Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
TECNOLOGIA

Laboratório do Inpa aplica método revolucionário para criação de peixes

Agricultura familiar e manutenção da biodiversidade são ponto-chave de atuação do novo Lab do Centro de Aquicultura localizado no Campus III, no conjunto Morada do Sol, Zona Centro-Sul de Manaus 



turma_da_xuxa_3811611E-8BEC-40FE-95A5-1D291D8F25E1.JPG Foto: Junio Matos
15/01/2020 às 06:48

No Amazonas, a piscicultura representa uma importante atividade para a geração de emprego e renda. Mas a boa qualidade da produção depende do trabalho desenvolvido em centros como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Na manhã de ontem, o órgão inaugurou as novas instalações do Laboratório de Fisiologia Aplicado à Piscicultura (Lafap), projeto que integra a revitalização do Centro de Aquicultura localizado no Campus III, no conjunto Morada do Sol, Zona Centro-Sul de Manaus. 

A ampliação e reforma do laboratório custou cerca de R$ 160 mil fornecidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que atua em duas frentes: na agricultura familiar e na manutenção da biodiversidade. O projeto de financiamento do órgão prevê capacitação de técnicos e produtores e inclui a confecção de uma cartilha com o passo a passo da instalação das tecnologias.



“A pesquisa deve estar voltada para o interesse da sociedade. Não se pode mais trabalhar visando seu próprio interesse”, afirmou Elizabeth Gusmão Affonso, líder do grupo de pesquisa em Aquicultura da Amazônia Ocidental. “ A aquicultura tem muito a ver com a questão da alimentação, da qualidade de vida e da oportunidade de trabalho. A pesquisa é o marco dessas melhorias que chegam ao produtor rural”, complementou. 

“O trabalho de novos métodos para implantação e criação de peixes só vai facilitar o trabalho das comunidades”, avaliou a presidente do Inpa, Antônia Maria Pereira. 

A aquisição de novos instrumentos, como lupas e microscópios, vai possibilitar o aprimoramento de estudos com remédios e outros produtos ingeridos pelos peixes. Baseados nos aspectos nutricionais das espécies serão desenvolvidas rações melhoradas para um crescimento saudável do tambaqui, por exemplo, uma das três espécies estudadas no Lafap junto com o pirarucu e o matrinxã.
 
Além disso, serão testados medicamentos para combater a acantocefalose, doença causada por um parasita que afeta o crescimento e gera o aumento de células sanguíneas do tambaqui. “Por meio de análises de sangue de rotina é possível verificar se determinado remédio foi benéfico para o peixe”, explicou a engenheira de pesca Valdelira Fernandes. “O excesso de produção de glóbulos brancos (leucócitos) pode indicar a sanidade da defesa do animal”.

Microorganismos são capazes de refinar piscicultura e aquicultura

O destaque no Laboratório de Fisiologia Aplicado à Piscicultura (Lafap) fica por conta da utilização pioneira da tecnologia de bioflocos, um aglomerado de microorganismos criados artificialmente que refinam a produção de peixes e a qualidade da água. No local, os pesquisadores desenvolvem testes com a quantidade de proteína consumida por espécies nativas, insumo mais caro da ração - correspondente a 70% do valor da produção.

“Estamos testando diferentes níveis de proteína, de 32% para 24%. Em seguida, o melhor nível estabelecido no experimento será utilizado para compor diferentes taxas de racionamento, de acordo com a biomassa do animal”, explicou Raphael Brito, doutorando em Aquicultura pela Universidade Nilton Lins em parceria com o Inpa. 

Esse ciclo ecológico não exige a troca constante de água, pois estimula a criação de bactérias que vão consumir os metabólicos e deixar a qualidade do líquido em um nível aceitável. O oxigênio é produzido por meio de energia elétrica.

“Com isso, conseguimos reduzir a quantidade de alimento fornecida, pois trata-se de um recurso natural disponível 24 horas por dia, desde que o animal tenha a capacidade de filtrá-lo”, salientou Brito. Dessa forma, obtém-se a máxima eficiência do sistema com redução de custos. 

O sistema de bioflocos se mostrou benéfico também para a criação do matrinxã, cujo período reprodutivo (de setembro a março) e o canibalismo entre a mesma espécie tornam a produção mais cara. “Tivemos resultados bastante positivos, que mostraram alta sobrevivência das larvas durante o período crítico, onde há perda de cerca de 80% delas. Também poderíamos melhorar a produtividade no Pará, outro grande produtor”, avaliou Elizabeth, líder do grupo de pesquisa em Aquicultura da Amazônia Ocidental. 

O Lafap integra a segunda etapa da Estação de Aquicultura do Inpa, composta por uma fábrica de ração inaugurada no ano passado e salas de aula para cursos de pós-graduação, totalizando 4 mil metros quadrados. “O laboratório de Fisiologia aplicada à Piscicultura contribuiu para a formação de alunos desde o Ensino Médio e Técnico, com minicursos e cursos de extensão, passando pela graduação”, destacou Elizabeth. 

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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