Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
saúde indígena

Com denúncia de remédios vencidos, fome e morte, Yanomami pedem subdistrito de saúde

O documento foi entregue nessa segunda-feira (29) à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai)



000001_78844A55-EDA7-4743-BD10-95E942B2F0DD.JPG Foto: Agência Saúde
30/11/2021 às 20:23

Indígenas da Associação Yanomami Kurikama pedem que seja criado um subdistrito de saúde na parte ‘amazonense’ da Terra Indígena Yanomami (TIY), que se estende até o estado de Roraima e é a maior do Brasil. Eles reclamam das longas distâncias que precisam ser percorridas para atendimentos médicos, em especial quando se trata da distância do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, em Boa Vista. 

O documento foi entregue nesta segunda-feira (29) à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde e no dia 26 deste mês ao Ministério Público Federal (MPF). O envio ocorreu durante a 31 ª Reunião Ordinária do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (CONDISI/YY), que encerrou ontem em Boa Vista (RR). 



No ofício, há relatos de falta de medicamentos e o avanço da crise sanitária no território Yanomami. “Falta medicação básica nos postos de saúde e tem sido comum a distribuição de medicamentos vencidos. Não está tendo tratamento para verminose há dois anos nas diversas regiões Yanomami do Amazonas”, cita o ofício.

Por conta da crise, indígenas pedem a instalação de uma Comissão Interinstitucional para discutir a proposta de criação de um subdistrito de atenção básica para os Yanomami do Amazonas. O espaço de saúde atenderia os moradores do território localizado nos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira. 

O subdistrito ficaria ligado ao Dsei em Boa Vista, mas teria autonomia “financeira, capacidade de gestão de saúde e com estrutura administrativa, logística e operacional adaptada à realidade sociocultural, geográfica e ambiental dessa região”, diz o documento. 

O pedido de criação de um subdistrito tem o apoio da Associação Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya). O coordenador da sigla, Silvio Cavuscens, diz que a crise na Terra Indígena Yanomami é grave.

“Só nesta segunda-feira tivemos a informação que pelo menos três pessoas morreram por falta de assistência na terra indígena. Existe falta de equipamento, de combustível, de remédios. Temos aldeias que passam semanas sem qualquer atendimento”, afirma.

MPF acompanha crise

No dia 15 deste mês o MPF de Roraima, em parceria com o do Amazonas, já havia expedido recomendação ao Ministério da Saúde para pedir que a pasta tome providências a respeito da crise de saúde na TIY.  

A terra dos Yanomami é a maior do Brasil, com mais de 370 aldeias e quase 10 milhões de hectares. Um dos principais problemas apontados pelos indígenas é justamente o tamanho do território e a dificuldade para terem atendimentos médicos nessas longas distâncias, por isso querem a criação de um subsdistrito de saúde no lado ‘amazonense’ da terra indígena. 

“Tem 28 polos-base que fazem atendimentos de saúde [dentro da terra indígena], mas algumas aldeias são muito distantes e esse serviço demora muito para chegar. Por isso, queremos que seja criado um subdistrito de saúde no Amazonas, para que os indígenas não precisem ir para Boa Vista”, explica Silvio.


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