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Coari (AM) teve cinco prefeitos ao longo de dois anos, mas questão está longe de ser resolvida

Suspensão da posse de Magalhães o impediu de ser a sexta pessoa a assumir a administração do segundo município mais rico do Estado, com orçamento anual de quase R$ 300 milhões. Relembre a trajetória política recente da cidade 25/03/2015 às 10:39
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Raimundo Magalhães (PRB) foi o segundo lugar nas últimas eleições do município e não assumiu por suposta manobra política
Luciano Falbo Manaus (AM)

Raimundo Magalhães, que teve a posse suspensa por um juiz eleitoral na noite desta terça-feira (24), seria o sexto prefeito do município amazonense de Coari em pouco mais de dois anos. Nas mãos, o detentor do cargo tem um orçamento anual que beira R$ 300 milhões. Depois da prisão de Adail Pinheiro, no começo de 2014, durante um ano o município foi administrado pelo seu vice, Igson Monteiro.

Após pressão por conta de acusações de má gestão e de crimes como nepotismo, Igson renunciou no início de fevereiro deste ano. Irmão de Igson, o vereador presidente da Câmara Municipal, Iliseu Monteiro assumiu a Prefeitura, mas não demorou na cadeira. No fim de fevereiro, o Tribunal de Justiça anulou a eleição da Câmara, Iliseu perdeu a presidência e consequentemente o comando da prefeitura.

A presidência da Câmara ficou interinamente para o vereador mais velho, Carlos Alves, que assumiu a prefeitura em razão da vacância no cargo. Com o afastamento de Alves para assumir o Executivo, a presidência da Casa passou para o segundo vereador mais velho, Mário Jorge. Um grupo de oito vereadores, liderados por Iranílson Medeiros, insatisfeito com a demorar para a realização da nova eleição do Parlamento, que na prática elegeria o novo prefeito, acionou o Tribunal de Justiça para que a presidência interina convocasse nova eleição.

O pedido foi acatado pelo TJ no dia 17 e, no dia 18, Iranilson foi eleito presidente, com o voto apenas do grupo de oito vereadores, e assumiu a prefeitura. Entretanto, no mesmo dia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicou o acórdão da decisão que cassou Adail, abrindo a possibilidade do segundo colocado no pleito, Raimundo Magalhães, assumir.

No dia 23, o TSE determinou à Justiça Eleitoral do Amazonas para diplomar e dar posse a Magalhães. Mas, no dia seguinte (24), o juiz eleitoral Délcio Santos suspendeu a diplomação. Enquanto isso, aliados de Adail arquitetam judicialmente a realização de uma nova eleição, na qual o candidato do grupo será Adail Filho, filho do prefeito cassado. E Iranílson se mantém como prefeito tampão.

Dada a instabilidade política e administrativa, uma intervenção do Governo do Estado no município foi cogitada duas vezes, mas as investidas não tiveram força para concretizar.

O QUE ESTÁ EM JOGO

Em jogo, está a gestão do segundo maior orçamento do Amazonas, que perde apenas para a capital Manaus. Em 2014, por exemplo, Coari recebeu R$ 210,7 milhões só de repasses de recursos públicos do Estado e da União. Foram R$ 160,5 milhões em repasses federais - o maior entre os municípios do interior do Amazonas. E R$ 50,2 milhões em recursos repassadospelo Governo do Estado.

Os R$ 160,5 milhões de repasses federais são referentes à soma das transferências constitucionais obrigatórias, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com os royalties da exploração do gás natural de Urucu. É como se cada cidadão de Coari recebesse R$ 1.952,55 de recursos transferidos pela União, o maior registrado ano passado no Estado, quantia maior que a de Manaus.

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