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Cotidiano
laços de amor

Com Esclerose Lateral Amiotrófica, pai assiste casamento da filha dentro de hospital

Quando conheceu o marido, Deusiane já tinha o pai internado. Para realizar o sonho dela e do pai, ela escreveu uma carta para a diretoria do hospital, que autorizou a realização do casamento 29/03/2016 às 22:03 - Atualizado em 30/03/2016 às 11:19
Luana Carvalho Manaus (AM)

“É um momento especial, um início de tarde em que um hospital se transformou em igreja”, descreveu o padre Charles Cunha, ao iniciar a cerimônia de casamento de Fernando Pereira de Oliveira, 28, e Deisiane Teixeira de Oliveira, 26, nesta terça-feira (29) . Entre os pouco mais de 30 convidados, estava o pai da noiva, Álvaro Teixeira, 54, um dos principais personagens desta história de amor.    

O casamento foi completo. O salão estava repleto de flores e o bolo, feito com muito carinho pelos amigos da família, impecável. “É um momento duplamente especial. Primeiro, porque vamos presenciar o casamento destes jovens. E segundo, porque vou ver meu amigo, que há muitos anos eu não vejo”, disse o autônomo João Lira, referindo-se ao pai da noiva, que tem Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e  mora há quase quatro anos no hospital da Unimed. 

Tocava a música “Um amor Puro”, de Djavan, quando Álvaro entrou no salão e atraiu os olhares de amigos e familiares que não o viam há muito tempo. Também foi a primeira vez que ele viu o neto, Guilherme, de cinco meses, e filho dos noivos.   

“Sempre foi um sonho nosso casar. Somos católicos e queríamos um momento como este,  com a presença dos amigos e familiares. Foi quando a Deisiane teve a ideia de casar no hospital. O pai dela é o principal motivo de a gente estar casando aqui”, conta Fernando, que seguindo a tradição, pediu a mão da noiva para o pai dela. “Todo mundo já estava sabendo, menos ele. Então combinamos um dia de eu chegar e pedir, formalmente, a mão em casamento”.

Sonho realizado

Quando conheceu Fernando, o pai de Deisiane já estava internado. Para realizar o sonho dela e do pai, ela escreveu uma carta para a diretoria do hospital, que autorizou a realização do casamento. “É emocionante tê-lo presente e poder contar com ele em um momento como esse. É um sonho sendo realizado, tanto para mim, quanto para meu pai”, disse Deisiane, que antes de iniciar a cerimônia fez questão de ir na enfermaria, onde o pai está internado, para conversar com ele. Durante a cerimônia, mesmo impossibilitado de se mover por conta da doença, Álvaro foi só sorrisos.   

A esposa dele e mãe de Deisiane, Maria Teixeira, 47, não conseguiu esconder a preocupação no início, mas, assim que o padre começou a celebração, também foi tomada pela emoção. “Fiquei ansiosa porque não sabia como ele iria reagir, por conta do emocional. Mas tenho certeza que foi o dia mais feliz da vida dele”, finalizou.

Degeneração progressiva do neurônio

Álvaro Teixeira, 54, foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) em 2012.  A doença é provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Esses neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença.  Apesar das limitações motoras, a capacidade intelectual e cognitiva fica preservada. 

Casada há 32 anos com Álvaro, Maria Teixeira entende perfeitamente o que ele quer dizer com os olhares e sorrisos. “Nosso maior sonho era que ele pudesse ir pra casa, mas não é possível porque ele depende dos aparelhos. Mas só o fato de ele estar na enfermaria e poder ter esse contato com a família, já é maravilhoso. Eu também moro no hospital com ele”, conta.

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