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Cotidiano
SELETIVA

Coleta seletiva: triciclos doados a cooperativas do AM modernizam sistema

Iniciativa da Associação Nacional dos Catadores doou triciclos para cooperativas da capital e interior do AM 02/11/2017 às 05:22
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O experiente Francisco da Silva e o jovem Melquisedequi, trabalham na coleta de materiais recicláveis em carroças em uma associação da cidade. Foto: Márcio Souza
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Os catadores de lixo de Manaus vivem uma espécie de período de transição de tecnologias na coleta de materiais recicláveis. Dando literalmente um empurrãozinho na categoria, a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), em parceria com a Coalizão de Empresas do Setor de Embalagens, destinou seis triciclos para associações do Amazonas, visando substituir as carroças. Tudo dentro do projeto Reviravolta, que visa otimizar a coleta, reduzindo o tempo de deslocamento e o trabalho braçal dos profissionais.

A entrega simbólica ocorreu no último dia 15 de setembro, na sede da Associação Recicla Manaus, quando foram contempladas as cooperativas Associação de Catadores de Recicláveis do Amazonas (Ascarman), Associação EcoRecicla e Associação de Catadores de Manacapuru (MPU-Recicla), que receberam, cada uma, dois triciclos, uma balança e uma transpaleteira (máquina que transporta palets).

Os veículos estão em fase de emplacamento em Manaus, segundo informou Kelly Souza, técnica da Ancat, e a expectativa da cooperativa é que o projeto  se espalhe por todo o território nacional.

O projeto Reviravolta beneficia um total de 40 cooperativas de catadores de lixo que recebem investimentos em todo o território nacional.

“Para os catadores de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus), por exemplo, esta iniciativa é a realização do cumprimento das ações propostas. Atualmente, os catadores deste município do interior do Amazonas trabalham dentro do lixão. Agora receberam o incentivo para a contratação da prestação de serviços da coleta seletiva”, ressalta Kelly Souza. 

Os triciclos

Os triciclos são produzidos pela fabricante brasileira Motocar, que adaptou seu modelo MCA 250, de carroceria aberta, para a atividade de coleta seletiva.
O resultado é um triciclo de baixo custo, com gaiola na carroceria, capaz de carregar até 300 kg e se deslocar no trânsito com agilidade. Tudo isso ocupando quase o mesmo espaço de uma carroça que, por sua vez, carrega cerca de 250 quilos em seu interior.

‘Trabalho em carroça é sofrido’

O catador de  materiais recicláveis Melquisedequi da Silva Mendes, 20, trabalha há 1 ano conduzindo carrinho, ou carroça, que comporta cerca de 250 quilos, e diz que a ocupação é uma função sofrida.

“Carrinho é mais sofrido porque há lugares onde nós pegamos ladeiras altas e tem que ficar empurrando com o peso quando está cheio. Nesse caso é preciso pedir ajuda para outras pessoas. Também passamos por cima de buracos, as rodas atolam. Agora, trabalhando em um triciclo ou veículo mais avançado nós conseguiremos trabalhar melhor”, explica o jovem, que é morador do São Francisco, na Zona Sul, e trabalha de 5h às 21h na área da Praça 14 e Centro.

Já Francisco da Silva Duarte tem 59 anos e 9 deles como catador pelas ruas de Manaus em sua carroça. Sediado em uma cooperativa da avenida Manaus Moderna, ele conta que o que arrecada é apenas para o seu sustento, já que mora sozinho. “Para mim esse trabalho de catar lixo é tudo, e não tenho hora nem pra começar nem pra terminar”, comenta ele, que é morador do bairro Mauazinho, na Zona Sul da cidade.

“Já dirigi até triciclo, mas não ando porque não tenho carteira de motorista”, diz.

 O diretor comercial da empresa Motocar, Carlos Venceslau, destacou a relevância social do projeto Reviravolta. “O interesse da ANCAT nos possibilitou trabalhar em um projeto humanitário, de grande relevância social”, disse ele.

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