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Com aliados de Arthur Neto, adesões à Rede Sustentabilidade podem sinalizar governismo

O deputado Luiz Castro e o vereador Professor Samuel, cotados para se filiarem ao novo partido, se posicionam como aliados políticos do atual prefeito de Manaus. O prefeito Arthur Neto (PSDB) costura a formação de uma ampla aliança política para fortalecer a candidatura dele à reeleição no próximo ano. 27/09/2015 às 20:43
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Dirigentes da Rede Sustentabiliade afirmam, em coro, que o jovem partido vem para inovar e que a questão de ser ou não governo ainda não está em debate
Janaína Andrade Manaus (AM)

Pelas filiações  anunciadas como certas, a Rede Sustentabilidade  está  nascendo com a cara governista no Município de Manaus. O deputado estadual Luiz Castro (PPS), que nos próximos dias oficializa a entrada no partido, é visto como um defensor do governo do prefeito Arthur Neto (PSDB). Enquanto o vereador Professor Samuel (Sem Partido) que também desembarca na legenda esta semana, foi expulso do PPS por ter se aliado à base do prefeito tucano.

Ouvidos pelo A CRÍTICA membros da nova sigla não confirmam o embarque da legenda em um provável arco de aliança ao prefeito, mas adotam um discurso moderado para quem podia ser enxergado como oposição.

Para o membro da executiva nacional da Rede, Tácius Fernandes, a sigla não será nem de situação, nem de oposição, mas sim de posição. “Não tenho nada a falar sobre o vereador Samuel, ele não é da Rede. O Luiz é um deputado republicano que conversa com as instituições representativas. Quando o governo fizer algo bom pra sociedade não temos porque ir contra, se fizer algo que vai contra a sociedade faremos críticas e mostraremos uma alternativa no debate”, disse.

Fernandes afirmou que a sigla está recebendo diversos assédios de vereadores e prefeitos do Amazonas, mas garantiu que a Rede não será um “grande banco de negociações e posições de caciques”.

“Estamos no processo (de filiação) com muita habilidade para peneirar os bons da política - são poucos, mas existem. Não vamos nos prestar a esse desserviço para política - de partido de aluguel pra alojar vereadores que o prefeito quer”, afirma. Questionada se a filiação de Castro e Samuel não comprometeria a filosofia da Rede de fazer oposição ao atual prefeito, a porta-voz do partido,  no Amazonas, Luciana Valente, afirmou que não .

“A eleição é só ano que vem. Até lá  vamos construir essa opção legitimamente, sem fazer oposição por oposição,  cegamente. Mas entendendo que em todas as gestões existem coisas boas e ruins”, disse.

A Rede Sustentabilidade teve o registro no Tribunal Superior Eleitoral aprovado na semana que passou e já poderá disputar eleição em 2016.

Filiações viram um jogo de xadrez

Alguns parlamentares insatisfeitos com seus atuais partidos ainda se agarram a esperança de que a presidente Dilma Rousseff sancione a emenda à Constituição que abre um período de trinta dias, para que os deputados federais e estaduais e vereadores possam trocar de partido sem perderem seus mandatos.

A espera é arriscada, pois caso a presidente não sancione até o dia 2 de outubro, data limite para filiação partidária, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os parlamentares estarão presos as suas atuais siglas, e no caso daqueles que estão sem partido, como os vereadores Professor Samuel, Professora Jacqueline e Elias Emanuel, sem condição básica de disputar a reeleição em 2016, que é estar filiado a um partido.

Pelas regras atuais, os parlamentares só podem mudar de partido sem correr risco de perder o mandato se forem para uma legenda recém criada – exceto no caso de eleições majoritárias, como senadores e prefeitos.

Além da Rede Sustentabilidade que se tornou partido político de direito no dia 22 deste mês, outra sigla também deve estrear na próxima eleição - o Partido Novo - criado em 15 de setembro.

No dia 24 deste mês o deputado estadual Dermilson Chagas anunciou sua filiação ao Partido Novo, informando que irá comandar a nova sigla no Amazonas. Porém a afirmação foi contestada pela assessoria de imprensa do partido. O Novo informou em nota que a afirmação não é verdadeira, uma vez que o partido ainda não constituiu diretório em Manaus.

Personagem: Professor Samuel, vereador

Expulso do PPS após votar no candidato a presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM)indicado pelo prefeito Arthur Neto, desobedecendo a orientação do então partido dele, o vereador Professor Samuel declarou que não pode comentar, ainda, se será de situação ou oposição na Rede Sustentabilidade, pois ainda não se filiou a sigla.

“A Rede é um partido independente. Não fará oposição apenas por fazer. Mas por enquanto não posso dizer que se me filiar a Rede farei oposição ou não ao prefeito Arthur, porque isso ainda está sendo analisado.

Segundo o vereador Professor Samuel, outras siglas ainda estão sendo cotadas por ele como possíveis abrigos partidários, como, o PTN, do deputado estadual Abdala Fraxe, o DEM, do deputado federal Pauderney Avelino, e o PHS, do presidente da CMM, vereador Wilker Barreto.

Este último Samuel já havia anunciado que se filiaria e havia agendado até a data do evento - final de setembro. Mas ao que tudo indica, Wilker Barreto ainda não conquistou o vereador sem partido.

Blog: Luiz Castro, deputado estadual

"Ocasionalmente  defendi o   prefeito Arthur em situações em que considerei as críticas injustas ou exageradas. Mas minha relação com ele é pessoal e não de aliança partidária. Na minha ida para a Rede está bem definido que estarei coadunado com a linha programática da Rede, que não tem alinhamento com nenhum dos atuais  pólos do poder nacional ou estadual. Acompanhei Arthur um bom tempo na oposição, mas a dinâmica da política  o tornou aliado do governador José Melo, a cujo governo faço oposição. Defendo mudanças profundas na gestão pública, mas numa visão diferenciada da que o PSDB preconiza. Tenho parâmetros de convicção alinhados com o que a Rede e Marina (Silva) defenderam. Desta forma, nas últimas eleições já defini minha posição política estratégica . E o próprio prefeito Artur sabe disso."

Análise: Junior Brasil, coordenador executivo regional da Rede Sustentabilidade

Sobre as posturas adotadas pelos parlamentares Luiz Castro e Professor Samuel, o coordenador executivo regional da Rede Sustentabilidade, Junior Brasil, garante que os parlamentares que se filiarem a sigla terão que seguir aquilo que a Rede decidir.

“Mas a Rede não vem pra ser oposição por oposição, nem situação. Não estamos à direita ou esquerda, estamos à frente, ao lado da sociedade e nossos representantes seguirão aquilo que a Rede decidir de forma coletiva e transparente”, declarou Júnior Brasil.

O coordenador  disse ainda que não tem acompanhado “de perto as falas de Luiz Castro sobre a gestão de Arthur” e que não pode falar sobre a postura do vereador Professor Samuel (sem partido) por ele não pertencer à Rede.










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