Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2022
Invasão no Baixo Rio Madeira

'Com licença política, garimpeiros se sentem livres', avalia porta-voz do Greenpeace na Amazônia

Para Danicley Aguiar, “as ações e omissões do governo Bolsonaro” na temática ambiental são as principais causas de um vale-tudo que culminou na invasão de centenas de balsas que garimpam ouro de forma ilegal



WhatsApp_Image_2021-11-23_at_18.37.04__4__F3C18066-6CB2-4D72-BAA8-05D38D65B1D2.jpeg Trecho invadido fica nas proximidades da comunidade Rosarinho, no município de Autazes, no Amazonas. Foto: Silas Laurentino - 23/nov/2021
24/11/2021 às 00:00

O ambientalista Danicley Aguiar, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace, sobrevoou o trecho do rio Madeira invadido por centenas de balsas de garimpo ilegal nesta terça-feira (23). “A cidade de Autazes foi pega de surpresa. Ao sobrevoar, nos deparamos com centenas de balsas. E o pior: na beira da maior cidade da Amazônia, Manaus”, disse em entrevista ao A CRÍTICA.

A estimativa é de que haja entre 300 e 600 balsas e dragas, embarcações que extraem ouro do leito do rio.

Sem um monitoramento efetivo das autoridades, a exploração garimpeira no Madeira virou um verdadeiro “vale-tudo”, segundo avaliação de Aguiar. “Enquanto o mundo busca resolver as questões climáticas, o Brasil dá um sinal trocado em relação à questão ambiental permitindo situações como essa”, declarou.

Para Aguiar, “as ações e omissões do governo Bolsonaro” na temática ambiental são as principais causas desse vale-tudo. “Não há licença ambiental, mas há uma licença política. E, assim, os garimpeiros se sentem livres para continuar no ciclo destrutivo, chegando a essa situação extrema”, disse. “Precisamos romper com esse lamentável ciclo de economia destrutiva”, defendeu.

O ambientalista disse que esse cenário atual de avanço das atividades ilegais como o garimpo é fruto de um processo. “Não começa da noite para o dia”, observou, ao citar a crise em Humaitá em 2017, quando garimpeiros fogo em prédios do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “De lá para cá, a situação só piorou”, avaliou.

Aguiar disse que provavelmente as dragas vieram da região do Alto Madeira. “Demoraram cerca de duas semanas para chegar até Autazes”, estimou. “Daria tempo suficiente para os órgãos do governo federal e do governo estadual se mexerem e fazer alguma coisa para impedir isso”, completou.

Entenda

As embarcações estão descendo o rio atrás de ouro há pelo menos duas semanas e, nesta terça-feira (23), chegaram a Autazes, a penúltima cidade antes da foz do rio – que deságua no rio Amazonas.

As embarcações estão em um porto próximo da comunidade Rosarinho, perto do limite com o município de Nova Olinda do Norte e a apenas 120 quilômetros em linha reta da capital Manaus.

A Prefeitura de Autazes informou ao A CRÍTICA que notificou o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e que também acionou a Marinha, a Polícia Federal e o Ministério do Meio Ambiente.

O Ipaam, por sua vez, confirmou que tomou conhecimento das denúncias sobre a movimentação de balsas de garimpo na região e afirmou que “será feito um diagnóstico apurando a real situação no local”.

A CRÍTICA entrou em contato com o Ibama, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Saiba mais



Na sua visita mais recente à Amazônia, em outubro, o presidente Jair Bolsonaro visitou um garimpo ilegal dentro da terra indígena Raposa Serra do Sol.

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Jornalista | SRTb 1437/AM
Está desde 2013 no A Crítica, onde foi repórter de Política, editor do Online e editor de Cidades. Desde 2020, é editor de Primeiras Páginas e colaborador eventual da coluna Sim&Não. Antes, trabalhou na TV Local e no jornal Amazonas Em Tempo.

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