descartes ocorrem em valas e pátios dos estabelecimentos ou nas lixeiras municipais, quando deveria ser incinerado de forma adequada.

PIM gera mais de 620 ton/dia

O Polo Industrial de Manaus (PIM) gera, em média, 629 toneladas de resíduos sólidos por dia,  dos quais 120 toneladas são de resíduos perigosos, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

Resíduos sólidos industriais são de responsabilidade dos geradores, no entanto, o sistema de gerenciamento e manejo deles ainda precisa de aprimoramentos, segundo o relatório da Sema. Entre as medidas propostas estão a reabertura do aterro municipal com a cobrança pelo despejo privado e o fomento à criação de aterro sanitários privados, além de incentivar o co-processamento de resíduos nas próprias fábricas. 

Além disso, o Estado ainda não possui um sistema organizado de recolhimento, tratamento, disposição ou reciclagem dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD). Atualmente 44 empresas possuem autorização para transporte e descarte de entulhos no aterro de Manaus. No interior não há registro deste tipo de atividade, sendo os RCD descartados em aterros de terrenos, lixeiras municipais e beiras de estradas.

Maioria tem lixões de ‘pequeno porte’

Onze municípios do Amazonas geram acima de 20 toneladas de lixo por dia. Esses municípios são enquadrados pela Sema demandadores de aterros de grande porte, caso de Maués, Benjamin Constant, Humaitá, Iranduba, Coari, Tefé, Parintins, Tabatinga, Manacapuru, Itacoatiara e Manaus. Os demais 51 municípios possuem coleta de resíduos abaixo de 20 toneladas por dia, enquadrando-se como de pequeno porte. Tapauá e São Paulo de Olivença são os únicos com cobertura considerada baixíssima:  recolhem menos de 5 toneladas por dia.

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