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Cotidiano
ENTREVISTA

Em visita a Manaus, embaixador alemão estranha ausência de sistema de mobilidade

Em entrevista, Georg Wistchel falou da ameaça a todos com a mudança do clima e destacou a importância da mobilidade para uma cidade como Manaus 19/03/2017 às 05:00
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O embaixador visitou projetos apoiados pela Alemanha, voltados para a preservação do meio ambiente, em comunidades ribeirinhas do Iranduba (Foto: Aguilar Abecassis)
Janaína Andrade Manaus (AM)

Em visita ao Amazonas, o embaixador da Alemanha no Brasil Georg Wistchel classificou a questão da mobilidade em Manaus como um grande problema e estranhou o fato de uma cidade com mais de dois milhões de habitantes não ter um sistema de transporte coletivo integrado. 

Wistchel se reuniu com o vice-governador Henrique Oliveira, com o presidente da Assembleia Legislativa (ALE), David Almeida, e com representantes da Fieam, Inpa e CMA. Visitou projetos apoiados pela Alemanha, voltados para a preservação do meio ambiente, numa agenda de uma semana, afirmou que pretende voltar ao menos duas vezes ao ano, ao Amazonas. Atualmente, a Alemanha possui 120 milhões de euros em projetos e prospectando mais 50 milhões de euros para os próximos anos.

O objetivo da visita foi intensificar a cooperação entre a Alemanha e o Amazonas. O Estado já recebe investimentos alemães em diversas áreas, como na indústria, no meio ambiente com projetos como a Torre ATTO (sigla em inglês para Torre Alta de Observação da Amazônia) para monitorar as mudanças climáticas, e em diversos projetos para o desenvolvimento sustentável da região.
 
A seguir, trechos da entrevista concedida para A CRÍTICA durante visita dele a projetos desenvolvidos em comunidades ribeirinhas no Município do Iranduba pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Amazônia, que recebe recursos do governo alemão. 

Quais são as expectativas de parceria com o Amazonas para 2017?

Sobretudo eu estou aqui para estudar, entender. É a minha primeira visita à floresta e estou curioso. Nós temos uma cooperação bem sucedida e bem estabelecida com o BNDES e também com o Fundo Amazônia. Estamos financiando  através do banco CFW vários programas. Temos o financiamento de R$ 350 milhões para vários projetos do Fundo Amazônia e algum recurso está chegando nessa comunidade (Santa Helena do Inglês em Iranduba).

Há perspectiva de investir em outras áreas, além do meio ambiente?

A área de meio ambiente é muito abrangente. E o questionamento é “porque a Alemanha está financiando projetos no Brasil e na Amazônia?”.  A resposta é muito simples. Porque para nós estamos todos no mesmo barco, enquanto mundo. Com a mudança do clima todos nós estamos ameaçados e para a Alemanha é muito importante ajudar outros países como o Brasil, como o Amazonas, e proteger esse ambiente que é tão importante para o nosso mundo. Se nos unirmos vamos sobreviver, se não as sequelas e consequências serão muito ruins para nós todos. 

Que conclusões o senhor leva da sua viagem para o Amazonas?

Sobretudo aqui foi muito positivo e também no Parque Anavilhanas. Finalmente, eu falei com o secretário de Meio Ambiente, com o vice-governador Henrique Oliveira, e o que eu entendi é que o Estado do Amazonas está bem sério quanto à proteção do meio ambiente, porém também existem outros interesses, como, emprego, mineração, indústria, e etc. Por isso é uma situação bem complexa, pois há interesses diferentes e o que é importante para mim é exatamente o que ocorre nessa comunidade (Santa Helena do Inglês), onde há uma fonte de renda, um ganha pão, e ao mesmo tempo se protege o meio ambiente.

Quanto a cidade de Manaus, como avalia a mobilidade urbana?

Há muito engarrafamento em Manaus, porque eu penso que exceto os ônibus, não existe nenhum bonde, metrô ou outro meio de transporte. Agora Manaus é uma cidade de mais de 2 milhões de habitantes sem um sistema de trânsito comum e isso é um problema grande. Sei também que custa muito desenvolver um sistema de transporte geral, mas penso que é um problema agora e grande. Na Alemanha, em todos as grandes cidades temos um sistema de transporte que normalmente é a ferrovia, o metrô, ônibus, sendo tudo integrado, com um bilhete único. E você paga por um bilhete e pode continuar a viagem inicialmente por ônibus, depois metrô e finalmente talvez um bonde ou outro ônibus. O primeiro metrô foi introduzido em Berlim em 1885. A Alemanha é bem mais pequena que o Brasil. 

O senhor pretende voltar ainda este ano ao Amazonas?

Eu vou voltar ao menos duas vezes a cada ano, porque para mim existem pelo menos dois estados brasileiros que são interessantes. Interessantes porque existe uma comunidade alemã, universidades que ensinam alemão, empresas alemãs, cidadãos alemãs, institutos culturais alemãs e cooperações para proteger o meio ambiente e o desenvolvimento. E aqui claro, o nosso interesse é o meio ambiente, mas claro, temos uma fábrica, que é a BMW de duas rodas alemã, então também temos também um interesse econômico.

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